A COISA – O ENIGMA DE OUTRO MUNDO (Crítica)

A COISA

2estrelas

FICHA TÉCNICA

Título Original: The Thing
Ano do lançamento: 2011
Produção: EUA , Canadá
Gênero: Terror , Ficção científica
Direção: Matthijs van Heijningen Jr.
Roteiro: John Carpenter
Classificação etária: 14 Anos

Sinopse: A paleontóloga Kate Lloyd (Mary Elizabeth Winstead) viaja para uma região remota e gelada para ajudar na investigação de uma possível nova forma de vida após cientistas noruegueses encontrarem uma nave espacial e um ser misterioso dentro de uma pedra de gelo. Mas o que parecia estar morto há muito tempo está, na verdade, prestes a acordar e agora todos os envolvidos na descoberta correm risco de morrer, dando início a uma verdadeira corrida pela vida, já que o alienígena ganha a forma de suas vítimas com extrema facilidade.

Por Jason

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Terceira versão do conto “Who Goes There?”, do escritor de ficção científica americano John W. Campbell Jr, o fracassado “A coisa” é frio como a Antártida em que a trama se passa, tem atuações precárias, direção sofrível, roteiro ordinário e sofre de um sério problema de identidade: não se decide se é uma sequência ou refilmagem de O enigma de outro mundo (1982), se assume tardiamente como prequel, e não se sai bem em nenhuma das funções.

No filme, a paleontóloga Kate Lloyd (Mary Elizabeth Winstead), da Columbia University, abandona a segurança de seu laboratório para viajar com uma equipe norueguesa à região desolada da Antártica. Lá, a equipe, liderada por Edvard Wolner (Trond Espen Seim) e integrada pelo Dr. Sander Halvorson (Ulrich Thomsen) e Adam (Eric Christian Olsen), descobre uma estranha criatura enterrada no gelo. Mas a euforia da descoberta rapidamente se transforma num terrível pesadelo, quando a criatura volta à vida. Agora, Kate tem de unir ao piloto Carter (Joel Edgerton) e seu assistente Jameson (Adewale Akinnuoye-Agbaje) para evitar que este parasita, que imita qualquer coisa que toque, coloque ser humano contra ser humano e mate a todos.

O filme até começa bem, mostrando um grupo de exploradores que acaba descobrindo um objeto não identificado soterrado embaixo de quilômetros de gelo, fato que resulta em um acidente bem filmado. Em seguida, a produção parece bem conduzida, mostrando o achado da equipe norueguesa que, mais tarde, vai aterrorizar todo o grupo. Há uma explicação razoável para o achado (a nave impactou numa geleira, penetrando-a, e a criatura a deixou em seguida, congelando) e os mais atentos notarão que este fato tem conexão direta com o filme de 1982.

Entra em seguida uma cena, interessante, da criatura fugitiva, na qual ela, depois de dar um susto no espectador arrebentando seu caixão gelado, acaba se escondendo debaixo de uma construção e ataca, com uma espécie de língua gigante, um dos homens (o qual tenta engoli-lo). O grupo consegue queimar a coisa e mais tarde ela será levada para o laboratório para uma autópsia, igualmente bem filmada de perto tal qual O enigma do outro mundo, de 1982, com semelhante tendência a salientar toda nojeira e menos sangue falso.

A partir dessa meia hora de filme é que a coisa começa realmente a desandar de vez. O roteiro não faz nada de original e parece reproduzir na tela, potencializado por novos efeitos especiais, o que se viu em 1982. Ele faz algo interessante no segundo ato, quando a paleontóloga deduz que a criatura não pode reproduzir coisas não orgânicas (uma placa para fixação do osso de uma das vítimas, as obturações dos dentes dos homens não são reproduzidas por ela), mas atira essa possibilidade criando situações ridículas (aquelas sequências em que todos precisam abrir a boca para a inspeção dentária é de criar risos involuntários); e em seguida, se esforça no terceiro ato, quando se dispõe a mostrar o interior do veículo em que a coisa veio, mas consegue a proeza de desperdiçar a possibilidade de melhor aproveitamento do belo cenário nas mãos inábeis da direção.

Interessante perceber que o roteiro não explica como um bicho de aparência de inseto, tal qual uma barata mutante, possui uma nave tão moderna — pertenceria esta a outra espécie alienígena e o bicho em questão seria um parasita que tinha pego carona na espaçonave? Qual o nível de inteligência da criatura se esta for a dona da nave, cuja tecnologia é tão evoluída quanto desconhecida? Nada é respondido, nem mesmo o roteiro se preocupa em induzir o público a se questionar e fica por isso mesmo. Não há mistério, não há perguntas, há apenas o desfile de coisas cuja sensação é de total falta de necessidade de existir.

