300: A ASCENSÃO DO IMPÉRIO (Crítica)

300 A Ascensao do Imperio

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Por Pedro Vieira

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Embora se diga baseado na (ainda não lançada) graphic novel “Xerxes” de Frank Miller, que narra acontecimentos anteriores a “Os 300 de Esparta”, o novo “300: A Ascensão do Império” (300: Rise of an Empire) pouco tem prelúdio e quase nada do rei persa vivido por Rodrigo Santoro e que dá título à história em quadrinhos. Na verdade, a narrativa mostra uma trama paralela ao longa original, deixando de lado Leonidas e seus 300 homens, para focar no empenho do grego Temístocles (Sullivan Stapleton) em reunir as forças gregas para combater a invasão persa.

Misturando elementos históricos e fictícios – o embate entre os persas e os gregos do filme ficou conhecido nos livros como “A Batalha de Salamina” – a aventura pretende focar mais nas batalhas aquáticas, do que nas lutas em terra firme. E isso é uma alegria para aqueles que gostam de ação, pois o filme tem muito mais disso a mostrar do que história para contar.

São várias e várias sequências de brigas envolvendo espadas, arcos e flechas, e cheias de performances em slow-motion, que trazem certa sensação de dramaticidade pouco eficaz. É tanta luta que chega a cansar, e embora bem coordenadas, não é difícil se perder no meio dessas cenas, pois uma hora ou outra, todos os envolvidos parecem ser a mesma pessoa, já que possuem tipo físico idêntico e as mesmas roupas, sem nenhum elemento que os diferenciem no meio da matança.

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É um filme muito carregado de efeitos visuais. Todos os cenários são construídos assim, o que acaba tornando tudo extremamente artificial, mesmo que bem acabado. A iluminação muito forte e irritante também não ajuda. É o reino absoluto do CGI e do excesso de poeira – porque parece que poeira falsa flutuando na tela em praticamente todas as cenas vai fazer o cenário parecer mais real – cheio de sangue inverossímil em computação gráfica que voa na direção do espectador por causa do 3D.

Enquanto as lutas chamam bastante atenção, a história em si não tem nada de maravilhoso. Nem um dos personagens tem profundidade ou são realmente marcantes, sendo que o roteiro chega até mesmo esquecer-se de alguns deles conforme a narrativa progride – como a trama do pai e do filho, que fica sem uma conclusão real. Quem se salva são o protagonista Temístocles e a vilã Artemísia (Eva Green), que aliás estão muito bem interpretados. Detalhe para a essa última personagem que chama bastante a atenção por se mostrar como uma mulher que consegue manter o comando diante de vários homens. Embora o filme tenha Lena Hedley reprisando o papel de Rainha Gorgo, é mesmo a personagem de Green quem domina o filme. Ela é de longe a mais carismática – apesar de protagonizar algumas cenas constrangedoras, como quando beija uma cabeça decepada – além de um alívio feminino em meio a um universo cheio de testosterona.

Se o filme peca pela narrativa, ele pelos menos entrega aquilo do qual se propôs a fazer: entretenimento barato em forma de ação sem limites, com um 3D eficaz na hora de fazer sangue, cabeças e outros membros saírem para fora da tela. Basicamente o tipo de filme que muitos irão odiar, mas que vai encontrar seu público, uma vez que ainda há quem esteja mais interessado em pancadaria ao invés de uma produção que consiga mesclar uma boa história com os elementos de ação.

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SINOPSE

Após a morte do pai, Xerxes (Rodrigo Santoro) dá início a uma jornada de vingança e ruma em direção à Grécia, com seu exército sendo liderado por Artemisia (Eva Green). Enquanto os 300 espartanos liderados por Leonidas tantam combater o Deus-Rei, os exércitos do resto da Grécia se unem para uma batalha com as tropas de Artemisia no mar. Themistocles (Sullivan Stapleton) é o responsável por liderar os gregos.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Noam Murro” espaco=”br”]Noam Murro[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Frank Miller, Kurt Johnstadt e Zack Snyder
Título Original: 300: Rise of an Empire
Gênero: Ação
Duração: 1h 42min
Ano de lançamento: 2014
Classificação etária: 16 Anos

TRAILER

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2 Comentários

  1. Bruno

    Estou ansioso por este filme, promete ser um dos melhores do ano, a critica foi muito clara e profunda, me deixou ainda mais curioso para ver se realmente deixará à desejar.

    • Felipe

      Concordo meu caro Bruno, acho que são pontos de vista, claro, falo aqui por mim, que todos gostamos de um bom roteiro, mas as vezes gostamos e queremos apenas um filme de ação sem um roteiro bonito e enrolado, eu não vou ao cinema amanhã esperando para ver uma coisa bela e um enredo grandioso, eu quero ver é ação e isso tem de sobra pelo jeito.
      Deixemos um belo roteiro para um próximo filme, um que exija menos ação, entusiamo e testosterona de seus telespectadores! Rs.
      Esperando por amanhã.