7 Dias em Entebbe (Crítica)

Kadu Silva

Um olhar plural

Existem histórias reais que parecem ter sido tiradas de um roteiro cinematográfico, tanto é que elas em geral sempre acabam de fato se tornando um longa. O sequestro de Entebbe é um desses.

Antes de qualquer coisa é importante situar os fatos – em julho de 1976, um voo da Air France saído de Tel-Aviv com destino a Paris foi sequestrado e forçado a pousar em Entebbe, na Uganda. Os passageiros judeus foram mantidos reféns para forçar uma negociação, que buscava libertar terroristas e anarquistas presos em Israel, Alemanha e Suécia, o então governo de Israel resolveu se arriscar e libertar os reféns no campo de pouso onde eles estavam mantidos. A ação foi considerada por muitos, impossível de ter um bom êxito.

O roteiro de Gregory Burke (71: Esquecido em Belfast) tem como objetivo humanizar os sequestrados e mostrar todos os lados envolvidos na ação, uma característica comum das obras de José Padilha (Tropa de Elite), e isso é feito de perfeição, o grande problema é que o filme é muito verborrágico e pautado em assuntos de pouco interesse popular, que não chega a ser um demérito, mas acaba limitando o envolvimento pela história.

7 Dias em Entebbe (Crítica)

Além disso, para o público brasileiro, o acontecimento é tão distante de nossa realidade, que o único chamariz é o fato de ter um diretor brasileiro no comando. Obviamente, quem gosta de história e de aprofundar detalhes pouco revelados sobre um fato histórico, pode ver no filme uma chance de entender não só o lado político da história, mas também as motivações dos sequestradores diante dos fatos.

Tecnicamente como é comum nas obras de José Padilha, o filme é brilhante, com Lula Carvalho (Tropa de Elite) na fotografia e Daniel Rezende (Cidade de Deus) na montagem, o longa é de encher os olhos, não só pelo trabalho magistral desses profissionais brasileiro, mas sim pela escolha inteligente e usar o baile de Israel criado por Ohad Naharin para criar uma metáfora do conflito entre Israel e a palestina, o principal combustível de todo o fato. O ritmo intenso do baile acaba se tornando fundamental para equilibrar o filme que pouco usa da ação durante seu desenrolar.

Apesar de não ter nenhum nome que se destaque, o elenco todo está ótimo em seus papeis, conseguindo a empatia necessária para que fique claro que entre os dois lados não existe vilões ou mocinhos, todos têm suas paixões e motivações e todos acabam em algum momento cometendo excessos e decisões equivocadas.

7 Dias em Entebbe é um filme tecnicamente impecável e importante para conhecer um pouco mais dos fatos apresentados, mas sem grande apelo popular.

Pôster de divulgação: 7 Dias em Entebbe

Pôster de divulgação: 7 Dias em Entebbe

SINOPSE

Em julho de 1976, um voo da Air France de Tel-Aviv à Paris foi sequestrado e forçado a pousar em Entebbe, na Uganda. Os passageiros judeus foram mantidos reféns para ser negociada a liberação dos terroristas e anarquistas palestinos presos em Israel, na Alemanha e na Suécia. Sob pressão, o governo israelita decidiu organizar uma operação de resgate atacar o campo de pouso e soltar os reféns.

DIREÇÃO

José Padilha José Padilha

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Gregory Burke
Título Original: 7 Days In Entebbe
Gênero: Suspense
Duração: 1h 47min
Classificação etária: 14 Anos
Lançamento: 19 de abril de 2018 (Brasil)

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