A VIAGEM (Crítica)

A VIAGEM

Complexo, mas de uma profunda filosofia sobre a vida

Os irmãos Wachowski responsáveis pela trilogia Matrix, voltam ao cinema, dessa vez em parceria com o diretor Tom Tykwer com uma ousada proposta, que é transformar o complexo livro, Cloud Atlas, do escritor David Mitchell em filme. O livro mostra através de 6 épocas distintas como nos seres humanos estamos ligados uns aos outros, e como através dessas épocas tomamos formas e identidades distintas – seria uma discussão filosófica se de fato existe vida após a morte, se nossas ações no presente influenciam gerações futuras e assim por diante.

Tudo começa em 1850 no período da escravatura nos Estados Unidos, passa em 1930 num caso homossexual, pula para 1970 onde a história é focada em uma jornalista, chega em 2012 na fuga de um grupo de idosos do asilo, salta para 2130 no local onde seria a Nova Seul e finalmente 100 anos adiante o que seria o período pós-apocalíptico.

Nessas seis épocas o mesmo “ser” com identidade diferente protagonizam a trama, ou seja, em cada época esse “ser” assume uma forma e essa forma vive alguma história importante que por incrível que pareça se conectam – tudo é muito sutil, mas tudo que acontece, tem uma razão para que as coisas avancem em cada uma das épocas.

Essa junção é realizada pela frenética montagem, que a todo o momento busca em determinada época explicações para os acontecimentos presentes. Portanto é um filme que requer muito atenção, pois a cada pequeno espaço de tempo, estamos mudando, saindo de uma subtrama para outra.

E por mais estranho que isso possa parecer, o roteiro consegue ter coerência ao passo que a narrativa vai avançando e a forma como tudo é bem montado, coloca o espectador completamente envolvido por todos aqueles personagens e histórias. Obviamente que algumas das tramas são mais interessantes que as outras, mas ainda assim conseguimos nos identificar com eles.

O problema a meu ver é na forma que foi estruturado o roteiro, pois as histórias paralelas são interessantes e sozinhas funcionam muito bem – algumas facilmente poderiam ter um filme solo, mas quando se juntam em algumas ocasiões perdem a forma, pois passamos de uma cena dramática e tensa para uma de comédia. Essa mudança radical acaba atrapalhando a conexão mais profunda do espectador e tira a força de algumas histórias. É uma inovação interessante, mas que vai causar incomodo em muitas pessoas.

Um dos aspectos que se destaca são os belos diálogos, repleto de mensagens filosóficas, que muitos irão achar desnecessário, mas que para mim se encaixa perfeitamente na proposta e fora que alguns são profundos e durante a cena causam arrepio de tão belos. Por exemplo, quando Adam Ewing (Jim Sturgees) diz ao seu pai “e o que é um oceano afinal, senão inúmeras gotinhas juntas?” referindo-se ao fato dele ser um dos poucos que estão, naquela época, contra a escravatura.

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Tecnicamente o filme é perfeito, a fotografia é um caso a parte, são pinturas cada frame do filme, um espetáculo a parte. Ainda vale menção a direção de arte perfeita, e a trilha sonora discreta, mas muito bela.

Mas sem dúvida o grande diferencial fica a cargo da montagem, que foi realmente um exercício complexo, afinal juntar pedaços de tramas com o objetivo que aquilo vira uma célula só, coerente, não é nada fácil. O trabalho é realmente impressionante, e muito bem realizado.

A direção do trio apresenta algumas soluções clichês, mas no geral é boa, afinal foram gravadas algumas das tramas separadas e ainda assim quando colocadas ao lado uma da outra, pareciam feita somente por uma mão, grande parte do feito se da para equipe técnica.

Já o elenco é de fato um grande diferencial, afinal conseguir viver personagens tão distintos e entregar para eles trejeitos, tom de voz e feições distintas não é para qualquer um. Todos estão ótimos, mas Jim Broadbent consegue com seu jeito peculiar roubar a cena em alguns momentos da história.

