A BRUXA (Crítica) Mostra SP

A Bruxa

5estrelas

Por Victor Piacenti

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‘A Bruxa’ é um filme que muitos vão odiar. Vivemos em uma época onde as pessoas cada vez menos prestam atenção nos detalhes e dão preferência a tramas de fácil digestão, no caso do terror essa procura é por algo frenético, com muito sangue e sustos. Produções atuais que saíram dessa premissa foram completamente ignoradas pelo grande público, ‘Corrente do Mal’ é um bom exemplo do que quero dizer. Hoje em dia a galera não tem paciência para histórias lentas, cheias de camadas e personagens que fogem do clichê moderno, ou seja, apesar do título e trailer chamativos, este é um filme que tem tudo para despertar a ira do pessoal que vai ao cinema procurando apenas diversão… o que seria realmente uma pena por que o filme de estreia do diretor Robert Eggers merece todos os elogios e prêmios que vem ganhando nos festivais mundo afora.

Nesta história voltamos alguns séculos e somos apresentados a uma família religiosa e puritana que acabou de ser banida do vilarejo onde moravam. Eles se mudam para uma casa no meio da floresta e quando tudo parecia ser um novo começo, o filho recém-nascido desaparece misteriosamente, dando início a uma série de acontecimentos que levarão suas crenças aos limites e permitindo que possíveis forças malignas que vivem na floresta entrem em suas vidas.

Este é um filme de horror diferente de tudo que você já viu e que te desperta sensações bem desconfortáveis. O ritmo lento é proposital e somos apresentados sem pressa alguma aos personagens, a maneira como lidam com a fé e ao seu cotidiano, fato que apesar de incomodo para alguns, faz total diferença para que sua trama extremamente macabra funcione. Não espere ver bruxas de nariz pontudo voando em vassouras, fazendo poções e tocando o Diabo nos coitados, aqui o horror é encarado de uma forma séria e a visão que o diretor nos mostrou é extremamente arcaica, ou seja, nada de sustos gratuitos e sangue jorrando a toa, em ‘A Bruxa’ tudo acontece por um motivo e quando chegamos ao final, ou melhor, quem chegar ao final será recompensado com cenas assombrosas e assustadoras. Sério, o final é tensíssimo!

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Algo que contribui para o terror de ‘A Bruxa’, além do tema fanatismo religioso, bruxaria e satanismo, é a sua construção, que conta com uma trilha sonora simples (mas poderosa) e uma fotografia linda e claustrofóbica. A casa sempre iluminada por velas e a floresta escura e fria dão um ar medonho e em momento algum nos divertimos vendo tudo aquilo, pelo contrário, tudo é bem assombroso, não dá pra ficar feliz assistindo este filme, a trama é pesada e a direção não nos deixa esquecer de que estamos diante de algo onde a qualquer minuto alguma desgraça pode acontecer. É uma produção impecável e estamos diante de uma obra de arte que dá gosto de ver, pra vocês terem ideia os diálogos são em inglês arcaico e dão uma realidade imensa para o drama que os personagens estão passando. Pelo visto os atores, ótimos por sinal, tiveram um trabalhão..

‘A Bruxa’ é um filme muito bom, mas para desfrutar dele você tem que estar disposto a ver um outro estilo de terror, aqui a coisa é bem artística e você tem que imergir e prestar atenção em tudo, os detalhes ajudam a contar a história e a deixam mais interessante, não adianta assisti-lo em uma sala onde a galera fica fazendo gracinha por qualquer coisa. Repito que este não é um filme para todos, definitivamente não, ele não tem nada de convencional e com certeza muita gente o largará antes do fim, tenha paciência e abra sua mente, o diretor Robert Eggers fez um trabalho impecável e tem muito talento, há muito tempo não via algo tão impressionante e tão digno de notoriedade. Se estamos diante de um novo clássico ainda é cedo para dizer, mas que é um filme lindo e pavoroso, não há como negar.

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SINOPSE

Nova Inglaterra, década de 1630. William e Katherine levam uma vida cristã com suas cinco crianças, morando á beira de um deserto intransitável. Quando o filho recém nascido dela desaparece e colheita falha, a família se transforma em outra. Por trás de seus piores medos, um mal sobrenatural se esconde no bosque ao lado.

DIREÇÃO

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FICHA TÉCNICA

Roteiro: Robert Eggers
Título Original: The Witch
Gênero: Terror
Duração: 1h 30min
Ano de lançamento: 2015
Classificação etária: 12 Anos
Lançamento: Em Breve (Brasil)

TRAILER

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5 Comentários

  1. Baltazar

    Parabéns Victor, independentemente de eu assistir o filme e vir a gostar ou não, tua análise dos espectadores atuais é perfeita. Sei de casos em que compraram os ingressos para os Dez Mandamentos, e só descobriram dentro do cinema o conteúdo do filme. A falta de cultura aliada ao imediatismo da internet e dos games, juntou-se a necessidade de filmes com efeitos, perseguições, lutas, sangue aos litros e nenhum conteúdo. Pensar virou um peso enorme para grande parte das novas gerações. Ler então, para eles é uma tortura.

  2. Vitor

    Final tensíssimo?! Apelou, heim, amigo? O filme é bom, mas até “Relíquias da Morte – Parte 2” teve um final mais tenso. Só mesmo nunca tendo visto outros filmes de suspense para achar que “A Bruxa” é tão pioneiro assim. É claro que tem suas qualidades, e diferentemente de outras produções, deu sorte de ser notado.

  3. Dennis

    Parabéns pela crítica. Também penso igual onde diz que o filme é para desfrutar, quase artístico. Belíssima direção desse diretor promissor.

  4. Luiz

    Sinceramente, se esses roteiristas representam a nova safra do terror,estamos perdidos!! Cai na armadilha da boa crítica e aluguei o filme e, no final, senti que perdi dinheiro. Fiquei uma hora e meia esperando algum susto, alguma coisa que me desse o sentimento de algum terror, o filme acabou e a única coisa que vi foi a loucura tomando conta de uma família, até o final ridículo.
    Filme duas estrelas, no máximo!!!!

  5. Moisés souza

    Que fotografia, trilha, atuações, tema, ritmo, diálogos, desfecho… Filme perfeito! Parabéns pela crítica !!