2001 – UMA ODISSÉIA NO ESPAÇO (Crítica)

2001 - UMA ODISSEIA NO ESPACO

A odisseia do homem

Praticamente tudo já foi contado, falado e interpretado sobre este que é um clássico absoluto do cinema e um dos filmes mais intrigantes de todos os tempos, o que faz com que qualquer crítica feita sobre ele acabe se tornando praticamente um feito inútil. “2001” é, com todos os méritos, um filme de muitas interpretações, cuja produção já rendeu inúmeros livros, infinitas análises, teses, estudos aprofundados, e onde cada espectador que o assiste entende de uma maneira diferente (e há aqueles que não entendem nada) porque não há explicações absolutas e conclusivas sobre ele.

Na época de sua estreia (Abril de 1968), não foi unanimidade de público e de crítica como se possa imaginar, já que ambos não o compreendiam. Basta saber que a década de 60 foi a época da corrida espacial e da Guerra Fria e o cinema de ficção, depois do boom da década de 50, com seus filmes de monstros e mutantes, entrava em estagnação. Poucos, mas bons títulos, se destacam — no começo da década de 60 seria lançado o clássico “A máquina do tempo”, em 1966, com “Alphaville” e “Farenheit 451”, além de “Viagem fantástica”, nenhum, como visto, com conteúdo de viagem espacial. Apenas no final dela, em 1968, o público e crítica se reconciliariam com o gênero no clássico absoluto “O planeta dos macacos”. A história do cinema não estava preparada para a visão sobre a humanidade e seu futuro do cineasta, o que resultaria em um filme à frente do seu tempo.

Devido ao poder alcançado pelo filme ao longo dos anos, muitas pessoas tem vergonha de criticá-lo por ser cerebral demais, um tanto arrastado, de narrativa por vezes desinteressante, ou conteúdo filosófico e final inconclusivo. Não é um filme fácil de acompanhar — e talvez daí resida seu fascínio. A montagem é propositalmente lenta, há ausência de diálogos em todo o prólogo e epílogo do filme. Tudo isso, de pontos negativos, é verdade. Porque, para o bem ou para mal, “2001” mexe com o espectador, seja positiva ou negativamente, e acredito ser essa a intenção de Kubrick desde o começo de sua concepção: Kubrick sempre foi provocativo com seus filmes, com seu intuito de desconfortar, de refletir, pensar, e fazê-lo embarcar em uma experiência sensorial.

O filme nasceu porque na primeira metade da década de 60, Stanley Kubrick estava determinado em fazer um filme de ficção científica e chegou a Arthur Clarke através de um funcionário da Columbia Pictures, Roger Caras. Ambos se encontraram pela primeira vez em Nova York em abril de 1964, e os dois começaram a discutir o projeto que tomaria dois anos de suas vidas. Kubrick desejava fazer um filme sobre a relação do Homem com o universo, e Clarke ofereceu à Kubrick seis de seus contos; Kubrick escolheu um deles —”The Sentinel”—como material base para seu filme. Clarke e Kubrick transformaram “The Sentinel” em um livro, e depois em um roteiro para “2001”. Dividido em quatro partes, o filme pode ser interpretado como uma viagem pela evolução do Homem, desde criatura primitiva até um ser superior.

Na primeira parte, “A Aurora do Homem”, um grupo de humanos primitivos semelhantes a macacos está procurando por comida e água num deserto. Há o perigo típico do mundo selvagem, um leopardo, que mata um dos membros, e uma tribo rival, que conquista com gritaria e gestos violentos, um poço de água. Os derrotados dormem em uma caverna e ao acordarem acham um monólito preto.

2001 - UMA ODISSEIA NO ESPACO03

Kubrick parece aqui nos dar a ideia de que o Homem era apenas um animal irracional e agressivo, completamente selvagem, e que seria assim através dos tempos até ser extinto por outra espécie mais forte e esperta (representada pelos felinos). Ele também filma a Terra como um ambiente estéril, tal qual a própria lua, o que dá uma ideia de que a vida, por si só, é um milagre de outro mundo.

