360 (Crítica)

360

3estrelas

FICHA TÉCNICA

Título Original: 360
Ano do lançamento: 2012
Produção: Áustria, Brasil, França, Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte
Gênero: Romance, Drama
Direção: Fernando Meirelles
Roteiro: Peter Morgan

Sinopse: Inspirado em “La Ronde”, clássica peça de Arthur Schnitzler, 360 é uma reunião de histórias dinâmicas e modernas, passadas em diversas partes do mundo. Dirigido por Fernando Meirelles, filme começa em Veneza e passa por Paris, Londres, Rio de Janeiro, Bratislava, Denver e Phoenix. O elenco conta com as presenças de Rachel Weisz, Anthony Hopkins, Maria Flor, Jude Law e Ben Foster.

Por Kadu Silva

De pouco impacto, ainda assim envolvente

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Talvez somente José Padilha aqui no Brasil consiga tirar de Fernando Meirelles a fama de diretor capaz de causar grande expectativa do público sobre seus futuros lançamentos. Meirelles conseguiu tal status pelo seu pequeno mais competente currículo que inclui obras como Cidade de Deus, O Jardineiro Fiel e Ensaio sobre a cegueira, que dão para o diretor um know hall de peso tanto aqui como fora do país.

Seu novo longa 360 como bem diz o titulo é uma virada sobre relações humanas tendo como linha narrativa o sexo e suas complexidades. O longa-metragem se mostra bem competente, mas tem em seu roteiro a baixa, deixando em falta elementos que conquiste o público.

Na trama inspirada na peça “La Ronde”, conhecemos uma reunião de histórias sobre as relações modernas dos seres humanos, e como a “vida” pode unir as pessoas das mais diferentes personalidades, ou seja é um panorama de como o “destino” pode dar uma virada de 360 graus transformando a vida para o bem ou para o mal o indivíduo na civilização moderna.

O roteiro é de Peter Morgan bem conhecido por outros bons trabalhos como A Rainha e O último rei da Escócia. Morgan como bem disse Meirelles foi o principal responsável pela existência do filme. Mesmo com todo esse envolvimento o roteiro do longa é o grande problema do filme que por apresentar multi-histórias não consegue dar para cada uma delas a devida atenção que é necessária, o que tira o impacto necessário e o envolvimento do público para a trama e seus personagens.

A estrutura do roteiro dificulta bastante, tanta na direção como na montagem, pois fica difícil não ocorrer as “baixas” no ritmo narrativo, pois ocorre que cada vez que o espectador começa a se identificar com o personagem e se envolver pelo seus problemas ocorre um novo foco em uma história diferente, mesmo que em vários momentos exista uma interligação entre elas, a formula acaba não sendo capaz de causar identificação.

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Meirelles é craque e mesmo com esse roteiro falho consegue se destacar em sua direção com várias angulações diferentes e a ótima criatividade em cena. Pela primeira vez usa o tom mais intimista para desenvolver a trama e mostrando que seu leque criativo ainda vai nos render grandes filmes.

E como já havia feito em outras oportunidades, Meirelles chama o sensacional editor Daniel Rezende para realizar a montagem que também chama atenção pela moderna forma que é feita a interligação das histórias. Mais um show de Rezende.

Outro destaque fica a cargo da direção de arte que foi super competente em escolher locações incríveis para a trama. As histórias tem como cenários cidades como Viena, Paris, Londres, Bratislava, Denver e Phoenix. E a fotografia (que não consegui descobrir quem assina) aproveita muito esses lindos locais para dar o tom belo e muitas vezes também melancólico para o longa com filtros e contraste perfeitos.

E para concluir tem o grande e competente elenco. Todos estão excelentes e como bem sabe fazer, Meirelles consegue dar espaço bem definido para cada um deles. Fica até difícil destacar algum, mas Anthony Hopkins brilha porque como ele declarou é o papel que retrata um pouco de sua vida real. Seu depoimento em um dado momento do longa sobre a sua luta para se manter sóbrio diante da dependência do álcool foi tirado do coração.

Portanto esse bom filme de Fernando Meirelles, vale a pena ser conferido, mesmo tendo talvez o seu mais baixo impacto diante do espectador, o resultado final agrada e faz pensar.

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TRAILER

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