A Favorita (Crítica)

Kadu Silva

Enquanto os homens exercem seus podres poderes…

Parece mentira, mas não é; A Favorita é baseado em fatos reais.

O excêntrico diretor grego Yórgos Lánthimos (O Lagosta), mais uma vez apresenta uma trama recheada de provocações e de situações perturbadoras para narrar sua história, dessa vez o enredo é sobre a rainha inglesa Ana (Olivia Colman) e a relação nada comum dela com a duquesa Marlborough (Rachel Weisz) da qual é confidente, conselheira e amante secreta. A duquesa vê seu desejado posto ser ameaçado quando chega uma nova criada, Abigail (Emma Stone), que logo se torna queridinha da majestade.

O roteiro de Deborah Dean Davis e Tony McNamara é uma grande alegórica crítica da superficialidade da elite que vive numa bolha a margem dos reais acontecimentos do país. O belo e impecável palácio serve como cenário para que os nobres se mostrem como seres escrotos e de diversas atitudes deploráveis, muitas delas apenas para exercer o poder ou para ter o prestigio de um cargo.

O interessante desse projeto é que o diretor Yórgos usa a câmera 360 e faz uso dela completamente dentro da sua proposta, a câmera além de ressaltar o luxo e o requinte dos aposentos reais serve como uma espécie de imagem que lembra uma fresta para enxergar os “podres” que muitas vezes são escondidos debaixo do tapete dos poderosos.

A Favorita (Crítica)

Com diálogos ácidos, repleto de depravações e termos ofensivos, vemos o futuro do país ser resolvido em meio a um jogo de sedução entre as três personagens principais, que ora é de ternura, ora é da mais perversa maldade. Não só elas, toda a corte vive num mundo a parte, recados aos mais incríveis luxos.

Essas três personagens são impecavelmente interpretadas pelas suas atrizes, difícil apontar que está mais assustadoramente perfeita em cena, talvez pela complexidade do papel Olivia Colman (Assassinato no Expresso do Oriente) que faz a rainha Ana está um passo a frente.

Tecnicamente o filme é mais uma vez impecável, a recriação de época é milimetricamente bem elaborada em cada detalhe, os figurinos são maravilhosos (forte concorrente ao Oscar 2019), a maquiagem, a trilha sonora marcante, tudo favorece para que o filme seja uma obra muito acima da média.

A Favorita além de ter três incríveis protagonistas mulheres, que já é um ótimo chamariz, apresenta uma história forte, que pode dar para o espectador diversas leituras. Por tudo isso e o que não foi revelado para não dar spoilers, o longa é daquelas experiências que ficam por muito tempo na mente, te fazendo pensar.

Pôster de divulgação: A Favorita

Pôster de divulgação: A Favorita

SINOPSE

Na Inglaterra do século XVIII, Sarah Churchill, a Duquesa de Marlborough (Rachel Weisz) exerce sua influência na corte como confidente, conselheira e amante secreta da Rainha Ana (Olivia Colman). Seu posto privilegiado, no entanto, é ameaçado pela chegada de Abigail (Emma Stone), nova criada que logo se torna a queridinha da majestade e agarra com unhas e dentes à oportunidade única.

DIREÇÃO

Yórgos Lánthimos Yórgos Lánthimos

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Deborah Dean Davis, Tony McNamara
Título Original: The Favourite
Gênero: Drama
Duração: 1h 45min
Classificação etária: 16 Anos
Lançamento: 24 de janeiro de 2019 (Brasil)

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