13 MINUTOS (Crítica)

Andressa Gomes

No dia 8 de novembro de 1939, o aeroporto de Munique foi fechado devido a uma forte neblina. Como consequência, Adolf Hitler teve que voltar para Berlim de trem. Ele estava na cidade para uma palestra que acontecia anualmente, no salão de uma cervejaria chamada Bürgerbräukeller, onde todos os membros fundadores do partido nazista confraternizavam. Por causa da neblina, Hitler começou seu discurso 30 minutos mais cedo do que o planejado, para não perder o trem noturno para Berlim, também deixando o local mais cedo, por volta das 21:07. As 21:20, a bomba programada por Johann George Elser, viria a explodir, matando 8 pessoas e ferindo mais de 60.

Cerca de meia hora antes da bomba ser detonada, Elser foi preso em Constança, na fronteira alemã com a Suíça, enquanto tentava entrar no país. A princípio os guardas suspeitaram que fosse um traficante, mas logo descobriram quer trazia consigo diversas notas sobre como fabricar explosivos, emblemas do grupo comunista Frente Vermelha de Lutadores, pedaços de metal e alicates. Quando a bomba detonou, os policiais logo entenderam o propósito de todo aquele conteúdo e o transferiram para Munique, onde, a princípio, negou qualquer envolvimento, mas depois, com diferentes provas aparecendo, confessou ter agido sozinho.

Depois de confessar o crime, ele foi levado para a sede da Agência de Segurança do Reich Alemão em Berlim, onde foi torturado pela Gestapo. Eles não acreditavam na possibilidade dele ter planejado e agido sozinho. Por isso, foi mantido preso por anos, até ser assassinado em abril de 1945 no Campo de Concentração de Dachau.

Ele trabalhava como carpinteiro, votava a favor do KPD (Partido Comunista Alemão), era cristão, defendia métodos pacíficos de protesto, e não era ligado a nenhuma conspiração estrangeira, como foi o caso de outras tentativas de assassinato contra Hitler, e pouco entendia de política externa. Como poderia um desconhecido, de família e educação simples, sem diploma, ter chegado tão perto de assassinar Hitler? Quem realmente era George Elser e de onde vinha tamanha coragem e motivação? Quais era seus valores? São questões como essa que o Filme 13 minutos aborda.

O roteiro, de forma inteligente, não explora o elemento de suspense, a respeito da explosão da bomba ou da prisão de Elser, logo nos primeiros minutos, esses eventos acontecem. A maior parte da história se passa durante o interrogatório a que ele é submetido depois de capturado. O filme contém uma série de flashbacks que interrompem momentos mais tensos do interrogatório e que narram sua vida, desde sua juventude até o momento de realizar essa ação extrema. Os flashbacks apresentam um panorama ao espectador, explicando de onde vem e como era sua vida.

O personagem Elser é bem construído até certo ponto. Fica claro p que mesmo com as melhorias econômicas, ele não se deixa levar pelo otimismo do estado populista de Hitler. Ele era, acima de tudo, defensor das liberdades e direitos individuais, e contra qualquer ideologia coletivista autoritária que cerceasse tais direitos e liberdades em prol de um “bem maior”. No momento em que o Nazismo e o Comunismo aparentavam ser as únicas opções, o personagem sente-se cada vez mais sufocado e frustrado com as mudanças que afetam a pequena área onde vive e o país como um todo.

O roteiro falha em alguns pontos. Não é bem executada a transição de um pacifista convicto para o assassino motivado. Nunca fica claro o que realmente provocou a mudança de posicionamento, ainda mais após seu amigo ser preso justamente por ser adepto aos métodos mais violentos de protesto. Além disso, é dada uma importância desnecessária a história de amor entre Elser e Elsa. Ainda que seja um recurso para humanizar o personagem, não poderia ser mais clichê enquanto subplot. O personagem Erich, marido de Elsa, extremamente unidimensional, desaparece de repente da trama. Também não são explicados os aparentes privilégios que Elser recebe quando está no campo de concentração.

O diretor Oliver Hirschbiegel, conhecido por Downfall (A queda- As últimas horas de Hitler), faz um bom trabalho fugindo de forçar recursos melodramáticos (enquadramentos, montagens, falas e trilhas sonoras) para provocar emoções no espectador, o que é constante em se tratando de grandes produções que tratam do holocausto e filmografias. As sequencias de tortura são gráficas e propositalmente longas e cruas na sua abordagem. O resultado é impactante. Hirschbiegel não torna a violência lúdica ou consumível diante do espectador, como Hollywood normalmente faz. Durante uma das sequencias, a secretaria presente durante o interregotario, se esforça para não escutar os gritos de dor de Elser,o que ilustra a atmosfera pesada da época, através do olhar dela.

O ator Christian Friedel (conhecido por seu trabalho em A fita branca) consegue construir um personagem complexo e carismático. Todo o elenco realiza ótimas performances, e está em sintonia. Cada plano é composto de forma cuidadosa, inteligente e simetricamente bela. A fotografia de Judith Kaufman compõe a nostalgia das sequencias de flashback com tons pasteis e cores quentes. O momento presente na sala de interrogatório e na cela, são compostos com uma palheta de cores frias. Algumas das transições entre sequencias são bem criativas, com sobreposição de imagens (planos) opostas em significado.

De um modo geral, 13 Minutos faz um bom trabalho e apesar das falhas no que concerne o roteiro, vale a pena pela iniciativa de relembrar uma figura pouco conhecida pelo mainstream, e deve agradar aos fãs e aficionados pela História da Segunda Guerra Mundial.

13 MINUTOS

SINOPSE

Uma biografia de Georg Elser, o homem que tentou matar Adolf Hitler. Em 8 de novembro de 1939, Elser implantou uma bomba atrás de um púlpito usado por Hitler, em Munique. Mas o Führer deixou o local mais cedo que o esperado, contrariando o plano que poderia ter evitado a Segunda Guerra Mundial.

DIREÇÃO

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FICHA TÉCNICA

Roteiro: Eric Heisserer
Título Original: Elser
Gênero: Drama
Duração: 1h 54min
Classificação etária: 14 Anos
Lançamento: 3 de novembro de 2016 (Brasil)

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