A FORMA DA ÁGUA (Crítica 2)

Emílio Faustino

POESIA E DELICADEZA MARCAM FILME QUE EXALTA OS AMORES INCOMPREENDIDOS

Existem alguns filmes que ultrapassam a barreira da ficção e do entretenimento e se tornam verdadeiras obras primas capazes de transcender o tempo ao abordar um tema atemporal: o amor.

“A forma da água” é de uma delicadeza tão grande que não seria nenhum exagero dizer que é um poema em forma de filme. Ele nos faz pensar, sentir e repensar sobre os nossos sentimentos ao apresentar uma história de amor que desafia a lógica natural.

Pode um homem se relacionar com outro homem? Pode uma mulher namorar um rapaz muito mais novo que ela? Pode pessoas de gostos muito diferentes darem certo? Depois de ver este filme que une uma mulher a uma criatura tão distinta, a certeza que temos é que sim, tudo pode, quando existe amor verdadeiro!

A trama conta a saga de Elisa, uma faxineira muda que trabalha em um laboratório onde um homem anfíbio está sendo mantido em cativeiro. Quando Elisa se apaixona pela criatura, ela elabora um plano para ajudá-lo a escapar com a ajuda de seu vizinho.

A FORMA DA ÁGUA (Crítica 2)

É interessante observar que o vizinho é resistente a ideia de ajudar Elisa no começo, uma vez que na cabeça dele correr tal risco por uma criatura que nem era humana não valia a pena. Com muita sutileza o diretor e roteirista Guillermo del Toro nos presenteia na sequência com uma cena onde um ser “humano” branco trata como animal uma pessoa pelo simples fato de ela ser negra. O que nos faz refletir que de uma forma ou de outra, todos temos nossas diferenças e somos julgados por elas, Elisa por ser muda, a amiga dela por ser negra, e claro, a criatura por não ser humana.

O que “A forma da água” nos mostra com extremo bom gosto é que aquilo que nos une é muito maior do que aquilo que nos divide. E utiliza uma fotografia e direção de arte belíssima para contar essa história que ao mesmo tempo que é linda também tem o seu lado sombrio.

Outro ponto alto do filme é a trilha sonora assinada por Alexandre Desplat que embala a história de forma coerente dando um peculiar ar de fábula para adultos. Algo muito semelhante ao que vimos no irretocável “O Labirinto do Fauno” do Del Toro.

Em tempos de amores líquidos, “A forma da água” vem para mostrar como o amor e o cinema podem ser belos. Um verdadeiro hino a este sentimento que mesmo tendo sua forma de ser condicionada em nossa sociedade, encontra novas formas de ser, existir e resistir. Este graças ao cinema será eterno.

Pôster de divulgação: A FORMA DA ÁGUA

Pôster de divulgação: A FORMA DA ÁGUA

SINOPSE

Década de 60. Em meio aos grandes conflitos políticos e transformações sociais dos Estados Unidos da Guerra Fria, a muda Elisa (Sally Hawkins), zeladora em um laboratório experimental secreto do governo, se afeiçoa a uma criatura fantástica mantida presa e maltratada no local. Para executar um arriscado e apaixonado resgate ela recorre ao melhor amigo Giles (Richard Jenkins) e à colega de turno Zelda (Octavia Spencer).

DIREÇÃO

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FICHA TÉCNICA

Roteiro: Guillermo del Toro, Vanessa Taylor
Título Original: The Shape of Water
Gênero: Romance, Drama
Duração: 2h 3min
Classificação etária: 12 anos
Lançamento: 1 de fevereiro de 2018 (Brasil)

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