Sem a ajuda de “algo” superior, sua inteligência não se desenvolveria e ele não daria o seu salto evolutivo — ideias defendidas também em 1968 no livro “Eram os deuses astronautas?”, do suíço Erich von Däniken, em que o autor teoriza a possibilidade das antigas civilizações terrestres serem resultados de alienígenas (ou “astronautas”) que para as épocas remotas teriam se deslocado. O monólito então serve de diversas interpretações: numa análise mais científica, ele seria uma entidade alienígena, um objeto que viaja por planetas abrindo portas para o conhecimento e para a evolução, como um cientista que escolhe as espécies mais aptas a se desenvolverem (e seu formato é o de uma porta, recordemos, que se “abre” para um novo caminho). O Homem seria, assim, uma “experiência científica” cuja sabedoria seriam de origem desconhecida.

Em contrapartida, em uma visão divina, o monólito seria a representação do próprio Deus: não bastasse, Kubrick enquadra o sol e a lua sobre o monólito, como se o primeiro formasse uma “aura” sobre o objeto. Vale lembrar que o sol e a lua são cultuados desde tempos remotos, seja em culturas Maia ou Asteca, seja na cultura egípcia. Nesta, o sol, por exemplo, era o Deus Rá — o criador de todas as formas de vida existentes — e a lua era Toth — deusa do conhecimento e da sabedoria. Essa imagem se repetirá, de certa forma, quando o monólito for novamente encontrado na lua por uma missão espacial, trocando um dos astros pela própria Terra, então já semeada de conhecimento.

Os macacos vão até o monólito e o tocam, despertando para um tipo de transe, como se libertassem da ignorância total para o conhecimento e a sabedoria, ou seja, abrindo a “porta”. Pouco tempo depois, um dos macacos percebe que ele pode usar um osso tanto como uma ferramenta quanto como uma arma. Kubrick parece nos dizer que, a partir do momento em que o homem adquiriu seu conhecimento para construir — uma ferramenta — ele trouxe consigo a possibilidade de destruição — uma arma.

A guerra é, assim, algo que está vinculado ao início do homem como ser “pensante”, e que permearia toda a sua existência, devido a sua natureza predominantemente selvagem e sua sensação de domínio, e de poder, sobre as outras espécies adquiridas no passado. É o clima de Guerra, a Guerra Fria, predominante na década de 60, que vai permear parte da segunda etapa do filme, na conversa que se dá na estação espacial, antes da partida para a Lua, entre americanos e russos.

Nessa segunda parte também veremos o enquadramento de uma caneta flutuando no ar, tal qual o osso que fez a transição de milhões de anos. A caneta representa, assim, um salto evolutivo para o homem, onde a força bruta ainda existe (a sombra da guerra), mas esta é reduzida a outros interesses mais importantes para o ser humano (a conquista espacial) para que ele seja uma “unidade” (ou, uma “tribo”, como era na pré-história).

Entra em cena o personagem Dr Floyd (William Sylvester). A missão dele é investigar um artefato recémencontrado — chamado de Anomalia Magnética Tycho Um (AMT-1) — que foi enterrado na lua quatro milhões de anos atrás. Floyd e outros vão até o artefato, um monólito preto idêntico àquele encontrado pelos macacos. Os visitantes examinam o monólito, repetindo gestos dos macacos no passado, e posam para uma foto na frente dele. O monólito parece então “reagir” à presença humana no local, emitindo o que mais tarde será entendido como um sinal de rádio em direção a Júpiter.

