A Noite Devorou o Mundo (Crítica)

Davi Gonçalves

Sam chega um tanto apreensivo no apartamento daquela que parece ser sua ex-namorada, Fanny. É uma noite de festa, mas o rapaz não quer saber de papo: ele só deseja pegar suas coisas e dar o fora, apesar da insistência da moça para que ele fique e converse com ela. A contragosto, ele aceita tomar um drinque e ficar em um canto, sozinho. Quando esbarra em um dos convidados, Sam acaba adormecendo em um dos cômodos. Ao acordar na manhã seguinte, a surpresa: o prédio está destruído e a capital francesa foi tomada por zumbis.

Baseado no romance homônimo de Martin Page (que assina a obra sob o pseudônimo – e anagrama – Pit Agarmen), A Noite Devorou o Mundo é o longa de estreia de Dominique Rocher e vai muito além de um tradicional filme sobre zumbis. Na contramão dos seus colegas de gênero, A Noite Devorou o Mundo é um drama apocalíptico cuja trama é centralizada em seu protagonista: vivido pelo excelente Anders Danielsen Lie, Sam é um jovem solitário, introspectivo e que pouco interage com o mundo à sua volta. A princípio, ele acredita ser o único sobrevivente da catástrofe; assim, seu maior desafio é manter-se nesta nova realidade, sustentando sua humanidade.

A Noite Devorou o Mundo (Crítica)

A narrativa, entretanto, é quase nula dos clichês do gênero: não espere perseguições de tirar o fôlego, sangue jorrando para todo lado, vísceras e membros voando por aí (em alguns momentos, isso até ocorre, mas em uma intensidade muito menor). Com um argumento relativamente simples e sem muitas firulas, A Noite Devorou o Mundo é praticamente um manual de sobrevivência ao fim dos tempos, mas redigido com uma sensibilidade e melancolia que não são tão comuns a esta categoria cinematográfica. No lugar dos tiros, carnificinas e exposição gratuita, temos um protagonista que passa a maior parte do tempo produzindo música com o que tem à sua disposição; se exercitando; organizando a “despensa”; ou mesmo dialogando com Alfred (um morto-vivo que, por algum motivo, fica preso no elevador do prédio). Curiosamente, A Noite Devorou o Mundo pode ser encarado como uma profunda crítica à solidão do homem na nossa contemporaneidade – e a maior expressão dessa ideia pode ser encontrada no fato de Sam encerrar o filme da mesma forma como o iniciou: só. A frase eternizada por Tom Jobim (“É impossível ser feliz sozinho…”) é colocada em pauta: em uma sociedade cada dia mais individualista e egoísta, é possível viver sozinho?

Pôster de divulgação: A Noite Devorou o Mundo

Pôster de divulgação: A Noite Devorou o Mundo

SINOPSE

Após um noite de festa com muita bebida, Sam (Anders Danielsen Lie) acorda completamente sozinho em seu apartamento. Ainda confuso ele descobre um terrível acontecimento: a cidade de Paris está tomada por zumbis famintos. Rapidamente ele começa a proteger o prédio em que vive e elabora estratégias para conseguir manter-se vivo em meio a catástrofe. No entanto, ele ainda não tem certeza se é o único sobrevivente neste cenário hostil.

DIREÇÃO

Dominique Rocher Dominique Rocher

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Dominique Rocher, Jérémie Guez
Título Original: La Nuit a dévoré le monde
Gênero: Fantasia, Terror
Duração: 1h 34min
Classificação etária: 14 Anos
Lançamento: 5 de julho de 2018 (Brasil)

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