A INVENÇÃO DE HUGO CABRET (Crítica)

A INVENCAO DE HUGO CABRET

4estrelas

FICHA TÉCNICA

Título Original: Hugo
Ano do lançamento: 2012
Produção: EUA
Gênero: Aventura, Drama, Família
Direção: Martin Scorsese
Roteiro: John Logan
Classificação etária: 9 Anos

Sinopse: Paris, anos 30. Hugo Cabret (Asa Butterfield) é um órfão que vive escondido nas paredes da estação de trem. Ele guarda consigo um robô quebrado, deixado por seu pai (Jude Law). Um dia, ao fugir do inspetor (Sacha Baron Cohen), ele conhece Isabelle (Chloe Moretz), uma jovem com quem faz amizade. Logo Hugo descobre que ela tem uma chave com o fecho em forma de coração, exatamente do mesmo tamanho da fechadura existente no robô. O robô volta então a funcionar, levando a dupla a tentar resolver um mistério mágico.

Por Davi Gonçalves

A INVENCAO DE HUGO CABRET02

Há muito que se falar sobre a extensa filmografia de Martin Scorsese, mas o que mais chama a atenção é sua versatilidade. O cineasta já trafegou por vários gêneros, mas faltava-lhe ainda um filme que pudesse ser assistido por seus filhos – como o próprio argumentou. Este foi o ponto de partida para a concepção de A Invenção de Hugo Cabret – uma requintada produção que atende aos anseios do diretor tanto como pai quanto, principalmente, como cinéfilo que é.

Paris, 1930. Após a morte de seu pai relojoeiro, o jovem e inocente Hugo vai viver na Gare Du Nord, a famosa e exuberante estação de trem da capital francesa – e lá, o órfão passa seus dias acertando os relógios e sobrevivendo de pequenos furtos. Além do talento com as engrenagens, Hugo também herdou do pai um misterioso autômato, que ele tenta remontar com as peças roubadas da loja de brinquedos da estação. Um dia, pego em flagrante, Hugo é obrigado a trabalhar no local e lá acaba se tornando amigo da enteada de seu chefe. O que as duas crianças não imaginam é que o dono do comércio é o velho cineasta George Méliès – e entre muitas aventuras, os dois vão se aprofundando cada vez mais no passado daquele homem.

Uma característica que me encanta em Scorsese é o pleno domínio de linguagem que o autor possui. Isto, é claro, só pode ser fruto das incontáveis horas que o diretor passou estudando cinema – Scorsese é sinônimo de erudição cinematográfica, todos sabem disso (não à toa, ele é fundador da The Film Foundation, uma organização responsável pela restauração de filmes antigos e raros). Perito na área, Martin consegue explorar com propriedade várias vertentes – e em A Invenção de Hugo Cabret não é muito diferente: ele tem pleno poder sobre o que está em suas mãos, mesmo que esta linguagem para ele seja “nova” (afinal, é a primeira incursão de Martin em um filme infantil e rodado em 3D). Contrariando os que duvidavam de sua capacidade de estar à frente de um projeto juvenil, bastam alguns poucos minutos de sua película para entendermos o quão genial é Scorsese.

A INVENCAO DE HUGO CABRET03

Visualmente arrebatador, A Invenção de Hugo Cabret faturou os principais prêmios técnicos do Oscar. E não é conversa: o longa é realmente majestoso. Com uma fotografia primorosa, dourada e cheia de luz (recriando bem a Paris da época), alguns movimentos de câmera improváveis surgem a todo instante, revelando cenários de tirar o fôlego, que são valorizados com a ótima montagem. Repare, por exemplo, na profundidade da câmera ao capturar a plataforma da estação parisiense. O 3D aqui é fundamental. É interessante analisar que Scorsese o utiliza de forma magistral, não apenas depara ornamentar sua fita, mas principalmente como instrumento para contar sua história, o que a enriquece muito mais. Outro aspecto importante de ser mencionado é o trabalho de som, muito bem editado (como na cena em que um trem quase atropela o pequeno Hugo). Além disso, o elenco estelar é competente em sua tarefa: se Asa Butterfield emprega bastante docilidade na construção do protagonista, os demais nomes fazem jus à proposta.

Mas, apesar de ser um filme com crianças, A Invenção de Hugo Cabret não é exclusivamente para elas – e é aqui que entendemos sua dimensão. Apaixonado por cinema, Martin Scorsese faz uma bela homenagem aos primórdios desta arte através da figura de Méliès. Quem não o conhece, terá a oportunidade de ser introduzido ao universo deste fantástico artista. Enquanto os irmãos Lumière (os criadores do cinematógrafo, que Méliès tentaria inutilmente adquirir) filmavam banalidades rotineiras, Méliès era um velho conhecido do teatro de variedades – e isto foi essencial para que ele levasse às telas o ilusionismo. Por esta razão, até hoje George Mélièr é considerado o pai dos efeitos especiais. Infelizmente, sua produção de mais de 500 obras se perdeu com o tempo e pouca coisa foi recuperada – mas sua memória ainda vive. Scorsese junta todo este material e cria um filme que engrandece o cinema como arte. Embora existam algumas oscilações no roteiro (que ora foca o garoto, ora foca Méliès – e isso acaba o deixando um tanto desconexo), A Invenção de Hugo Cabret é, de longe, um dos momentos mais inspirados de Martin, repleto de significados e que se revela uma verdadeira ode à sétima arte.

A INVENCAO DE HUGO CABRET01

PRÊMIOS

CCINE10
Ganhou: Melhor Atuação Mirim

OSCAR
Ganhou: Melhor Fotografia, Melhor Mixagem de Som, Melhor Edição de Som, Melhor Efeitos Visuais e Melhor Direção de Arte.

Indicações: Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Montagem, Melhor Figurino e Melhor canção original.

GLOBO DE OURO
Ganhou: Melhor Direção

Indicações: Melhor Filme Drama e Melhor Trilha Sonora.

BAFTA
Ganhou: Mehor Design de Produção e Melhor Som

Indicações: Melhor Filme, Melhor Fotografia, Melhor Edição, Melhor Figurino, Melhor Maquiagem e Cabelo, Melhores Efeitos Visuais e Melhor Direção.

GRANDE PRÊMIO DO CINEMA BRASILEIRO
Indicação: Melhor Filme Estrangeiro

TRAILER

Comente pelo Facebook

3 Comentários