007 – CASSINO ROYALE (Crítica)

007 - CASSINO ROYALE

5estrelas

FICHA TÉCNICA

Título Original: Casino Royale
Ano do lançamento: 2006
Produção: República Tcheca, EUA, Inglaterra
Gênero: Aventura
Direção: Martin Campbell

Elenco: Daniel Craig, Eva Green, Mads Mikkelsen, Judi Dench, Jeffrey Wright, Caterina Murino, Giancarlo Giannini, Ivana Milicevic, Simon Abkarian, Isaach De Bankolé, Claudio Santamaria, Jesper Christensen, Tobias Menzies, Clemens Schick, Emmanuel Avena, Joseph Millson, Sebastien Foucan, Ludger Pistol.

Roteiro: Neal Purvis e Robert Wade, baseado em livro de Ian Fleming

Sinopse: A 1ª missão de James Bond (Daniel Craig) como agente 007 o leva a Madagascar. Sua tarefa é espionar o terrorista Mollaka (Sebastien Foucan), mas nem tudo sai como o planejado. Bond decide espionar por conta própria o restante da célula terrorista, o que o leva às Bahamas. Lá ele conhece Alex Dimitrios (Simon Abkarian) e sua namorada Solange (Caterina Murino). Alex está envolvido com Le Chiffre (Mads Mikkelsen), o banqueiro de organizações terroristas espalhadas pelo planeta, que pretende conseguir dinheiro em um jogo de pôquer milionário em Montenegro, no Cassino Royale. O MI6 envia Bond para jogar contra Le Chiffre, sabendo que caso Le Chiffre perca a partida isto desmontará sua organização. Mas para esta tarefa o agente 007 terá a companhia da sedutora Vesper Lynd (Eva Green), enviada por M (Judi Dench) para acompanhá-lo na missão.

Por Douglas Müller

Depois de inúmeros exemplares da franquia, é hora de voltar e contar a origem do agente mais famoso do cinema!!!

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E por se tratar justamente do filme que conta o início de uma numerosa franquia, 007 – Cassino Royale é ótimo ao tratar de um James Bond novato, inexperiente e que sempre deixa o desespero e o despreparo tomarem conta, principalmente nas horas mais críticas. Essa inexperiência também conta pontos no que diz respeito à conquistar novos fãs para a franquia, haja visto que muitos não conheciam e não se interessavam em assistir justamente por desconhecer esse universo. Mas aqui, há a chance dos novatos partirem do começo, aprendendo juntamente com o próprio agente, que neste filme estará recém-ingressando na vida de espionagem.

E por falar em agente novato, quem é novato no papel (legado deixado pelo carismático Pierce Brosnan) é o ator Daniel Craig. Nem tão conhecido assim, ele conta com um portifólio cinematográfico que abrange filmes como Lara Croft: Tomb Raider (2001), Estrada para a Perdição (2002), Nem Tudo é o que Parece (2004), Munique (2005). Alvo de muitas críticas pré-lançamento deste longa, como o medo que o fãs tiveram pela notável diferença do visual decorrente da mudança de ator, bem como a incerteza de uma boa atuação, temor este, que os fãs acostumados com Brosnan, achavam que poderia vir a desmanchar todo um legado construído por atores icônicos como Sean Conery, George Lazenby, Roger Moore, Timothy Dalton e Pierce Brosnan. Daniel Craig então, para a surpresa de muitos, o faz de forma impecável e sem dever nada a nenhum dos nomes acima mencionados. Com uma atuação livre e fluente, Craig carrega o personagem com muita tranqüilidade durante toda a projeção, o que de fato vem a ser algo muito significativo, se tratando, talvez, do papel mais difícil de James Bond na franquia. A impressão que passa é que por ser novato no papel, o ator faz transparecer para o público que tanto na vida real, como na atuação, ele está iniciando em um universo desconhecido, moldando-se com o decorrer da história, passando isso, realmente de forma muito orgânica.

Méritos também para seus parceiros de cena, como a atriz que vive a Bond Girl, Eva Green. Atriz recém lançada no mercado cinematográfico, conhecida por filmes como Os Sonhadores (2003) e Cruzadas (2005), que por ser uma atriz recente, carrega a personagem Vesper Lynd com calma, inteligência e elegância. Aliás, o interessante de Vesper Lynd é que, enquanto todas as outras BondGirls dos filmes anteriores mostravam que seus dotes não iam além de seus corpos pomposos e perfeitos, Vesper aqui, como a própria Green, faz questão de mostrar que podemos sim, ter BondGirls inteligentes, astutas e ao mesmo tempo tão belas de dar inveja.

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Mas, como todo BondFilme que se preze (bacana o trocadilho, né?), temos um BondVilão (olha o trocadilho aí de novo, minha gente). Para isso, somos apresentados ao ator (também novato na indústria cinematográfica) Mads Mikkelsen, conhecido por Meu Irmão Quer Se Matar (2002), Rei Arthur (2004), Depois do Casamento (2006), que personifica de forma convincente o vilão Le Chiffre, passando então a dar muitas dores de cabeça a James Bond ao longo da narrativa.

O filme é carregado de aventuras, cenas de ação e adrenalina. Ficamos realmente maravilhados ao testemunharmos a evolução de James Bond, tanto no que diz respeito a ser um agente 007, como também com relação às mulheres. Se depois ele irá vir a se tornar um agente astuto, rápido, que age com calma e perícia e ainda por cima um galanteador de primeira, passando cantadas nas musas para poder levá-las para a cama; aqui, notamos que nada disso nasceu com ele, e sim foi adquirido através de seus constantes erros e aprendizados.

O propósito do filme então é de introduzir todos os conceitos básicos do mundo de 007 para o telespectador. Até a famosa cena (na qual o agente caminha de um lado para outro com uma mira sob a perspectiva do telespectador, sendo que, de repente, Bond saca sua arma e atira, fazendo neste mesmo instante, sangue escorrer na tela, evidenciando a morte de um mau elemento que estava prestes a aniquilar Bond) é explicada de forma bastante aceitável.

O filme, além de conter cenas estonteantes de ação, com cenários de tirar o fôlego – palmas para a equipe de fotografia do filme, que não dormiu em serviço – também mostra que tiroteios, carros velozes, lutas e pancadaria não são fatores exclusivos para tornar um filme eletrizante. Prova disso é a cena principal do filme que se passa toda em uma mesa de pôquer. A tensão cresce a cada instante, e o diretor do longa, Martin Campbel, 007 Contra Goldeneye (1995), A Máscara do Zorro (1998), Limite Vertical (2000), Amor Sem Fronteiras (2003), A Lenda do Zorro (2005), foi hábil o bastante para passar tensão em algo que, para muitos, pode ser considerado como chato e cansativo. Porém acredite, até os que odeiam pôquer, não irão desgrudar os olhos da tela um minuto sequer, para saber o que acontecerá a seguir. Além disso, para os mais desinformados sobre tal esporte, durante as cenas, o ator Giancarlo Giannini explica para a mocinha as regras básicas do pôquer. Algo que servirá como um guia rápido para entendermos o que está se passando e aumentar ainda mais a tensão – palmas agora para o diretor pelo recurso usado.

Para concluir, o filme termina nada mais nada menos com umas das frases mais célebres e mais conhecidas do cinema: “Meu nome é Bond, James Bond”. Com isso, tem se então os créditos finais do filme que nos mostra de forma muito competente a origem de um dos personagens mais conhecidos e carismáticos do cinema mundial. É um prato cheio para quem é fã da franquia, e quem não for, com certeza irá se tornar.

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TRAILER

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