A DANÇA DOS VAMPIROS (Crítica)

A DANCA DOS VAMPIROS

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FICHA TÉCNICA

Título Original: Dance of the Vampires
Ano do lançamento: 1967
Produção: EUA, Reino Unido
Gênero: Terror
Direção: Roman Polanski
Roteiro: Roman Polanski e Gérard Brach

Sinopse: Abronsius (Jack MacGowran) é um professor universitário especialista em vampiros que decide ir até a Transilvânia, no coração da Europa Central, acompanhado de seu fiel discípulo Alfred (Roman Polanski), que infelizmente é bem medroso. Abronsius tem como objetivo aprender sobre vampiros e combatê-los, se possível, mas os fatos tomam um rumo inesperado e vão de encontro aos objetivos do professor.

Por Davi Gonçalves

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Analisar A Dança dos Vampiros, de 1967, hoje é uma tarefa complicada. Isso porque esse longa de Roman Polanski percorre dois gêneros – mas sem aprofundar muito em nenhum deles. Ora é um terror, ora é uma comédia, mas nunca assusta totalmente ou faz rir por completo. Na verdade, A Dança dos Vampiros pode ser encarado muito mais como uma sátira aos filmes de terror de outrora do que um filme necessariamente “sério” – o que não o rebaixa, mas sim o torna um dos melhores exemplares da cultuada e diversificada carreira de Polanski.

A Dança dos Vampiros traz a história de Abronsius, um professor universitário especialista em vampiros, que viaja à Transilvânia para comprovar a existência desses seres macabros, acompanhado de seu fiel e medroso assistente Alfred. Na cidade, ao se hospedarem em um hotel local, eles presenciam o rapto de uma bela jovem, por quem Alfred se apaixona logo de início. Persuadido por seu assistente, Abronsius parte rumo ao castelo de Conde Krolock para tentar resgatar a bela dama.

Todos os temas favoritos de Polanski podem ser encontrados em A Dança dos Vampiros: sadomasoquismo, violência, nudez, um pouco de homossexualidade e, claro, voyeurismo – evidentemente na cena em que Alfred observa por um buraco na fechadura a bela Sarah se banhar, em uma cena de profundo erotismo. Até mesmo porque a jovem em questão é Sharon Tate que, no auge de sua beleza, se tornaria a esposa de Polanski algum tempo depois.

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O tom humorístico do filme reside basicamente nas trapalhadas de Abronsius e, principalmente seu assistente Alfred – que o próprio Polanski interpreta com muito empenho. Seu tipo carismático, atrapalhado e “pamonha” talvez tenha inspirado o perfil que, anos mais tarde, Woody Allen escreveria em seus filmes. Os demais personagens da vila – ou mesmo os tipos vampirescos do castelo são perfeitamente caricatos, garantindo os momentos mais cômicos da película e deixando o filme muito mais apreciável.

Na parte técnica, não se pode dizer que o filme possua muitas qualidades louváveis – o que pode ser justificável, sobretudo, pelos recursos da época e pelo próprio tom “pastelão satírico” do filme. No entanto, deve-se destacar a trilha assustadora composta por Krzysztof Komeda – parceiro de longa data de Polanski que mais tarde assinaria também a trilha de O Bebê de Rosemary. As tomadas mais extensas de perseguição em meio à neve também demonstram um belo trabalho de câmera, muito hábil para a época, assim como a cenografia e figurino que explicitavam o perfeccionismo do diretor e justificavam os milhões gastos no filme (especialmente na ótima cena do baile vampiresco, já no final do filme).

Os produtores decidiram lançar dois filmes: uma versão do diretor e uma versão de estúdio (carregado ainda pelo título The Fearless Vampires Killers, or Pardon Me, But Your Teeth Are in My Neck),o que, obviamente, irritou o diretor. No entanto, foi a versão do diretor que se tornou uma espécie de clássico “cult” nos cinemas de arte e nas universidades norte-americanas. A irritação de Polanski talvez se deva ao fato de que durante muito tempo o diretor considerou A Dança dos Vampiros como seu melhor filme. Provavelmente, no entanto, essa paixão exagerada do diretor pelo longa possa ser causada pelas boas lembranças que o diretor tem de sua própria vida pessoal durante o período, quando estava visivelmente apaixonado pela estonteante Sharon Tate – antes dos acontecimentos fatídicos que tornariam a vida de Polanski muito mais sombria do que qualquer filme que o diretor faria em sua carreira.

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TRAILER

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2 Comentários

  1. Karina Oliveira

    Adoro esse tema! Eu sempre fui fascinado pela mitologia sobre os vampiros ❤️ Há alguns dias eu vi um filme sobre isso chamado Anjos da Noite Legendado Se você é um fã de vampiros, este filme será um dos seus favoritos e você vai querer vê-lo novamente! Poucos seres fantásticos são tão interessantes quanto os vampiros, estes são seres sedutores e misteriosos.

  2. MARCIO GOMES

    NO INÍCIO DE MINHA PAIXÃO CINEMATOGRÁFICA, ONDE EU ENTRARÁ NA PUBERDADE, EU EXPLORAVA MINHAS MADRUGADAS NA ANTIGA TV DE TUBO E VÁLVURAS DA DÉCADA DE 70; FUI APRESENTADO às sessões do corujão e como outros tantos títulos consagrados, lá estava “a dança dos vampiros”, que para mim viria a ser a descoberta do humor em minha madrugada. não consegui ter pavor, somente gargalhadas povoavam e despertam os meus dentro de meu antigo lar. espetacular filme. não sei onde está o “sadomasoquismo, violência, nudez, um pouco de homossexualidade e, claro, voyeurismo ” de uma crítica preconceituosa e tendenciosa. a obra em si não é novidade. observamos toques do 1º célebre mentor cinematográfico, chaplin…poucas falas, calas e bocas, gestos bruscos, humor ingênuo, contudo praticado sem vaidade ou pretenção. belo filme. enquanto ao crime do diretor, deixemos demagogia…deus há de julgá-lo ! sua obra é imortal. julguemos coisas boas…