A DAMA OCULTA (Crítica)

A DAMA OCULTA

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FICHA TÉCNICA

Título Original: The Lady Vanishes
Ano do lançamento: 1938
Produção: Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte
Gênero: Romance, Suspense
Direção: Alfred Hitchcock
Roteiro: Ethel Lina White
Classificação etária: 14 Anos

Sinopse: Nick Cassidy (Sam Worthington) é um ex-policial procurado pela justiça que decide se matar pulando do alto de um prédio de Nova York. A polícia da cidade se mobiliza e convoca a psicóloga Lydia Mercer (Elizabeth Banks) para impedir que o sujeito se suicide. A medida que conversa com Nick vai avançando, percebe-se que a situação não passa de um jogo de cena para acobertar um plano de vingança contra David Englander (Ed Harris), o homem que acabou com a vida do ex-policial.

Por Pedro Vieira

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Ainda que seja conhecido como “Mestre do Suspense”, Alfred Hitchcock sempre dialogou com outros gêneros. “A Dama Oculta” (The Lady Vanishes) é um famoso caso onde o diretor consegue criar um filme com tons de comédia e de romance juvenil, sem deixar de perder o ritmo intrigante e envolvente, característico de sua filmografia.

Numa viagem pela Europa, a jovem inglesa Iris (Margaret Lockwood) conhece a simpática Sra. Froy (Dame May Whitty). Quando Iris se acidenta pouco antes de embarcar no trem de volta à Inglaterra, é Froy quem a ajuda. Durante a viagem Iris adormecer, e quando acorda percebe que Froy desapareceu. Enquanto todos os passageiros negam conhecer Froy ou ao menos tê-la visto, fazendo com que Iris se passe por louca, a garota recebe a ajuda do galante estudante de música Gilbert (Michael Redgrave).

Embora o romance quase improvável entre Gilbert e Iris (que está noiva de um rico inglês, o que não lhe agrada como um todo) possa parecer “clichê” para o público atual, ele não se torna enfadonho – na verdade é uma relação bem verossímil e divertida. Isto graças ao fato dele não ser o foco da narrativa, embora sempre se mantenha em perfeita sincronia com ela, assim como as tiradas cômicas.

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Seja pelos diversos trocadilhos inteligentes ou pelas próprias personagens, como a dupla de ingleses azarados viciados em críquete (interpretados por Basil Radford e Naunton Wayne); o fato é que o filme consegue fazer rir em meio ao clima de tensão e medo. Como a viagem de trem é uma analogia ao tempo finito que aquelas personagens possuem para encontrar a mulher desaparecida, o longa vai se tornando mais agonizante e instigante conforme a história progride.

Lançado em 1938, o medo invocado surge como uma espécie de presságio para o problema que viria assolar a Europa – e o mundo – nos anos seguintes: a Segunda Guerra Mundial. De fato, a partir de certo ponto, narrativa se foca em tratar de questões que afligiam aquela região naquela época. É parte do retrato temporal feito por Hitchcock, mas que pode ser apreciado ainda hoje, pois o longa consegue ser envolvente a ponto de não ter se tornado um filme “da época” – e com isso quero dizer: um filme que só seria atraente naquela época. A maior prova disto é que “A Dama Oculta” ainda serve de inspiração para produções atuais, a exemplo de “Plano de Vôo” de 2005 estrelado por Jodie Foster, e inclusive já teve um remake lançado no ano passado para televisão.

É interessante perceber também como o roteiro consegue dar a atenção necessária para cada personagem, ainda que coadjuvante. Os dois ingleses ou o casal de amantes parecem alheios à narrativa principal, mas são elementos chaves para comprovar a sanidade da heroína. Do mesmo modo, pequenos detalhes e situações, que podem passar despercebidos inicialmente, farão com que a trama se desenvolva pouco a pouco.

Graças ao seu bem trabalhado roteiro e a mão de Hitchcock, capaz de conduzir de forma assertiva o suspense em meio à variedade de personagens e subgêneros aqui expostos, “A Dama Oculta” se molda como um dos clássicos mais influentes da carreira do diretor, e um dos seus melhores filmes – por mais que não tenha o prestígio de produções como “Psicose” ou “Pássaros”.

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TRAILER

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