A GRANDE VITÓRIA (Crítica)

A GRANDE VITORIA

3emeio

Por Kadu Silva

Potencial desperdiçado

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Além de vários outros fatores, o grande diferencial que se pode ter em filmes baseados em fatos reais, é um desfecho, que pode fugir dos padrões ficcionais que estamos acostumados. Sendo assim, espera-se que o roteiro explore esse diferencial, ainda mais quando a história não é de domínio totalmente público.

A Grande Vitória, apesar de ser baseado no livro Aprendiz de Samurai de Max Trombini, é mais um exemplo que se enquadra perfeitamente nesse caso. O longa conta a história real de Max Trombini, desde a infância até a vida adulta. E mesmo com uma grande história de superação e com um final, que podemos denominar surpreendente, o roteiro preferiu ficar na zona de conforto e não soube explorar o seu grande potencial.

Na história Max é um órfão de pai, que quando criança, tinha sérios problemas de indisciplina, principalmente na escola e foi através do esporte que encontrou o equilíbrio para superar sua ânsia por brigas.

O judô seguiu quase com um ar que ele respirava, durante vários anos de sua vida, até que um fato inesperado, acabou transformando seu futuro de forma definitiva.

Como já citei acima, o filme tinha uma sinopse, de grande potencial, que se tivesse um roteiro mais criativo, poderia transformar o longa em algo bem interessante. Mas Ênio Gonçalves e Stefano Capuzzi Lapietra preferiram desenvolver um roteiro clássico de auto ajuda e de superação, como Hollywood vive fazendo, só que no caso deles, com sérios defeito de execução.

A escolha para um filme nesses moldes não é o único problema, o longa acaba perdendo ainda mais, quando o diretor estreante Stefano Capuzzi Lapietra, também se limita em mostrar essa história “batida” de forma completamente clichê. E repleto de escolhas que ainda deixa tudo menos impactante.

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Vamos a alguns problemas graves do longa. Durante a narrativa, é dado uma grande importância para o fato do pai de Max ter o abandona, portanto imagina-se que tal fato vai ter explicação, no mínimo rápida e simples, até o final do filme, mas infelizmente, toda a carga que acontece para o fato, não passa de uma forma de justificar o desfecho do longa, e tudo sobre o abandono não tem explicação, ou seja, pesos equivocados, deixam a história desequilibrada.

Outro problema grave é na coerência de tempo. Do inicio do filme até o final, passe-se alguns anos. E os atores e os locais, permanecem idênticos, com exceção do ator principal, que tem todo a atenção da produção. Para quem é mais observador, vai sem dúvida estranhar isso.

O elenco, é outro grande problema. Quase ninguém se salva no filme, o “menos” pior é o também estreante no cinema, Caio Castro, que consegue passar em suas cenas, naturalidade, no entanto, para mim, ele faz o mesmo papel, que ele fez sempre em sua carreira, desde a Malhação. Não se vê uma construção detalhada do personagem, ele simplesmente fala o texto e utiliza dos recursos necessários para passar a mensagem, mas nada. E para piorar tem Sabrina Sato que é de fato extremamente carisma, linda, mas não tem um mínimo de talento como atriz. E mesmo aparecendo em menos de 5 minutos no filme consegue chamar atenção negativamente para esse fato.

Ainda é possível apontar outros diversos problemas, mas o longa tem alguns pontos positivos que merecem ser destacados. A trilha sonora do maestro João Carlos Martins, que também é estreante em cinema, é deslumbrante, mesmo que seu uso, se torne clichê, querendo fazer referencia a Rock o Lutador (lamentável). A fotografia é deslumbrante, funciona muito bem para passar ao público o sentimento de superação.

Voltando a falar do elenco, dois nomes conseguem chamar atenção positivamente, Domingos Montagner, que faz o pai de Max, mesmo numa participação pequena consegue se destacar – uma pena que seu personagem não foi bem explorado pelo roteiro. Outro que merece ser observado com cuidado é o ator mirim Felipe Falanga, que faz o Max, quando criança, o garoto, assim como Caio Castro, consegue passar muita naturalidade para a personagem, uma pena, que ele acaba tenho pouco tempo em cena, afinal, grande parte do filme conseguir envolver o espectador até o final, se dá por sua atuação no início, ou seja, ele consegue nos fazer torcer pelo personagem.

E mesmo com todos esses “problemas” de execução o filme consegue comover e envolver do começo ao fim, o que no gosto popular, deve fazer do filme um grande sucesso.

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SINOPSE

Max Trombini (Caio Castro) teve uma infância humilde e conturbada. Abandonado pelo pai ainda hoje, ele foi criado pela mãe e pelo avô, que morreu quando tinha 11 anos. Revoltado, passou a se envolver em diversas confusões em sua cidade natal, Ubatuba, e depois em Bastos, onde passou a morar. Foi através do aprendizado das artes marciais, em especial o judô, que ele conseguiu se estabelecer emocionalmente e construir uma carreira que fez com que se tornasse um dos principais técnicos do esporte no Brasil.

ELENCO

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DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Stefano Capuzzi” espaco=”br”]Stefano Capuzzi[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Stefano Capuzzi e Ênio Gonçalves
Título Original: A Grande Vitória
Gênero: Drama
Duração: 1h 28min
Ano de lançamento: 2014
Classificação etária: 12 Anos

TRAILER

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3 Comentários

  1. SimPos

    Tem Sabrina Sato, pela mor de deus, só faltou a Massafera

  2. Alex Messias

    Sofrível, o enredo é até respeitável, mas a fórmula de encher o filme de gente bonitinha sem talento é péssimo. Filme dispensável.