A festa (Crítica)

Ricardo Rocha

Sempre achei os filmes baseados ou adaptados do teatro um verdadeiro perigo. A linha tênue entre o espaço cênico e aquilo que vemos na tela do cinema nem sempre é adaptado da forma como se deveria. Existem bons exemplos; Festim Diabólico (1948), Possuídos (2006) e Auto da Compadecida (2000). Citei estes exemplos pois o filme “A Festa” que finalmente chega ao Brasil depois ser exibido no festival de Veneza, justamente traz a experiência de assistir uma peça teatral. Com apenas 1 hora e 5 minutos a diretora inglesa Sally Potter, tenta nos entregar um filme completamente regido por seus diálogos filosóficos de livro de autoajuda, pela apatia de seus personagens cuja personalidade são odiáveis, e por uma mise-en-scena mal aproveitada. Ainda que a bela fotografia em preto branco seja um diferencial e dê um tom mais plástico ao filme, na verdade só torna tudo ainda mais teatral. É possível vez ou outra ver que seus ótimos atores, aliás, um elenco de peso, está lendo um texto sem profundidade, incômodo e repleto de reviravoltas absurdas, digno de uma novela mexicana.

A festa (Crítica)

Janet é uma mulher dedicada à vida política, até que consegue o cargo que tanto almejou de ministra da saúde britânica. Enquanto seu marido vivido por Timothy Spall (Sweeney Todd) parece não tá nem aí pra nada a não ser ficar ouvindo música na sua vitrola. Janet (Kristin Scott Thomas) então decide dar uma festa aos seus amigos mais íntimos pra comemorar. E que festa essa onde sinceramente, preferia comemorar sozinho. São eles Cillian Murphy um bancário atormentado que carrega um objeto junto do qual será usado ao longo do filme. Emily Mortimer e Cherry Jones faz um casal que acaba de descobrir que estão grávidos de trigêmeos e anunciam a novidade aos amigos, que logo é cortada pela personagem cínica e totalmente desprovida de sentimentos de April (Patrícia Clarkson), o oposto de seu marido o talvez único simpático e por vezes sem nenhuma noção de realidade Gottifried (Bruno Ganz). Esses sete personagens entram em cena, no único cenário utilizado ao longo do filme que é a casa de Janet. Para se confrontarem entre si, anunciando sempre uma tragédia e nunca de fato concretizando. Talvez o grande erro do filme foi justamente o tempo que o grande plot-twist é revelado. Muito tarde, tirando quase todo o impacto.

A festa é um daqueles filmes onde a experiência de um determinado acontecimento impulsiona uma série de reviravoltas dentro de um único espaço centrado num número X de personagens que tentam conversar com a quarta parede. Neste caso, assim como o clássico primeiro filme de westen da história do cinema “O Grande Roubo do Trem” (1903) que ousa com sua clássica cena final, ainda que este filme esteja mais para o enfadonho “Álbum de Família” de 2013.

Pôster de divulgação: A festa

SINOPSE

Janet (Kristin Scott Thomas), uma política de esquerda, convida os amigos do partido para comemorar a sua escolha para o cargo de Ministra da Saúde britânica, coroando um objetivo que ela perseguia há anos. Os amigos – e penetras – também têm suas revelações, como uma gravidez inesperada. Mas é a surpresa revelada pelo marido de Janet, o intelectual Bill (Timothy Spall), que transforma completamente o clima da celebração.

DIREÇÃO

Sally Potter Sally Potter

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Sally Potter
Título Original: The Party
Gênero: Drama, Comédia
Duração: 1h 11min
Classificação etária: 12 Anos
Lançamento: 26 de julho de 2018 (Brasil)

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