A MENINA QUE ROUBAVA LIVROS (Crítica)

A MENINA QUE ROUBAVA LIVROS

3estrelas

Por Carlos Pedroso

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Obras literárias de grande apelo popular são sempre acometidas pela grande dificuldade numa adaptação cinematográfica, seja tão somente pelo processo de produção – escalação de elenco, direção e equipe técnica -, como expressamente pelos detalhes que compreendem a paixão dos fãs pela literatura do autor. A obra prima de Markus Zusak, A Menina Que Roubava Livros, demorou um bom tempo para ganhar os cinemas, até que, no início de 2013, obteve o aval para sua tão esperada estréia nos cinemas, com comando de Brian Percival – conhecido por seu trabalho na premiada série Downton Abbey.

Numa releitura bastante dócil, diferente da frieza e contemplação presentes em todos os relatos da estória de Zusak, a visão aérea de Percival para A Menina Que Roubava Livros é a prova de que o cinema sempre pode se submeter às possibilidades narrativas. Não se prendendo a detalhes que somente cabem à literatura, e entregando àquilo que é perceptível aos olhos do espectador, o diretor faz uma acurada construção da heroína Liesel Meminger – interpretada pela irregular (mas bela) Sophie Nélisse – sempre deixando que seus anseios e inocência sejam expressos naturalmente em seus atos, compreendidos por movimentos de câmera tão delicadamente explorados. Quase um estudo sobre o exercício infantil (curioso e inocente) em meio à hostilidade de uma Alemanha em Guerra, o horror expressionista da atmosfera visual e sonora do filme se tornam por menores meio à relação -amorosa- pré-estabelecida nos primeiros instantes do longa -entre Liesel e o encantador Rudy (Nico Liersch). Se fazendo de planos no melhor estilo ‘Steven Spielberg, manipulador de audiências’, os problemas de A Menina Que Roubava Livros se desvendam a partir do momento que o tato de Percival, para além de sua notável competência fílmica, se torna questionável quanto à lentidão rítmica num segundo momento da narrativa, onde o comodismo se faz personagem.

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Tão ingênuo e pueril quanto imperfeito, apesar das entrelinhas e da sensação de fluxo inerte, o que Percival e elenco – em especial Geoffrey Rush e a maravilhosa Emily Watson – alcançam nessa adaptação bonitinha e eficaz de A Menina Que Roubava Livros é, sobretudo, uma forma de amenizar o âmago e a frieza que acomete toda a obra na qual se baseia. Se por um lado o que potencialmente poderia vir ser uma memorável adaptação acaba decepcionando por nunca ser ambiciosa o suficiente, a sutileza de Percival por toda a aventura histórica de Liesel Meminger, em seus 131 minutos, é, em toda comoção, uma prazerosa (e necessária) experiência. É o Cinema em sua forma essencialmente bela e nostálgica.

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SINOPSE

Durante a Segunda Guerra Mundial, uma jovem garota chamada Liesel Meminger sobrevive fora de Munique através dos livros que ela rouba. Ajudada por seu pai adotivo, ela aprende a ler e partilhar livros com seus vizinhos, incluindo um homem judeu que vive na clandestinidade.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Brian Percival” espaco=”br”]Brian Percival[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Markus Zusak e Michael Petroni
Título Original: The Book Thief
Gênero: Drama
Duração: 2h 11min
Ano de lançamento: 2014
Classificação etária: 12 anos

TRAILER

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1 Comentário

  1. João Gabriel

    Ótima dissertação. Só acho que falou muito bem do filme para ter dado três estrelas. Com um texto desse, esperava 4 ou 5.