A HORA MAIS ESCURA (Crítica)

A HORA MAIS ESCURA

Por Silas Mendes

Começando com as gravações das vitimas dos ataques terroristas de 2001, vamos a chegada de Maya, personagem de Jessica Chastain, à base secreta da Cia onde um prisioneiro é torturado em busca de informações que possam levar a membros da Al-Quaeda ligados ao 11 de Setembro e que então levariam até o líder da organização, Osama Bin Laden. Continuamos avançando ao longo dos anos, dos atentados e das tentativas da CIA de localizar e abater Bin Laden.

Chastain incorpora muito bem a “tough cookie”, com sua brutal delicadeza, que faz o que pode e o que não pode para conseguir as informações que a levará ao homem mais procurado do mundo. Ela, nem de longe, lembra a doce mãe de Árvore da Vida.

Quanto ao resto do elenco, todos estão muito bem, dos agentes da inteligência que trabalham em busca de informações aos soldados designados para invadir a casa e eliminar o homem. Com destaque para Joel Edgerton que surge na parte final do filme, na pele do líder da operação que invadirá a casa onde Bin Laden, supostamente, está escondido.

Como em um livro, “Zero Dark Thirdy” tece sua narrativa por meio de capítulos com acontecimentos específicos. Seja o ataque suicida do médico próximo a Osama, que supostamente os ajudaria na captura do terrorista ou o surgimento de uma informação, diretamente responsável pela localização de Bin Laden, que havia sido deixada de lado por “erro humano”.

“A Hora Mais Escura” vai construindo sua tensão por meio do conhecido. Nós já conhecemos o final do filme. Na maioria dos casos, já sabemos o que vai acontecer, pois convivemos com os acontecimentos ao longo desses 10 anos de caçada. Quando mostram o ônibus vermelho de dois andares, em Londres, sabemos o que acontecerá a seguir. Quando Maya e sua colega de trabalho, Jessica (Jennifer Ehle), vão jantar no Marriot Hotel em 20 de Setembro de 2008, em Islamabad, já sabemos o que vai acontecer. E mesmo quando não sabemos exatamente o que vai acontecer, nós sabemos que algo vai acontecer e então esperamos e criamos essa expectativa.

A HORA01

Algo interessante de se notar no filme, é a citação ao caso das “armas de destruição em massa” do governo Bush. Quando eles encontram a casa onde, possivelmente estaria escondido o líder da organização, eles hesitam por receio de estarem enganados e o homem responsável pelo contato entre a CIA e o presidente cita o caso das armas, que possuíam provas muito mais concretas e acabaram gerando constrangimento.

O que o filme mostra, é como os ataques de 11 de Setembro deixaram todos sensíveis. Após os ataques, os EUA invadem o Afeganistão. E se o 11 de Setembro mudou 360º a maneira como tudo era feito antes (aeroportos, correios), por que a invasão promovida pelos EUA não mudaria nem ao menos 180º na forma como Osama e a organização agiam?

A história gera mais interrogações que elimina as antigas. No entanto, acredito que a morte de Osama Bin Laden seja algo muito mais “pessoal” do que “questão de guerra” e de certo ponto é até mesmo irrelevante, pois é óbvio que sua morte não significa o fim do grupo terrorista responsável pelo 11 de Setembro e outros ataques. A parte nunca é maior que o todo. A parte pode se tornar um símbolo do todo, mas ela não é maior que ele.

O ponto forte do filme é sua riqueza em informações e de produção que aliado a estética quase documental de Kathryn, criam um thriller político com uma tensão constante, que deve ser semelhante ao sentimento de muitos americanos que se envolveram diretamente com o assunto.

Uma bela transcrição do medo e da expectativa que sufocou uma nação inteira.

P.S. Destaque para Mark Boal por conseguir agrupar 10 anos de informações em um roteiro de duas horas e trina e seis minutos. Mesmo que confuso em alguns momentos, é um trabalho que merece reconhecimento.

SINOPSE

Os ataques terroristas sofridos pelos Estados Unidos em 11 de setembro de 2001 deram início a uma época de medo e paranoia do povo americano em relação ao inimigo, onde todos os esforços foram realizados na busca pelo líder da Al Qaeda, Osama bin Laden. Maya (Jessica Chastain) é uma agente da CIA que está por trás dos principais esforços em capturar Laden, por ter descoberto os interlocutores do líder do grupo terrorista. Com isso ela participa da operação que levou militares americanos a invadir o território paquistanês, com o objetivo de capturar e matar bin Laden.

A HORA02

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Kathryn Bigelow ” espaco=”br”]Kathryn Bigelow[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Mark Boal
Título Original: Zero Dark Thirty
Gênero: Ação, Guerra
Duração: 2h 37min
Ano de lançamento: 2013
Classificação etária: 16 Anos

TRAILER

4estrelas

Comente pelo Facebook