A RELIGIOSA (Crítica)

A RELIGIOSA

3estrelas

Por Emílio Faustino

Polêmico, pero no mucho

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Sabe quando você bate o olho em um cartaz, vê o título, a imagem e fica super interessado em ver o filme? Foi exatamente assim que me senti quando vi o pôster de “A Religiosa”, entrei no cinema a espera de um filme polêmico e sai de lá com as minhas expectativas atendidas. (O que, diga-se de passagem, é raro).

O longa “A Religiosa”, mostra a religião (no caso a católica), em vários aspectos, primeiro a relação da personagem com a religião, que embora não queira viver em um convento afirma amar Jesus. Depois a relação da personagem principal com a família, que encontra na religião uma de forma manter a personagem longe de problemas. E por fim, o filme mostra a relação dos religiosos com a nossa protagonista, que no filme chega a condição de freira contra a sua própria vontade.

Indicado para a Competição Oficial do 63º Festival de Berlim, “A Religiosa” é uma adaptação de obra homônima do escritor francês Denis Diderot. O filme retrata a vida de Suzanne Simonin (Pauline Etienne), que na França do século XVIII é obrigada pela família a viver em um convento. Destaque para direção de arte e figurino do filme, que consegue recriar o luxo e a sofisticação da época, com roupas ostentosas e cenários incríveis.

A atuação não deixa a desejar, Pauline Etienne que vive Suzanne “A Religiosa”, conseguiu captar as nuances de uma personagem aparentemente frágil e perdida, que mais tarde se revela forte e decidida. Os olhos claros e vibrantes da atriz, foram sabiamente usados e abusados pelo diretor, olhos de bondade e pureza que remetem a personificação perfeita do cordeiro sacrificado no altar das crenças sociais do século XVIII.

O filme é permeado por mentiras e segredos, que expõem um lado pouco divulgado da igreja católica, interessante observar que o fato da personagem não conseguir mentir torna-se justamente o seu maior calvário. Ao passo que a mentira e os segredos tornam-se os seus únicos aliados para escapar da situação que se encontra. Uma clara crítica do filme a igreja, que por sua vez coloca a mentira como pecado, mas acaba por recriminar os que fazem uso da verdade.

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Um ponto interessante na história é que Suzanne passa por humilhações e assédios por parte de madres superiores. Primeiro é humilhada pela madre superior que não gostava dela, e depois que muda de convento é assediada pela madre que gostava dela até demais. (Se é que vocês me entendem). Nos dois extremos, as cenas são fortes e muito bem executadas, com direito a nudez total da atriz que deu ao filme um tom artístico sem ser vulgar.

O Diretor, Guillaume Nicloux, utiliza este cenário e seus personagens para apresentar uma heroína libertária e anti-clerical, que luta para sobreviver a uma vida religiosa que não escolheu. Na verdade, trata-se de um filme que fala sobre escolhas e sobre aquele conceito convenientemente esquecido do livre-arbítrio. Também conhecido como o poder que Deus nos deu e que os religiosos insistem em nos tirar.

Essa é a segunda versão do romance “A Religiosa”, e Guillaume Nicloux já declarou em entrevistas que preferiu não assistir a primeira versão do filme, realizada em 1966 por Jacques Rivette, optando pelo exaustivo confronto com a obra original de Diderot.

Embora aborde um tema polêmico, o filme encontra espaço para sutileza. Poderia ter sido mais polêmico? Sim, poderia, mas nos dias de hoje o conceito de “polêmico” não está muito distante da ideia do “banalizado”.

Este filme, com esta abordagem em outros tempos teria causado um verdadeiro alvoroço, nos dias de hoje acaba sendo apenas mais um filme mostrando um lado obscuro da igreja. É bom, vale a reflexão, mas não traz exatamente algo novo, nem na forma, nem no conteúdo.

Pensando bem, teria sido melhor o diretor ter dado uma olhadinha na primeira versão do filme de 1966. Digo isso, porque fica difícil apresentar algo novo, quando não se conhece aquilo que já existe. De qualquer forma, o filme mostra bem a hipocrisia da igreja católica e a distancia que existe entre o ato e a palavra, vale a pena conferir!

“A Religiosa” estreia dia 06 de setembro no Brasil. A censura do filme é de 14 anos.

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SINOPSE

No século XVII, a jovem Suzanne (Pauline Étienne) sonha em ter uma vida livre, mas seus pais têm outros planos para ela: colocá-la em um convento. Embora resista aos planos, Suzanne é forçada a seguir a preparação para a vida religiosa, entre madres superiores tirânicas, e outras carinhosas em excesso… Aos poucos, a jovem começa a preparar seu plano de fuga.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Guillaume Nicloux” espaco=”br”]Guillaume Nicloux[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Denis Diderot, Guillaume Nicloux e Jérôme Beaujour
Título Original: La Religieuse
Gênero: Drama
Duração: 1h 47min
Ano de lançamento: 2013
Classificação etária: 14 Anos

TRAILER

 

 

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2 Comentários

  1. pedro

    Tem um grande erro com a sinopse, concertem.

    • Kadu Silva

      Bem observado Pedro, sinopse alterada.