007 CONTRA SPECTRE (Crítica)

007 CONTRA SPECTRE

3estrelas

Por Elisabete Alexandre

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Mesmo arrecadando 41 milhões de libras (equivalente a mais ou menos R$ 244 milhões) durante a sua primeira semana em cartaz no Reino Unido, 007 contra Spectre está longe de ser o melhor filme da franquia, ele nem mesmo chega a ser o melhor dos que tem Daniel Craig no papel de James Bond.

Em Skyfall, vimos um avanço com relação ao repetitivo formato que são os filmes do agente com licença para matar, mais humano e, até posso arriscar a dizer, um pouco mais próximo da realidade, mas nesse novo longa ele volta a ser como nos que o fizeram famoso: distante, frio e com uma história mal contada que impede totalmente a identificação ou mesmo empatia com o personagem.

Em Spectre, Bond vai ter que ficar cara a cara com o seu passado, vilões de tramas anteriores formam uma teia que leva o agente ao líder de toda a corporação, vivido por Christoph Waltz, Oberhauser, que também tem uma história com o próprio Bond. Waltz faz uma bela atuação, o esperado depois de vê-lo na pele de personagens como Col. Hans Landa (Bastardos Inglórios) e Alan Cowan (Deus da Carnificina). Paralelamente, M (Ralph Fiennes, que também está em Skyfall) precisa lidar com o fim da corporação que mantém agentes como Bond cuidando da segurança do Reino Unido – e do mundo -, que será substituída pela tecnologia, drones e câmeras de vigilância.

Preciso admitir que houve um avanço na forma como as histórias de Bond vem sendo contadas desde o primeiro filme, em 1962, até agora, já somando Spectre, são 24 com o agente no papel principal, tornando 007 a franquia mais bem sucedida na história do cinema. Mesmo assim os avanços não foram longe o bastante, Bond continua sendo o machista misógino de sempre, e as Bond Girls seus adornos. Lucia, interpretada pela maravilhosa Monica Bellucci (Irreversível), é uma de suas conquistas nesse último filme, ela quase não tem falas, aprece apenas em duas cenas e logo é descartada. Léa Seydoux, que interpreta a personagem Madeleine Swann, filha de um dos inimigos de Bond, é mais presente na história e até de certa forma uma mulher forte e inteligente, mas que acaba caindo no clichê da bela jovem indefesa em perigo e que não resiste ao charme de James. Aliás, preciso dizer que eu ri – a única vez durante todo o filme, pois as únicas pessoas que riam das piadas sem graça que nele tinham eram homens de meia-idade que estavam na mesma sala de cinema que eu – na cena em que a personagem de Léa aparece correndo no deserto, se desviando de uma rajada de balas, usando um vestido super justo e sapatos de salto agulha 15cm. É relevante também ressaltar a diferença de idade entre Léa (30) e Craig (47), fortificando o preconceito que existe na indústria cinematográfica de que atrizes mais velhas não servem para papeis onde terão que aparecer em cenas, digamos, íntimas com outras pessoas, porque homem mais velho é sexy, já mulheres deixam de ser a partir de certa idade. Uma exceção que você talvez venha a mencionar, seria a própria Mônica Bellucci (51), mas como eu disse, ela mal aparece no filme, então não é argumento.

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Agora, falando da produção, Spectre, o filme mais caro da franquia (o orçamento foi de US$300 milhões), é previsivelmente de cair o queixo. São cenas incríveis de ação, perseguições com carros maravilhosos (curiosidade: o modelo do Aston Martin criado especialmente para esse filme, o DB 10, foi uma edição limitada de apenas 10 exemplares, sendo que 7 deles foram destruídos durante as filmagens), cenários surpreendentes, tudo registrado por uma ótima fotografia, também previsível, pois o responsável pela mesma foi Hoyte Van Hoytema, que já assinou trabalhos como Interstellar, O Lutador e Ela. Já sobre a história, como eu disse anteriormente, esse não é o melhor filme de 007, se compararmos com Skyfall, a história de Spectre deixa muito a desejar, mas é um bom fechamento para a saga de Craig como James Bond. No geral, 007 contra Spectre é um bom entretenimento, só que é mais do mesmo, não espere nenhuma novidade.

Fiquei pensando nos próximos filmes – com outro ator, claro, pois o contrato de Craig era para três filmes podendo ser estendido para um quarto, o que aconteceu -, mais de cinquenta anos se passaram, o mundo mudou bastante desde de 1962 e tende a mudar muito mais, então ou a fórmula de 007 também muda, trazendo mais humanidade ao personagem principal, verossimilhança, uma boa trama, personagens femininas que não estão lá apenas para deleite visual de héteros misóginos, tudo isso muito bem amarrado em um bom filme de ação (não venham dizer que não é possível, porque é, George Miller provou isso com louvor), afinal, muitas mulheres também gostam de um bom filme de ação, ou eu me faço a seguinte pergunta: será que precisamos de mais um 007? Acho que não.

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SINOPSE

Bond (Daniel Craig) terá que encarar o passado – como agente e antes disso – e lutar contra possivelmente o maior inimigo que já enfrentou: o líder de uma organização chamada Spectre. Ao mesmo tempo, M (Ralph Fiennes) tenta salvar a corporação que mantém os agentes com permissão para matar.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Sam Mendes” espaco=”br”]Sam Mendes[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: John Logan, Neal Purvis, Robert Wade e Jez Butterworth
Título Original: Spectre
Gênero: Ação/Aventura
Duração: 2h 28min
Ano de lançamento: 2015
Classificação etária: 14 Anos
Lançamento: 5 de novembro de 2015 (Brasil)

TRAILER

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