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Fica também mais evidente outro ponto fraco aqui: a escolha da atriz Mary Elizabeth Winstead como a protagonista. Mary, totalmente sem carisma, atua péssima e preguiçosamente, de maneira apática, sem criar nenhum vínculo emocional com o espectador nem se esforçar em compor um personagem com a mínima dignidade. Fazendo cara de boba e deslocada o tempo todo, sua paleontóloga Kate Lloyd não convence em nenhum momento, seja na surpresa com que descobre o método de ação da criatura, seja no horror com que quase é engolida por uma delas. Sua expressão é sempre a mesma.

Para completar, o diretor de nome esquisito, Matthijs van Heijningen Jr., não consegue criar uma atmosfera de suspense e de terror necessárias às ambições da trama. Sua direção é puro marasmo, preguiçosa, cuja única preocupação é a de mostrar as transformações causadas pela criatura, sem impacto algum. Sua direção de fotografia, aliás, não cria a ambientação claustrofóbica necessária para um filme desse tipo. E talvez resida aqui outro problema da produção: ao diminuir a violência da ação destruidora da criatura nos organismos vivos e expor seus bons efeitos especiais, o filme parece perder também o impacto que o filme de 1982 guardava (basta lembrar-se da sequência em que os cães são atacados no canil no meio da escuridão no filme de trinta anos atrás e comparar com a idiota sequência a luz do dia, em que um dos integrantes da equipe se transforma dentro do helicóptero).

O fracasso do filme não é culpa dos efeitos especiais, bem feitos e bem filmados, afinal se trata de uma produção considerada barata para os padrões de Hollywood — foram 38 milhões de dólares — e em nenhum momento, diga-se de passagem, o valor baixo de seu custo compromete o resultado dos efeitos (algo visto também no competentíssimo Distrito 9, ao custo de 8 milhões a menos). Cada parte da transformação dos membros da equipe é vista de maneira ampla, cada protuberância, cada parte, órgão, tudo é exposto à exaustão para causar nojo, só que com menos sanguinolência. É a única parte digna de nota de toda a produção.

O problema é a forma como eles são utilizados. A direção tenta explorá-los ao máximo, quando deveria escondê-los para criar o clima de terror necessário. Matthijs van Heijningen Jr não entende que, em se tratando de um filme de horror ou suspense, como Hitchcock nos ensina, às vezes o menos é (muito) mais. Pior para os estúdios da Universal, que, por duas vezes numa mesma trama conseguiu o fracasso — o filme de 1982 também foi um fracasso de bilheterias, mas o tempo se encarregou de dar o seu devido valor — quando deveria, com este novo filme, constituir uma franquia multimilionária ou ao menos honrar com dignidade seus antecessores. E essa intenção de uma nova trilogia é desperdiçada inutilmente no final. Será que vão insistir em mais um?

Assim, “A coisa” não funciona como filme de horror, não funciona como suspense, é pobre como ficção científica e ação, não tem atuação de destaque, e não se faz também, apesar de seguir a mesma fórmula, como remake. Da meia hora em diante (o filme é relativamente curto, pouco mais de 1 h e meia), ele começa a se assumir como prequel do filme de 1982, e, de novo, ao se conectar ao final com este, acaba por evidenciar sua deficiência como produção e se inferioriza pela qualidade superior do filme antigo, reconhecidamente, até hoje, a melhor adaptação do conto. Ele deixa claro que não tem importância cinematográfica e não tem razão de existir. Talvez funcionasse melhor caso não tivesse ligação alguma com o filme de Carpenter, mas, com o perdão do trocadilho infame, “A coisa” é uma “coisa” que, como no filme, tenta imitar algo e superar seu original — sem, no entanto, obter êxito em momento algum.

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TRAILER

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2 Comentários

  1. Julio Celeste-Lagoano

    Filme muito ruim, não merece se atrelado ao de 1982. O cachorro não tem nada a ver com o do filme antigo, e olha que não é dificil ter cães parecidos, a criatura de duas faces também não parece em nada com a do original. Como a base norueguesa foi destruída e como os exploradores mataram as criaturas não também contradiz com o que foi mostrado em O Enigma do Outro Mundo . A única coisa que conseguiram fazer que ficasse indentica e ligar ao filme de Carpenter foi o helicoptero que aparece no final deste A Coisa. São pontos que muitos e até mesmo o critico podem não achar relevantes, mas para mim como um bom detalhista e por gostar bastante do filme de 1982 significa muita ‘coisa’.

  2. Carlos diego

    Este de 2011.Mostra como os CIENTIstas encontram a ESPAÇONAVE.Pra mim o que nao entendi .como ELe o ALIEN.Cria ou trasmite o virus pra uma pessoa sendo que deveria ter uma continuidade de COMo isso acontece tipo os INVasores de corpos e como um alien ele pilota a nave tirando isso muito bom filme gostei espro que o diretor pense nisso comi ele ATACA.Coni ele se trasforma na pessoa e se faz isso o que com o corpo da PESSOA