A Viagem é daqueles filmes que merecem ser contemplados e analisados com bastante cuidado, afinal ele é multi-narrativo e apresenta muitas coisas, o ideal é que se veja mais de uma vez para conseguir absorver toda aquela mensagem filosófica, sobre a vida e a morte e ainda nosso papel na história do mundo, isso mesmo, pois somos somente uma gotinha no oceano, mas que é um oceano afinal, senão inúmeras gotinhas juntas? Fica a dica.

DESTAQUE

Para perfeita caracterização dos personagens, afinal em algumas das tramas não é possível reconhecer os atores, devido ao excelente trabalho de maquiagem feito neles. (Forte candidato ao Oscar 2013).

SINOPSE

Seis histórias que, apesar de ocorrerem em épocas e países distintos, possuem uma interligação. No século XIX, Adam Ewing (Jim Sturgees) é um advogado enviado pela família para negociar a comprar de novos escravos. Ao retornar para casa, ele salva um escravo, Autua (David Gyasi), que está fugindo de Henry Goose (Tom Hanks), um médico que o envenenou.

Em 1930, o jovem e talentoso compositor Robert Frobisher (Ben Whishaw) ajuda o também compositor, e já idoso, Vyvyan Ars (Jim Broadbent). Durante o trabalho, Robert encontra uma crônica escrita por Ewing em um jornal em meio aos livros de Ars.

Em 1970, a jornalista Luisa Rey (Halle Berry) conhece Rufus Sixmith (James d’Arcy) quando o elevador em que ambos estão quebra. Tempos depois, ele a procura para revelar que estão encobrindo uma série de falhas no projeto de construção de um reator nuclear.

Nos dias atuais, Timothy Cavendish (Jim Broadbent) é dono de uma pequena editora, que lançou um livro que dificilmente dará retorno financeiro. Entretanto, a situação muda quando o autor do livro mata um de seus críticos, tornando-se uma celebridade instantânea.

Coreia do Sul (agora chamada de Nova Seul), futuro. Sonmi-451 (Donna Bae) é um clone que trabalha em um restaurante fast food. Ela foi programada para realizar todo dia as mesmas tarefas, sem manifestar qualquer reclamação, mas a situação muda quando outro clone acaba, sem querer, despertando-a sobre sua existência.

Futuro. Nova Seul foi tragada pelas águas há 100 anos, o que fez com que o local viva uma realidade pós-apocalíptica. Nesta época vive Zachry (Tom Hanks), o líder de uma tribo que venera Sonmi como se fosse uma deusa. Sua vida muda quando Meronym (Halle Berry), que integra um grupo evoluído chamado Prescients, lhe pede para viver com sua tribo.

A VIAGEM02

ELENCO

[do action=”cast” descricao=”Tom Hanks (Dr. Henry Goose)” espaco=”x”]01 Tom Hanks[/do][do action=”cast” descricao=”Halle Berry (Meronym)” espaco=”x”]02 Halle Berry[/do][do action=”cast” descricao=”Hugh Grant (Rev. Giles Horrox / Hotel Heavy / Lloyd Hooks / Denholme Cavendish / Seer Rhee / Kona Chief)” espaco=”x”]03 Hugh Grant[/do][do action=”cast” descricao=”Jim Sturgess (Adam Ewing / Hae-Joo Im)” espaco=”br”]04 Jim Sturgess[/do]

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Andy Wachowski, Lana Wachowski, Tom Tykwer” espaco=”br”]Andy e Lana Wachowski, Tom[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Andy Wachowski, Lana Wachowski, Tom Tykwer
Título Original: Cloud Atlas
Gênero: Drama, Ficção Científica
Duração: 2h 52min
Ano de lançamento: 2013
Classificação etária: 14 Anos

TRAILER

4estrelas

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