Na terceira parte, em que o Homem foi lançado a caminho de Júpiter na nave Discovery, vemos o Dr. David Bowman (Keir Dullea), o Dr. Frank Poole (Gary Lockwood), e outros três cientistas em hibernação criogênica. “Hal” é o computador (HAL 9000) da nave, que comanda a maioria das operações da Discovery. Hal pode ser entendido como uma representação do orgulho humano, porque se diz “infalível e incapaz de erro”. É também a representação do triunfo da inteligência humana, mas, como o Homem que o criou, possui defeitos. Kubrick faz aqui uma metáfora sobre o desenvolvimento humano. Mudaram-se as ferramentas (o Homem trocou as pedras e os ossos pelas máquinas), mudaram suas origens (agora é o Homem o papel de criador), mas os problemas são os mesmos que o Homem enfrenta desde quando era aquele ser primitivo — Hal assassina a tripulação, criando uma espécie de guerra (mais uma vez) entre homem e máquina, uma nova disputa pelo “poço d’água” como visto no começo do filme, com a diferença que aqui é a criatura contra o seu criador.

HAL também pode ser entendido como uma espécie de “Ciclope” e não a toa, Kubrick salienta closes em seu olho vermelho: os ciclopes, só para ratificar, na mitologia grega, eram vistos como gigantes imortais, que trabalhavam forjando os raios e relâmpagos de Zeus para punir os homens (HAL puniria os homens com a morte por eles ameaçarem a missão a qual foi designado?). Reza a lenda que o computador HAL originalmente receberia o nome de “Atena”, para salientar ainda mais a associação com a mitologia grega e o triunfo do conhecimento e da sabedoria humana (Atena era a deusa grega da sabedoria), com uma voz e personalidade feminina, sendo substituído mais próximo da produção.

2001 - UMA ODISSEIA NO ESPACO02

Em outra interpretação, HAL pode ser tido como o “olho que tudo vê” ou “Olho da providência”. Esse símbolo costuma ser interpretado como “olho de Deus” observando as ações dos seres humanos (e não é isso que HAL faz dentro da nave?) e que também aparece como parte da iconografia da Maçonaria (que é uma sociedade fraternal que admite todo homem livre e de bons costumes, sem distinção de raça, religião, ideário político ou posição social. Suas principais exigências são que o candidato acredite em um princípio criador, tenha boa índole, respeite a família, possua um espírito filantrópico e o firme propósito de tratar sempre de buscar a… perfeição — “infalível e incapaz de erros”, como o próprio computador se diz). Paremos por aqui.

Em uma parte interessante do filme, quando está prestes a ser desconectado, Hal começa a demonstrar medo — o mesmo medo de “morrer”, notemos, que aflige os seres humanos, e que mais tarde seria tema de outra produção clássica do gênero envolvendo maquinas e humanos, “Blade Runner”, de Ridley Scott, em 1982. O paralelo entre o desenvolvimento do homem e da máquina é evidente nessa parte do filme: o Homem criou algo tão poderoso e com tanta emoção quanto ele. Ele atingiu o seu ápice de desenvolvimento, mas ainda assim, é um ser frágil e dependente, que precisa ir além, em sua eterna busca por evoluir.

Uma curiosidade: ao se adicionar uma letra a mais no alfabeto ao nome HAL, temos a sigla IBM. Vale um parêntese: a IBM é a maior empresa da área de Tecnologia de Informação do mundo, foi criada no final do século XIX e em 2009 foi eleita como a segunda empresa mais valiosa do planeta. Não dá para imaginar que a mensagem do domínio das máquinas e a dependência total do ser humano para com elas (HAL comanda toda a nave, recordemos) não tenha sido colocada no filme propositalmente. HAL diz em uma cena que foi construído em Urbana Illinois e canta a música “Daisy Bell”. Na vida real o primeiro computador a ter sintetizador de voz foi o “IBM 704”, construído em 1962 no centro de pesquisa Langley, em Urbana Illinois. E a primeira música que ele cantou numa demonstração foi justamente “Daisy Bell” — e Kubrick e Clarke, aqui, foram visionários, em embutir essa relação de dependência entre homem e máquina, já que hoje vivemos completamente delas tanto no trabalho quanto na vida pessoal.

