A REPARTIÇÃO DO TEMPO (Crítica)

Kadu Silva

Inteligente ficção cientifica brasileira

É gratificante verificar que a produção cinematográfica brasileira está a cada dia apresentando filmes que fogem do obvio modelo comercial de sempre, que são as comedias saturadas ou os autorais que quase ninguém assiste.

O filme A Repartição do Tempo é uma ficção cientifica, muito inteligente que usa o formato fantástico para criticar um sério problema que enfrentamos no país, que a enorme burocracia do sistema público.

No filme que ocorre em Brasília no ano de 1980, o Dr. Brasil (Tonico Pereira), leva sua máquina de viagem no tempo para o REPI, órgão de registro de Patentes e invenções, para patentear seu aparelho, após deixar a máquina lá, fica sabendo que deve demorar alguns anos para ter o registro, em função do grande número de pedidos, por isso Jonas (Edu Moraes), leva diretamente a máquina para o arquivo e lá ele a aciona e acaba voltando alguns minutos no tempo, seu chefe Lisboa (Eucir de Souza), vê o ocorrido na câmera de segurança e resolve usar a máquina para resolver a negativa avaliação do departamento diante da imprensa e da opinião pública.

A REPARTIÇÃO DO TEMPO (Crítica)

O roteiro original dos estreantes Davi Mattos e Santiago Dellape, é muito inteligente como ideia, principalmente porque soube usar o formato fantástico da ficção cientifica para colocar em pauta diversos problemas da máquina público do Brasil e transformar essa discussão extremamente pertinente numa leve e pop experiência para o espectador. O grande problema do roteiro é o plano do chefe da repartição que é fraco e cheio de falhas, sem contar que as soluções encontradas são completamente inversas a ideia original do longa.

Mas a direção muito criativa de Santiago Dellape, acaba dando ao filme um status muito bom, pois ele conseguiu numa locação reduzida passar toda a ideia do roteiro. Os elementos de época são muito bem pesquisados e o uso dos efeitos visuais para a viagem no tempo são competentes, mas o que segura o filme, é o elenco formado por atores de teatro pouco conhecidos do grande público, carismáticos e com personalidade dúbia de vilões e mocinhos, rapidamente caem na graça do público.

A Repartição do Tempo mostra como é possível usar o formato fantástico e ainda assim ser uma obra poderosa na crítica dos problemas governamentais do país.

Pôster de divulgação: A REPARTIÇÃO DO TEMPO

Pôster de divulgação: A REPARTIÇÃO DO TEMPO

SINOPSE

Brasília, início da década de 1980. O REPI (Registro de Patentes e Invenções) acaba de ser capa de uma importante revista nacional, que o coloca como exemplo da burocracia existente no governo. Lisboa (Eucir de Souza), o chefe, não gosta nem um pouco da reportagem e decide cobrar atitude de seus funcionários, que fazem de tudo menos trabalhar. Paralelamente, o Dr. Brasil (Tonico Pereira) deseja patentear uma máquina do tempo e a deixa no REPI. Ao colocar o aparelho no estoque, Jonas (Edu Moraes) acidentalmente o aciona e, consequentemente, volta no tempo.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Santiago Dellape” espaco=”br”]Santiago Dellape[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Davi Mattos, Santiago Dellape
Título Original: A Repartição do Tempo
Gênero: Ficção Cientifica, comedia
Duração: 1h 40min
Classificação etária: 14 anos
Lançamento: 1 de fevereiro de 2018 (Brasil)

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