10 Segundos para Vencer (Crítica)

Kadu Silva

Uma bela homenagem

Éder Jofre é um dos boxeadores mais importantes do mundo e certamente o principal representante do esporte no Brasil, mas como seu auge foi há muitas décadas atrás, as novas gerações nem sabem quem foi esse grande atleta. Apaixonado pelo esporte, o roteirista Thomas Stavros (Polícia Federal: A Lei é para Todos) resolveu contar esse história e assim “10 Segundos para vencer” saiu do papel.

No filme conhecemos a trajetória de Éder, muito conhecido como “Galinho de Ouro”, desde sua infância no bairro do Peruche em São Paulo até seu apogeu em 1961 quando se consagrou campeão mundial nos Estados Unidos.

O roteiro de Stavros tem um dos principais problemas das cinebiografias nacionais, que é querer num longa mostrar toda uma vida da personagem central, isso fica mais problemático nesse filme, já que o roteiro é uma visão sobre a família Jofre e não somente do Éder. Alguns personagens se tornam subaproveitados na história (infelizmente). No entanto, o filme será transmitido na TV futuramente como minissérie e essa “falha” no desenvolvimento de alguns personagens devem ser equilibradas com as cenas extras.

10 Segundos para Vencer (Crítica)

Apesar desse problema em adaptar uma história de uma vida toda em duas horas, o diretor José Alvarenga Jr. (Divã), conseguiu chegar num resultado de alto requinte, com referências estéticas de Rocky – O Lutador e Touro Indomável. A condução de Alvarenga ressalta o talento de seu elenco, tanto é que Daniel de Oliveira (Aos Teus Olhos), Osmar Prado (Olga) e Ricardo Gelli (A Pedra da Serpente) brilham de uma forma impressionante, fazendo com que o filme vá além de uma simples homenagem a Éder Jofre, transformando-se num drama emocional de uma relação complexa entre pai e filho e a necessidade do boxe como sustento de uma família toda.

Além de conseguir esse resultado acima da média na condução dos atores, Alvarenga ainda se destaca nas cenas das lutas, sua câmera apresenta ângulos improváveis e ágeis para trazer a plateia o clima frenético das categorias em que Éder Jofre foi campeão (pena e galo), o resultado é tão impactante que você se pega torcendo pelo Éder ao assistir tais cenas.

Tecnicamente o filme é um primor, principalmente na direção de arte, figurinos e efeitos visuais, sim, diversos cenários foram feitos em pós-produção (digitalmente), porque não existe mais o local onde aconteceu a história real.

Para quem teve o privilegio de ver ou ouvir as lutas de Jofre, o filme é também uma espécie de volta no tempo, pois as cenas reais de arquivo, a narração da época e a vinheta da Atlântida usada na montagem podem levar os mais vividos a saborear a nostalgia de tempos atrás.

10 Segundos para Vencer é uma bela homenagem à família Jofre e uma produção sobre boxe de encher os olhos.

Pôster de divulgação: 10 Segundos para Vencer

Pôster de divulgação: 10 Segundos para Vencer

SINOPSE

Conhecido como “Galinho de Ouro”, por ter sido eleito o maior peso galo da história do boxe, Eder Jofre é considerado um dos maiores boxeadores de todos os tempos. Nem a infância difícil no bairro do Peruche, em São Paulo, conseguiu deter Eder, que se consagrou campeão mundial em 1961, nos Estados Unidos.

DIREÇÃO

José Alvarenga Jr. José Alvarenga Jr.

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Thomas Stavros
Título Original: 10 Segundos para Vencer
Gênero: Drama
Duração: 2h 00min
Classificação etária: 12 Anos
Lançamento: 27 de setembro de 2018 (Brasil)

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1 Comentário

  1. João Edegar Celedte

    Belíssimo filme! Excelente figurino e muito bem dirigido, sem falar no elenco,COM DESTAQUE PARA OSMAR PRADO, SIMPLESMENTE perfeito. No entanto o que me deixa perplexo é a falta de consideração com a nossa Cultura, e a nossa memória. DIGO ISSO, PORQUE FUI ASSISTIR O FILME TRÊS DIAS APÓS A SUA ESTREIA E TINHA APENAS CINCO PESSOAS NA SALA. NÃO VALORIZAMOS NOSSA ARTE, E DIFÍCIL ENTENDER PORQUE DAMOS IMPORTANCIA AOS A CINEMATOGRAFIA ESTRANGEIRA EM DETRimento DA NOSSA CULTURA.