Quando HAL é finalmente desconectado, um vídeo pré-gravado por Floyd se inicia. Nele, ele revela a existência dos monólitos, pelo qual Bowman partirá em sua direção e para a quarta e última parte do filme. Ao se aproximar do monólito, Bowman é sugado para um túnel de luzes coloridas.

Essa parte é a mais intrigante do filme, porque existem várias interpretações para esta sequência: uma delas diz respeito à criação da vida em um útero materno. A nave Discovery, por exemplo, tem um formato de um grande falo e ejeta pela cabine a cápsula como se a “ejaculasse”. David entra por uma fenda e, dentre as várias imagens fluidas que também lembram galáxias sendo criadas, há sequências que mais parecem ter sido filmadas dentro de um corpo feminino. Na outra linha de raciocínio, Bowman foi sugado por uma espécie de portal interdimensional, saindo do universo em que se conhece e caminhando em direção a um lugar desconhecido, onde estaria “Deus” ou essa entidade alienígena — o monólito — que semeou o conhecimento na Terra e ensinou os caminhos (da Terra para a lua e assim para Júpiter) para que o Homem, sua cria mais perfeita, chegasse até ele. Essa ideia seria trabalhada de maneira parecida também no filme “Contato, de 1998”, baseado no livro de Carl Sagan, quando a personagem Eleanor, de Jodie Foster, “viaja” dentro de uma máquina para encontrar vida extraterrestre em outro planeta e acaba encontrando algo muito diferente do que esperava. De toda forma, o resultado dessa viagem em “2001” é um encontro consigo mesmo dentro de um quarto com aspecto renascentista.

O astronauta é mostrado envelhecendo, dentro desse quarto. O renascentismo trouxe o homem para o centro do universo, um ser mutante, imortal em sua essência, autônomo, livre, criativo e poderoso. Tudo o que Kubrick resume dentro da sequência no quarto. Mas um monólito preto aparece diante do astronauta, e Bowman tenta tocá-lo assim como fizeram seus antepassados, transformando-se então num feto envolto em uma bola luminosa, sobre a cama. O Bowman humano morreu, para evoluir e renascer em um ser supremo.

No campo da técnica, porém, o fato é que tudo em “2001” é grandioso e orgânico. Até as naves espaciais foram pensadas por cientistas e estudiosos da época, com o que se tinha de melhor em tecnologia de efeitos especiais. Kubrick também respeitou conceitos básicos físicos (como o anel giratório da nave em que o astronauta se exercita, que serviria de gerador artificial para a gravidade da espaçonave, por exemplo, ou a ausência de som nas tomadas vistas externamente as espaçonaves, já que o som não se propaga no vácuo). Os efeitos especiais foram agraciados com um Oscar (o filme ainda concorreu a mais três, melhor diretor, melhor roteiro, melhor direção de arte e cenários), e ainda hoje parecem bonitos, bem elaborados, e consistentes, numa era em que a computação não existia e os diretores precisavam se valer de truques de câmera. O mesmo vale para seus efeitos sonoros e som, que são tão importantes para o filme quanto o que se vê na tela em forma de imagens.

A transposição da primeira etapa da aurora do homem para a segunda parte, por exemplo, se reflete no som do filme: ela é feita de uma música que é vibrante: “Assim falou Zaratustra”, a sinfonia de Richard Strauss, inspirada no tratado filosófico de mesmo nome, escrito por Friedrich Nietzsche em 1883. No livro, aliás, há referências ao Zoroastrismo, que deixaram traços para outras religiões com o passar dos anos (como a ideia de imortalidade da alma e a vinda de um messias que mudaria a humanidade, bem como sua evolução filosófica e existencial, ideias relacionadas, por exemplo, ao final do filme). A mudança para uma sublime valsa espacial, “Danúbio Azul”, de Johann Strauss II, espelha o balé de naves espaciais ao redor da Terra, em sequências já antológicas.

