A OUTRA (Crítica)

A OUTRA

4estrelas

FICHA TÉCNICA

Título original: The Other Boleyn Girl
Lançamento: 2008
Produção: Estados Unidos
Gênero: Drama
Direção: Justin Chadwick
Roteiro: Peter Morgan e Philippa Gregory

Sinopse: Ana (Natalie Portman) e Maria (Scarlett Johansson) são irmãs que foram convencidas por seu pai e tio ambiciosos a aumentar o status da família tentando conquistar o coração de Henrique Tudor (Eric Bana), o rei da Inglaterra. Elas são levadas à corte e logo Maria conquista o rei, dando-lhe um filho ilegítimo. Porém isto não faz com que Ana desista de seu intento, buscando de todas as formas passar para trás tanto sua irmã quanto a rainha Catarina de Aragão (Ana Torrent).

Por Loverci Ferreira

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Quem gosta de história mundial não deve perder esse filme que fala um pouco sobre o modo de vida da Inglaterra do século XVI, mas para entender melhor os acontecimentos que fizeram parte deste país, sugiro que vocês vejam a seguinte sequência de filmes:

– A jovem rainha Victoria (que teve o mais longo reinado e é trisavó de Elizabeth ou Isabel II) .

-A outra ( Rei Henrique VIII e Ana Bolena, mãe de Elizabeth I )

– Elizabeth ( a ascensão de Elizabeth I ao trono )

– Elizabeth – a era de ouro (os desafios de ser rainha num mundo dominado por homens )

– Shakespeare apaixonado ( Elisabeth I, com certa idade e sua defesa pelo teatro

– O discurso do Rei ( rei Jorge VI pai da atual rainha Elizabeth II )

– A rainha ( Elisabeth II e a morte da princesa Diana )

Bom à homenageada deste mês tem tudo para se tornar a nova Meryl Streep, não que vá existir alguém que substituíra essa atriz mais experiente, mas Natalie Portman tem se mostrado cada vez melhor em suas atuações.

Ela é famosa por ofuscar outras atrizes com sua interpretação, o que fica muito claro ao lado de Julia Roberts em “Closer – perto demais”, assim como consegue roubar a cena numa participação especial em “Cold Mountain”, deixando Nicolle Kidman a atriz principal deste filme no chinelo.

Natalie Portman se entrega mesmo ao seu personagem nas telas e não tem medo de perder a sua beleza para sustentar os seus papéis, como é o caso de “V de vingança” em que ela emagrece muito e perde seus lindos cabelos e fica horrível em “Sombras de Goya” provando para nós que é muito mais do que apenas uma atriz com rosto bonito

Em “A outra” ela atua ao lado de Scarlett Johansson, que digo não me incomoda como atriz, mas ao meu ver ela simplesmente “dá” o texto sem grandes atuações.

A história se passa na corte da Inglaterra no século XVI, onde o Rei Henrique VIII ou Henrique Tudor (Eric Bana) mandava em todas as pessoas e inclusive na vida pessoal deles, casado com Catarina de Aragão da Espanha a rainha não gerou um filho que pudesse assumir o trono, então o rei procura nas redondezas alguma jovem que possa gerar o futuro rei da Inglaterra.

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Sabendo disto o pai e tio das jovens tem a ambição de aumentar o status de sua família e usam as jovens irmãs para isso, numa visita do rei a casa dos Bolenas tudo esta certo para que a jovem Ana Bolena (interpretada por Natalie Portan) se torne amante do rei, mas desde o principio fica claro a personalidade forte dessa mulher que nem sempre deixa que sua vida seja comandada pela vontade dos homens.

Numa caçada o Rei Henrique e Ana tem a oportunidade de se conhecerem melhor, mas ele acaba sofrendo um acidente e acaba passando um tempo na casa dos Bolenas afim de se recuperar.

Os cuidados de vossa majestade são passados para a irmã mais nova Maria (Scarlett Johansson) e o rei acaba se apaixonando por sua doçura e a leva para ser dama de companhia de sua esposa na corte.

Ana segue junto e acaba engolindo seu orgulho ao seu trocada por sua irmã e comete alguns erros o que acaba fazendo com que seja exilada na corte Francesa, mas ela acaba voltando no momento em que Maria esta grávida do rei e passa por uma gestação de alto risco.

È o momento que ela espera para se vingar de sua irmã e família e também afastar do trono a Rainha Catarina, logo ela faz perceber sua figura perante o rei que se encanta por essa mulher forte e de língua solta, a obsessão dele se torna maior ao saber que em todo o reino ela é a única mulher que ele não pode ter.

Maria acaba gerando um filho ilegítimo do rei e fica muito claro que as mulheres tem o papel de objeto sexual e de procriação na mão dos homens, o que é contestado por sua mãe Lady Elizabeth, com a interpretação sempre incrível de Kristin Scott Thomas.

Os costumes de uma época são bem retratados no filme com o roteiro escrito por Peter Morgan adaptado do livro de Philippa Gregory e esta é a segunda adaptação da história, a primeira foi “The other Boleyn Girl” de 2003 feito para a TV.

Apesar de sabermos que foi usado como base uma história real, há muito de ficção na trama para que o filme fique mais interessante ao espectador, uma forma de usar a famosa licença poética em uma história.

O figurino do filme é um espetáculo a parte, as roupas são muito bem desenhadas e confeccionada e os detalhes de joias e acessórios bem interessantes, claro que tudo isso só se faz notar com cenários e objetos de cena muito bem escolhidos com a produção do filme realizada por Alison Owen e Scott Rudin e como há muitas cenas internas, a iluminação optou por manter quase tudo meio escuro, com luzes mais claras vindo de fora das grandes janelas do palácio.

Este filme é o primeiro trabalho do diretor Justin Chadwick, que mostra logo de cara o seu talento ao dirigir uma história grandiosa e ao mesmo tempo tensa, o filme em si é muito bom e nada nele incomoda, mas o que mantêm a nossa atenção do começo ao fim é mesmo o trabalho sempre memorável de Natalie Portman.

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1 Comentário

  1. Vanessa

    Excelente crítica! PArabéns! Muito superior a feita pelo pessoal do omelete. Interessei-me pelo filme pelo momento histórico que retrata. realmente existem escolhas que o roteirista faz para deixar o rei mais “mocinho” do que os historiadores acreditam que ele realmente era. acho que poderiam em uma próxima adaptação mostrar que ana bolena sobe ao poder porque também interessava para todos naquele momento, e um tempo depois os mesmos que a ajudam a ter esse poder resolvem matá-la porque convinha. e esse rei não se cansava de trocar de mulher! ao todo foram seis (sem contar as amantes) ele largava, tramava ou mandava matar, sempre alegando motivos “legítimos”. Acho que falta mostrar esse lado. ValeU CCINE10!