7 momentos empoderadores do Globo de Ouro 2019

Emílio Faustino

Discursos que deram voz ao empoderamento feminino e a representatividade negra e LGBTQ deram o tom do Globo de Ouro 2019 que aconteceu neste domingo (6) em Beverly Hills.

A premiação do Globo de Ouro para filmes e séries, realizada pela Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood, foi apresentada pelos atores Sandra Oh e Andy Samberg e contou também com discurso contra o abuso sexual que acontece nos bastidores de Hollywood e a xenofobia endossada pelo presidente Donald Trump.

Entre os premiados da noite o destaque ficou para a trama que conta a história de uma amizade inusitada entre um negro e um um branco na década de 70 em plena segregação racial. “Green Book – O guia” levou 3 Globos de Ouro para a casa.

No campo LGBT, o filme “Bohemian Rhapsody”, venceu nas categorias melhor filme e melhor ator. Já o filme “A Favorita” que conta a história de um triângulo sexual lésbico foi premiado na categoria melhor atriz coadjuvante reconhecendo o talento inquestionável de Olivia Colman.

Confira agora 5 momentos empoderadores durante a entrega dos premio :

1- A apresentadora Sandra Oh discursa contra a xenofobia

Sandra Oh foi a primeira asiática a ser apresentadora no Globo de Ouro. Em seu discurso a atriz enalteceu a diversidade étnica da plateia.

“Eu disse sim ao medo de estar neste palco esta noite porque eu queria estar aqui para olhar para este público e testemunhar esse momento de mudança. Eu não estou me enganando. O ano que vem pode ser diferente. Provavelmente será, mas agora, este momento é real. Confie em mim: isso é real, porque eu vejo você. E eu vejo você. Todos esses rostos de mudança. E agora, assim como todos os outros”, concluiu emocionada a apresentadora.

2 – Primeiro herói negro a ganhar um Globo de Ouro

Contrariando toda expetativa dos fãs que lotaram os cinemas, mesmo com todo apelo popular e a tão importante representatividade, o filme “Pantera Negra” não levou nenhuma das três estatuetas das quais foi indicado. Quem se deu bem e entrou para a história foi “Homem Aranha: No Aranhaverso” que ganhou o Globo de Ouro de melhor animação. Baseado nas histórias em quadrinhos do personagem Miles Morales, o filme apresenta como protagonista um Homem Aranha negro em uma trama que explora várias realidade paralelas.

3 – Atores dedicam prêmio aos seus personagens gays:

O ator Rami Malek prestou homenagem a Freddy Mercury, depois de ganhar o prêmio de Melhor Ator por Bohemian Rhapsody.

“Obrigado a Freddie Mercury, por me dar a alegria de uma vida”, disse Malek. “Eu te amo, seu lindo homem. Meu coração está cheio de alegria e amor e graças a esse homem, no qual eu penso todos os dias. Isto é para e por sua causa, lindo”.

Já o ator Ben Whishaw homenageou o “herói gay” e ativista Norman Scott em seu discurso de aceitação no Globo de Ouro.

Ben, que recebeu o premio de Melhor Ator Coadjuvante em Série ou Minissérie, por “A Very English Scandal”, agradeceu a Norman Scott por permitir-lhe a honra de retratar sua vida dramática e histórica. Whishaw explicou emocionalmente: “[Ele] assumiu o com coragem e um desafio que eu acho completamente inspirador. Ele é um verdadeiro herói e ícone queer. E Norman, isso é para você”.

4 – O pedido de desculpas Emma Stone

Em um outro momento importante, a apresentadora Sandra Oh falou sobre a influência e importância de representatividade e local de fala do filme Podres de Ricos, o primeiro longa metragem a ter um elenco totalmente asiático em mais de 20 anos.

De modo sarcástico, Sandra disse que “Podres de Ricos está indicado como Melhor Filme Musical ou de Comédia. É o primeiro longa com Asiáticos-Americanos desde A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell e Sob o Mesmo Céu”. Logo em seguida, é possível ouvir Emma Stone gritando ao fundo: “Desculpe!”.

Emma interpretou a protagonista em Sob o Mesmo Céu, a personagem Allison Ng no filme, que aparentemente tinha descendência havaiana e chinesa. A atriz recebeu duras críticas devido ao seu papel no filme e admitiu que sua escalação na produção a fez refletir sobre a quantidade de atores brancos em Hollywood.

O mesmo aconteceu com A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell, remake de uma animação japonesa, na qual teve como protagonista Scarlett Johansson.

5- O discurso contra o abuso sexual em Hollywood

Patricia Clarkson, que ganhou seu primeiro Globo de Ouro por sua atuação em Objetos Cortantes, elogiou seu diretor Jean-Marc Vallee por “exigir” tudo dela como atriz, mas sexo, em uma aparente referência aos vários casos de assedio em Hollywood denunciados no ano passado.

“Você exigiu tudo de mim, exceto sexo, que é exatamente como deve ser na nossa profissão”, disse Clarkson em seu discurso de aceitação do premio.

6. O discurso emocionante de Glenn Close sobre o papel da mulher

 

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No seu discurso, Genn Close premiada como Melhor Atriz em Filme Drama por “A Esposa”, além dos agradecimentos habituais, deixou uma mensagem a todas as mulheres: “O que aprendemos é que as mulheres são cuidadoras, é o que esperam de nós”, disse, acrescentando: “Nós temos filhos, temos os nossos maridos, se tivermos sorte, os nossos companheiros, quem quer que seja. Mas temos que ter uma satisfação pessoal.” E concluiu: “Temos de seguir os nossos sonhos. Temos de dizer: eu posso fazer isto e eu quero fazer aquilo.”

A plateia respondeu à mensagem de Close com aplausos e uma ovação de pé.

Close declarou que o filme “The Wife” levou 14 anos para chegar no cinema e se questionou se a demora era porque o filme girava em torno de uma personagem feminina. “Chama-se A Esposa. Acho que é por isso que levou 14 anos para ser feita”, observou Close em seu discurso, ao qual ela e o público reagiram com risada.

7. Regina King proclama 50% de empregos para mulheres em suas produções

Quando Regina King subiu ao palco para aceitar seu Globo de Ouro por sua performance em If Beale Street Could Talk, ela tinha muito a dizer. Ela usou o momento para fazer uma promessa para os próximos anos, e pedir que outros se juntassem a ela. O discurso de Regina King sobre o Globo de Ouro de 2019 foi essencialmente um chamado à ação, pedindo a todos que assistissem para intensificar e trabalhar em prol da igualdade de gênero no local de trabalho.

“A razão pela qual fazemos isso é porque entendemos que nossos microfones são grandes e estamos falando por todos”, disse King ao final de seu discurso. “Eu só quero dizer que vou usar a minha plataforma agora mesmo para dizer que nos próximos dois anos, tudo que eu produzo – eu estou fazendo uma promessa, e vai ser difícil – ter certeza de que tudo que eu produzo é Serão 50% mulheres, apenas desafio alguém que esteja em uma posição de poder – não apenas em nossa indústria, em todas as indústrias – eu desafio você a desafiar a si mesmo e a ficar conosco solidariamente e fazer o mesmo”.

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