Mais tarde, tanto essas sequências de imagens quanto os conceitos do filme em si inspirariam outras produções cinematográficas, games, livros e uma infinidade de mídias. A década de 60 daria impulso às produções diversificadas dos anos 70 no campo de ficção (“Laranja Mecânica”, do próprio Kubrick, “Alien”, “Star Wars”, “Star Trek”, “Solaris”, as sequências de “O planeta dos Macacos”, “Mad Max”…) e cineastas se inspirariam no trabalho de Kubrick e em sua carreira, fazendo de 2001 um divisor de águas.

Suas influências mais marcantes podem ser vistas como na (desnecessária) sequência cinematográfica, “2010, o ano em que faremos contato”, passando pela hexalogia espacial “Guerra nas estrelas”, filmes da série “Alien” (o computador central, “mãe”, do primeiro filme, pode ser entendido como uma versão feminina de HAL 9000, capaz de sacrificar seus passageiros e manter sua missão em prol da entidade biológica descoberta), na musicalidade da cena das naves em “Contatos Imediatos de Terceiro Grau” e filmes como “Planeta Vermelho”, “Apollo 13” ou “Missão Marte” (aqui há até uma reprodução de um balé espacial envolvendo uma nave e a ideia de que o homem é fruto de uma criatura alienígena superior); chegando ainda a produções de desenhos como “Wall-E”, “Titan A.E.”, e games como “Metal Gear Solid” e “Dead Space” (o personagem principal aqui se chama Isaac Clarke, numa referencia a Isaac Asimov e Arthur Clarke, e a trama gira em torno de um objeto como o monólito encontrado em um planeta distante).

Tudo descrito aqui são apenas interpretações. Não há nada “conclusivo” em “2001 – Uma odisseia no espaço” porque é impossível entender e explicar completamente o que é inexplicável. O livro de Clarke, é claro, nos revela mais sobre o filme (mais até do que seria necessário e preciso). Mas Kubrick criou um marco cinematográfico superior a sua base escrita e foi além até daquilo que até mesmo ele esperava fazer. Diferente de diretores que hoje em dia criam filmes tolos esquecíveis e são chamados de gênios, o poder de seu filme permanece intacto através de cinco gerações. Como Kubrick pretendia, o filme é uma experiência visual e auditiva. E como tal, deve ser sentido, não compreendido. Todo esse conjunto de fatores, de inspirações posteriores e de interpretações acerca do filme, ajudou a manter vivo o fascínio que o filme exerce até hoje — e que vai exercer ainda mais, quando as previsões de 2001, quem sabe, se transformarem em realidade e o homem conquistar o espaço e fazer as pazes com sua própria história. Quando o homem, finalmente, evoluir.

SINOPSE

Desde a “Aurora do Homem” (a pré-história), um misterioso monolito negro parece emitir sinais de outra civilização interferindo no nosso planeta. Quatro milhões de anos depois, no século XXI, uma equipe de astronautas liderados pelo experiente David Bowman (Keir Dullea) e Frank Poole (Gary Lockwood) é enviada à Júpiter para investigar o enigmático monolito na nave Discovery, totalmente controlada pelo computador HAL 9000. Entretanto, no meio da viagem HAL entra em pane e tenta assumir o controle da nave, eliminando um a um os tripulantes.

2001 - UMA ODISSEIA NO ESPACO01

FICHA TÉCNICA

Título Original: 2001 : A Space Odyssey
Ano do lançamento: 1968
Produção: Reino Unido, EUA
Gênero: Ficção científica
Direção: Stanley Kubrick
Roteiro: Arthur C. Clarke, Stanley Kubrick

PRÊMIOS

OSCAR
Ganhou: Efeitos Visuais

Indicações: Direção de Arte, Roteiro Original e Direção

DIRECTORS GUILD OF AMERICA
Indicado: Direção

TRAILER

5estrelas

Comente pelo Facebook