A TORRE NEGRA (Crítica)

Elisabete Alexandre

Pouco mais de 72 horas depois de ver a adaptação para os cinemas da coleção literária icônica de Stephen King “A Torre Negra”, dentre essas alguns minutos perdidos encarando os livros em minha prateleira, cheguei a conclusão de que essa crítica precisa ser divida em duas partes: uma voltada àqueles que leram a obra e uma outra para os que não o fizeram. De qualquer forma, são caminhos diferentes que levam ao mesmo destino.

Começarei com foco no público que leu os livros e tem uma expectativa enorme sobre o filme, afinal, é a história favorita de muitos fãs do autor (não a minha, apesar de gostar bastante) – sem spoilers, prometo -. Com certeza alguns de vocês acompanharam a epopéia que foi a produção desse filme, caso negativo, segue um breve resumo: tudo começou com J.J. Abrams no comando de um projeto de uma série de filmes, criando uma boa esperança a todos, só que daí veio Star Trek e Abrams disse que não conseguiria dar continuidade a ele; depois, tivemos Ron Howard e a audaciosa ideia de adaptação que incluiria não só uma trilogia como também uma minissérie, mas a Universal e a NBC disseram que o plano era financeiramente inviável; ainda houve um breve momento com a HBO que, encantada com o grande sucesso de Game of Thrones, aparentemente financiaria a minissérie, mas não rolou; finalmente, chegamos a Nikolaj Arcel na direção, Idris Elba no papel do Pistoleiro, Roland Deschain, e Matthew McConaughey na pele do Homem de Preto (ufa!). Enfim, desde o começo tinha tudo para dar errado e, meio que deu mesmo. Ok, vamos lá, se eu falar que tudo é muito ruim, estarei mentindo; de fato, foi divertido assistir ao longa no cinema; em vários momentos lembrei de trechos dos livros, em alguns pensei “cara, não é bem isso…”, mas o que dói mesmo é pensar que mais de quarenta anos de trabalho (Stephen começou a escrever a história em 1970 e o último livro saiu em 2012) estão ali, compilados em uma hora e trinta em cinco minutos de filme (escrevi o número por extenso para você entender a gravidade da questão!). É isso mesmo que você leu: não há qualquer interesse em fazer uma continuação, uma websérie que fosse, nada. Mais de cinco mil páginas de um fantástico e complexo universo criado por King “resumidos” em mais ou menos noventa e cinco páginas de roteiro. Cara, assim, não tem como isso ficar bom. De primeira você vai até sair do cinema animado, pensando “legal! Gostei!”, depois vai ter uma epifania do tipo “não, pera” e então vai sentir vontade de deitar na sua cama em posição fetal e chorar de tristeza por uma história que tem tudo para ser uma fantástica adaptação para os cinemas sendo desperdiçada dessa forma.

A TORRE NEGRA (Crítica)

Agora, para os que sequer ouviram falar da Torre Negra antes, um aviso bem sincero: vocês vão ficar perdidinhos. Boa parte do filme não tem qualquer explicação (posso arriscar em dizer todo? Talvez…), os mundos, os personagens, o conflito, as raças… tá tudo ali como se você tivesse recebido um memorando em casa do tipo “A Torre Negra para Leigos” com as informações necessárias para entender um universo inteiro que levou mais de quarenta anos para alguém criar. Simples, não? Pois é, eu sei que não. Fiquei pensando por muito tempo se neste caso a produção do filme em si, os efeitos, as cenas de ação e até mesmo a sonoplastia, não seriam suficientes para fazer dele um bom entretenimento e cheguei a conclusão de que sim, mas não seja muito exigente, ok? As cenas de ação são boas, mas não espetaculares; elas permanecem numa zona de conforto fotográfica, uma pena, poderiam ter sido muito mais agressivas e inovadoras pois o filme pedia e merecia isso. Ao contrário de uma opinião que escutei, no quesito sonoro o filme não é de todo mau, Junkie XL conseguiu salvar bem mas tá muito longe de ser um de seus melhores trabalhos.

Pois bem, agora vamos às partes dessa crítica que interessa a todos: os pontos positivos. Idris e Matthew estão maravilhosos em seus papéis, é um show de interpretação mesmo que seus personagens não tenham sido muito bem desenvolvidos, mesmo que você não conheça suas histórias, convicções, objetivos reais, motivações… ainda assim é possível sentir uma certa empatia. O engraçado, muito provavelmente, será a sua relação com o vilão, o Homem de Preto ou Water, como preferir; ele tem todo aquele jeitão galanteador, carismático, no melhor estilo assassino em série; adorei. E Idris, ao menos para mim, foi uma surpresa; não esperava que ele conseguisse carregar um personagem tão cheio de falhas em sua formação (será que ele leu ao menos o primeiro livro? Faria sentido se alguém me dissesse que sim). Outro ponto positivo é o diretor, Nikolaj Arcel; sei que muitos não gostam dele, acham a sua narrativa lenta, mas eu discordo; gosto da forma como ele conduz uma história, aliás, faltou mais dessa sua “lenta narrativa” nesse filme, talvez isso trouxesse o tempo necessário para um maior entendimento de tudo o que acontece ali.

Finalizando, há mais pontos negativos do que positivos, certamente. Porém, não acredito que seja um filme a ser descartado de ser visto nos cinemas, ao contrário, ele terá um resultado muito melhor lá do que se visto em casa, apesar de tudo. Aos fãs de King (eu aqui, me dá um abraço), principalmente os que gostam dessa história em específico, a presença em frente às telonas é praticamente obrigatória, mesmo que o filme não cumpra as suas expectativas. Aos que nunca ouviram falar na história, mas curte uma ficção-fantástica e algumas cenas de ação, vale dar uma chance, às vezes o filme te surpreende.

Pôster de divulgação: A TORRE NEGRA

Pôster de divulgação: A TORRE NEGRA

SINOPSE

Um pistoleiro chamado Roland Deschain (Idris Elba) percorre o mundo em busca da famosa Torre Negra, prédio mágico que está prestes a desaparecer. Essa busca envolve uma intensa perseguição ao poderoso Homem de Preto (Matthew McConaughey), passagens entre tempos diferentes, encontros intensos e confusões entre o real e o imaginário. Baseado na obra literária homônima de Stephen King.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Nikolaj Arcel” espaco=”br”]Nikolaj Arcel[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Akiva Goldsman, Jeff Pinkner, Anders Thomas Jensen, Nikolaj Arcel
Título Original: The Dark Tower
Gênero: Fantasia, Aventura
Duração: 1h 37min
Classificação etária: 14 anos
Lançamento: 24 de agosto de 2017 (Brasil)

Comente pelo Facebook