A TRAVESSIA (Crítica)

A TRAVESSIA

3estrelas

Por Elisabete Alexandre

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Em maio desse ano eu fui à Nova Iorque. Nunca havia estado nos Estados Unidos antes, por falta de interesse mesmo – no topo da minha lista encontram-se outros destinos, não a terra do Tio Sam -, porém surgiu a oportunidade e viajar é sempre bom, uma experiência, um aprendizado. Assim como a maioria das pessoas que visitam a cidade, eu fui ao Memorial Nacional do 11 de Setembro, e me lembro muito bem da sensação. Dois enormes buracos no chão, o mármore negro ao redor com os nomes das vítimas gravados e o som da água caindo no que parece o infinito, bem no meio daquilo tudo. A sensação foi de um imensurável vazio. Me senti bastante desconfortável, bem, não era para ser o contrário, afinal, e eu lembrei disso ao assistir A Travessia, filme biográfico que conta a história de como o equilibrista Philippe Petit ficou mundialmente famoso ao atravessar, em um cabo de aço e sem cabo de segurança, de uma para a outra, As Torres Gêmeas do World Trade Center em Manhattan.

No filme, Philippe é interpretado por Joseph Gordon-Levitt (Looper e A Origem), e mesmo tendo lido muitas críticas negativas a respeito da sua atuação e maquiagem (leia-se ‘lentes de contato azul’), achei a interpretação dele razoável, até mesmo o seu sotaque francês convence. Joseph é um ator mediano, na minha opinião, até o momento ele não fez nenhum trabalho que eu tenha considerado notável. Porém, de forma alguma ele é um mau ator. Inclusive, em muitos momentos do filme, Philippe pode te irritar por sua teimosia (ou seria obstinação?), mas, no fim, você acaba abraçando o sonho dele e torce para que tudo dê certo. Ok, você já sabe que dará, mas aqui o que importa é saber como tudo acontece. Vamos dar créditos à atuação de Joseph aqui.

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Em um primeiro momento, você pode até pensar: “O quê tem para se contar nessa história? É só um cara louco que se equilibra em um cabo de aço! Precisa mesmo de duas horas?”. Falo por experiência própria, de fato, a premissa não parece muito boa, mas Robert Zemeckis (Náufrago), diretor e roteirista de A Travessia, consegue prender a nossa atenção por todo esse tempo e, é preciso admitir, não foi uma tarefa fácil. Talvez ele tenha trazido essa experiência de Náufrago, onde Zemeckis é responsável, também, pela direção, mas não pelo roteiro. Mesmo que Náufrago tenha um ótimo ponto de partida, manter a atenção de quem o assiste inteiramente voltada para a tela não foi nada simples, e Zemeckis não decepcionou.

A Travessia não apenas te conta uma história, mas também passa a mensagem de que uma ideia insistente em nossa cabeça, por mais absurda que ela possa parecer, pode dar certo, e que a magnitude da mesma é proporcional à ajuda necessária para que ela se concretize. Gratidão. Esse é um sentimento presente e, ao mesmo tempo, ausente na história de Philippe, pois, em determinados momentos, achei que a arrogância dele prevaleceu, talvez você sinta isso também.

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SINOPSE

Philippe Petit (Joseph Gordon-Levitt) ficou conhecido no mundo todo depois de atravessar, de uma para a outra, As Torres Gêmeas do World Trade Center, em Manhattan, sem cabo de segurança. Isso você já sabe, o que você não sabe é como tudo aconteceu.

DIREÇÃO

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FICHA TÉCNICA

Roteiro: Robert Zemeckis e Christopher Browne
Título Original: The Walk
Gênero: Drama / Biográfico
Duração: 2h 03min
Ano de lançamento: 2015
Classificação etária: 12 Anos
Lançamento: 08 de outubro de 2015 (Brasil)

TRAILER

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