A Garota na Névoa (Crítica)

Ricardo Rocha

“O medo sob holofotes”

Baseado no best-seller de mesmo nome, A Garota na Névoa é um exercício de paciência ao longo de 2hs. Estava até pensando como David Fischer, fez algo parecido com seu excelente Garota Exemplar (2014), com a diferença que a trama subverte seus personagens transparecendo o lado sórdido e a essência manipuladora de cada um. Aqui temos a imprensa agindo de forma manipulada, quase que como um personagem a parte, também uma das grandes críticas do filme.

O personagem principal, detetive Vogel (Toni Servillo, de A Grande Beleza, 2013) encarna com muita maestria uma pessoa obcecada pelo seu trabalho, não à toa usa da mídia para se beneficiar no caso, em certos momentos parecendo um reality show. Existe um flerte com o personagem clássico Maigret, outro detetive da literatura, seu método é quase sempre ortodoxo, e provém de certa forma de um cinismo e dubiedade que faz a gente pensar se ele realmente está interessado em ajudar a família da garota desaparecida ou se sua intenção é só resgatar a fama e o brilho que se apagaram.

O medo está sempre rondando as pessoas na cidade isolada do mundo, fria, sempre sob a névoa. A bela fotografia expressa essa sensação de interior, do oculto, sempre se utilizando de muitas sombras, aliás há névoa presente até em momentos onde não deveria existir.

A Garota na Névoa (Crítica)

Na primeira hora de filme tudo parece seguir um caminho que não é bem o esperado, até que começam os plot-twists, as armações envolvendo a igreja, e nitidamente o filme vai ganhando uma outra atmosfera, as vezes atropelada, as vezes sem nenhum sentido. Tudo para bagunçar a mente do espectador, mas nem sempre satisfatória ou coesa, o que me fez lembrar muito o filme “Regressão” (2015) com Emma Watson (Hermione de Harry Potter) e Ethan Hawke ( da trilogia “Antes do Amanhecer”) – que também contava a história de um detetive atormentado pelo seu passado investigando o caso de uma garota supostamente abusada pelo pai numa comunidade religiosa e afastada de tudo. Alguma coisa em comum com nossa trama aqui?

O livro do qual citei acima foi adaptado pelo próprio autor Italiano Donato Carrisi, que também estréia na direção. Eficiente e criativo para uma estreia e por conhecer tão bem a história que escreveu, sabe onde deixar as pistas, mas nem sempre elas funcionam.

Jean Reno (O Profissional, 1994) faz uma participação especial no filme, apesar de seu nome está lincado como um dos astros principais no cartaz, seu personagem é extremamente antisséptico e poderia facilmente ser substituído por qualquer um. Assim como o personagem do professor interpretado por Alessio Boni, sua transição do literário para o cinema parece ter ficado mal executado.

A Garota na Névoa é mais um thrilher policial que tenta ser complexo, tem um personagem bem desenvolvido, e flerta muito sobre a manipulação e o envolvimento invasivo da mídia. Talvez no livro funcione bem melhor, mas a tentativa aqui não frustra apesar de alguns tropeções.

Pôster de divulgação: A Garota na Névoa

Pôster de divulgação: A Garota na Névoa

SINOPSE

Em uma aldeia alpina no norte da Itália, o Detetive Vogel (Toni Servillo) é chamado para investigar o misterioso caso do desaparecimento de Anna Lou, uma menina de 15 anos de família religiosa. Seria esse desaparecimento repentino um caso de rebeldia adolescente, ou existe um terrível criminoso escondido entre uma comunidade aparentemente tão pacífica? Com métodos questionáveis e em meio a uma intensa cobertura da mídia, Vogel se põe a tentar descobrir e ninguém está livre de suspeitas.

DIREÇÃO

Donato Carrisi  Donato Carrisi

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Donato Carrisi
Título Original: La ragazza nella nebbia
Gênero: Suspense
Duração: 2h 7min
Classificação etária: 14 anos
Lançamento: 8 de novembro de 2018 (Brasil)

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