12 ANOS DE ESCRAVIDÃO (Crítica)

12 anos de escravidao

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Por Jason

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O ano é 1841. Solomon era violinista, um homem livre, negro, que trabalhava para entreter os brancos e levava uma vida sossegada com sua esposa e seus dois filhos. A mulher recebe uma proposta de emprego de três semanas e decide ir, visando o dinheiro. Em contrapartida, ele recebe uma proposta em outra cidade, deixando Saratoga, Nova York, onde vivia livremente, e partindo para Washington. Os homens que o abordam oferecendo o emprego parecem amigáveis no começo, mas na verdade estão sequestrando-o para que ele seja vendido como escravo. Essa história aparentemente surreal e absurda é real e é o mote principal do excelente 12 Anos de Escravidão.

À época, os EUA já davam sinais de uma grande divisão entre os estados do Norte, mais desenvolvidos socialmente, economicamente e industrializados, e os estados do Sul, que ainda mantinham costumes aristocráticos, seus fazendeiros, capatazes e suas terras com plantações de algodão – uma sociedade economicamente mais atrasada e ainda baseada na escravidão, que só seria definitivamente encerrada em 1863, com a Proclamação de Emancipação de Abraham Lincoln, realizada durante a Guerra Civil Americana, deixando uma ferida histórica e uma vergonha na sociedade norte americana. Dito isso, o destino de Solomon foi igual ao de muitos negros do período: ele foi preso, espancado, humilhado, acorrentado e transportado para o sul em um navio para ser comercializado e vendido para trabalhar em uma dessas plantações.

A partir daí, ele precisa se virar como pode para sobreviver ao inferno. Aprende as regras dos capatazes – homem negro que tenta fugir é um homem morto -, não pode falar, não pode deixar que os outros saibam que ele sabe ler e escrever. Ao ser comprado por Ford (Benedict Cumberbatch), um pregador batista e dono de escravos, ele acaba se destacando dos demais, o que causa a revolta de John Tibeats (Paul Dano) que quase o mata tentando enforcá-lo. Acaba jurado de morte e por isso é repassado para o senhor Epps (Michael Fassbender) acreditando que será cuidado. Epps é um homem inescrupuloso, que maltrata não apenas os escravos mas sua própria mulher. Deseja Patsey (Lupita Nyong’o, uma das escravas jovens da fazenda), a estupra e é uma ameaça a vida de todos os negros que trabalham em sua plantação de algodão. Para o pobre Solomon, a liberdade só viria depois de muito sofrimento – após doze anos depois de trabalho de escravo – com a ajuda de um homem contrário à escravidão.

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Todo o elenco é bom, mas não é homogêneo (Brad Pitt não convence muito e a atriz que faz Eliza, a negra que foi separada dos filhos e discute com Salomon na fazenda de Ford, também não). O destaque fica com Chiwetel Ejiofor em grande caracterização, talvez um degrau abaixo das performances de Michael Fassbender e Lupita Nyong’o. Fassbender consegue transpor toda a piração do seu doente personagem. É desequilibrado e imprevisível e nunca se sabe qual será sua reação. Numa das cenas de grande impacto, sem conseguir surrar Patsey, ele obriga Solomon a fazer o serviço sujo. Já Lupita, apesar de pouco tempo em cena, se sobressai, trazendo a maior carga dramática da segunda parte do filme. Quando entra em cena, logo é agredida com uma garrafada na cara pela esposa de Epps e tem seu rosto desfigurado pelos castigos que sofre. A esposa de Epps, aliás, tenta de todo jeito fazer com que o homem se livre de Patsey, mas Epps mantém uma relação doentia com a menina. Patsey é humilhada de todas as formas, surrada nua até que suas costas sejam descarnadas – é a cena de maior sofrimento do filme e Lupita dá um show – e não vê outra saída para seu martírio a não ser tentar fazer com que Solomon acabe com sua dor e a mate. O filme inclui ainda Paul Giamatti e a pequena Quvenzhané Wallis, de Indomável Sonhadora, como filha de Solomon.

Alguns espectadores poderão reclamar do entra e sai de atores, do destino desconhecido de outros personagens que surgem, mas não se desenvolvem ou do final melodramático. O fato é que o drama vem colecionando indicações e já é apontado como favorito ao Oscar 2014 merecidamente. É baseado em fatos reais e na autobiografia de 1853, Twelve Years a Slave e é cru – há cenas de violência, de enforcamento, de nudez, estupro, chicotadas -, tudo seco e realista. Além da ótima adaptação para as telas, toda a reconstituição de época é ponto alto no filme. Figurino, fotografia, direção de arte, tudo funciona em favor da trama. A direção é segura (Steven McQueen, de Shame), mantém um tom reflexivo enquanto acompanhamos e torcemos para que Solomon ganhe novamente o direito de ser livre. Tamanho empenho da produção só poderia fazer, sem dúvidas, um dos melhores filmes que já existiu sobre essa mancha na história da humanidade chamada escravidão.

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SINOPSE

Esta história, baseada em fatos reais, apresenta Solomon Northup (Chiwetel Ejiofor), um escravo liberto que é sequestrado em 1841 e forçado por um proprietário de escravos (Michael Fassbender) a trabalhar em uma plantação na região de Louisiana, nos Estados Unidos. Ele é resgatado apenas doze anos mais tarde, por um advogado (Brad Pitt).

DIREÇÃO

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FICHA TÉCNICA

Roteiro: Steve McQueen
Título Original: 12 Years a Slave
Gênero: Drama
Duração: 2h 13min
Ano de lançamento: 2014
Classificação etária: 16 Anos

TRAILER

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