3% | 1ª Temporada (Crítica)

Matheus Souza

Há meses que 3% havia deixado todos no aguardo. Desde seu anúncio a série se tornou “o bebê” esperado por seriadores e amantes da Netflix. Dois aspectos tornaram a série tão esperada, o fato de ser a primeira produção nacional da empresa que conquistou o coração do Brasil e sua temática. Seu “parto” foi aguardado pacientemente, acompanhamos todos os estágios dessa gestação: as primeiras notícias, fotos, teasers, data de estreia, trailer… E enfim ela chegou.

A distopia acompanha candidatos d’O Processo, um esquema de seleção social que dá base a sociedade, destinando a qualidade de vida que cada cidadão irá ter. O mecanismo de seleção permite apenas 3% dos candidatos chegarem ao Mar Alto – local para onde os “vencedores” vivem com riqueza, tecnologia e livre dos problemas do Continente.

A série decide mostrar um pequeno grupo de candidatos, que vai sendo gradualmente reduzido com o passar de cada teste. Conhece-se a personalidade, motivação e passado de cada um no decorrer dos episódios, e se utilizando da artimanha de gerar um vínculo audiência-personagens, o público é instigado a torcer e odiar cada candidato, além de se reconhecer por meio dos sentimentos deles, como a ansiedade, pressão e frustração.

A produção até se esforça em conseguir uma pegada de experimento social, seja pela sociedade criada ou por mostrar o pior que há em nós, o que até chega a funcionar no episódio 4, em que vemos uma clara alusão a uma espécie de seleção natural. O lado clichê do enredo e a falta de originalidade da série, aproximam-na mais de uma mistura de Big Brother com Jogos Vorazes do que a uma distopia mais ousada.

Entre os pontos positivos da série, está a facilidade com que consegue criar um afeiçoamento gradativo aos personagens (a parte deles, pelo menos), por sorte os mais chatos ou de personalidades pouco expressivas vão sendo eliminados. Uma das ironias da série está na facilidade com que o público consegue torcer pelos anti-heróis, e ficar indiferente aos mocinhos (tão pouco carismáticos), que acabam ficando apagados.

A atuação da maioria é “satisfatória”, embora, em breves momentos, a capacidade expressiva de alguns deixe a desejar. Destaca-se a pequena participação da atriz Mel Fronckowiak que traz de forma efetiva um lado dramático a série.

A caracterização futurística é competente e funcional. Foi criado um futuro até relativamente simples tecnologicamente, comparado a outras produções de ficção-científica, o que possivelmente se deu a limitações de orçamento. A trilha sonora acerta em alguns momentos e peca em outros, a fotografia é muito boa.

De forma geral, a série é rica em clichês e pouco inovadora quanto ao seu gênero, está abaixo dos parâmetros do que somos acostumados a ver em outras produções da consagrada Netflix, porém não há como desmerecer o pontapé inicial para a saída da zona de conforto da teledramaturgia brasileira. A série pode não ser perfeita, mas merece sim ser assistida por seus pontos positivos, pelo pequeno marco que representa e por ser um bom entretenimento.

3porcentro2

FICHA TÉCNICA

Criadores: Cesar Charlone, Pedro Aguilera (2016)
Elenco: Bianca Comparato, João Miguel, Michel Gomes, Viviane Porto, Zezé Motta…
País: Brasil
Gênero: Drama, Ficção científica
Classificação: 16 anos
Número de episódios: 8
Ano: 2016

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1 Comentário

  1. Dudu

    Série muito ruim. Tudo do mesmo.