A VISITA (Crítica)

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Por Carlos Pedroso

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Os textos que costumam sair em tempos de filme novo do Shyamalan são sempre voltados pro fato de o diretor de O Sexto Sentido, supostamente, nunca mais ter acertado a fórmula que o levou a notoriedade cinematográfica. Poucos são os críticos que de fato se propuseram a estudar um dos mais criativos diretores contemporâneos dos Estados Unidos. A riqueza em detalhes e profundidade sobre a cultura americana por de trás da obra de Shyamalan quase sempre é substituída por uma leitura rasa de elementos de cinema de gênero e seu fracasso comercial. A Visita, sua mais recente obra prima, não apenas levantou a moral dele pelo sucesso inesperado em bilheteria, como também deixou evidente que Shyamalan (assim como Spielberg) está em sua fase mais prolífica e inventiva.

A Visita segue uma premissa bastante conhecida do cinema autoral e independente do final dos anos 90 (p. ex. A Bruxa de Blair), que se saturou ao decorrer dos anos 00 com os mockumentaries/found footage films. Entretanto, em A Visita, o diretor abraça as diversas características que esse tipo de cinema pode proporcionar pra construção de uma catarse narrativa anticlimática -e isso se evidencia pela brincadeira com o humor e o suspense ao decorrer de toda a trama- ao criar uma espécie de auto ironia com recursos de um cinema que ele mesmo ajudou a conceber. Aliás, o grande trunfo de Shyamalan é que ele não precisa de muita coisa pra ser esperto. A trama é basicamente a história de duas crianças que decidem conhecerem seus avós maternos e registrar tudo isso com uma câmera (!) no estilo investigativo universitário mais clichê possível.

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Logo no início do filme, somos apresentados a um enredo familiar bastante complexo, que Shyamalan faz questão de apenas nos inserir nele, sem dar pistas do que pode se suceder ou ter sucedido através dali. Acompanhamos, então, a rotina e as relações de uma semana desses dois personagens com esses idosos numa pacata cidade do interior. Nesse contexto, Shyamalan abre um parêntesis bastante singelo ao perpetuar a distância física e virtual que existe entre as famílias. O Skype, o Youtube, elementos da cultura pop, os aparatos tecnológicos e a câmera registrando tudo é parte dessa ideia de contradição entre a distância e a aproximação entre indivíduos de gerações distintas. E muito desse sentimento se deve a genialidade de Shyamalan em criar momentos introspectivos para o desenvolvimento daqueles personagens, em sua relação com o público e a câmera, que evidenciam uma característica nada dimensional, como costumeiramente se fazem as produções que buscam meramente o susto e piadas fáceis. Num filme de Shyamalan há sempre um por que para um personagem olhar para a câmera, citar Tyler, The Creator, ou se revelar diante de uma situação fraterna.

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SINOPSE

Um garoto (Ed Oxenbould) e sua irmã (Olivia DeJonge) são mandados pela mãe (Kathryn Hahn) para visitar seus avós que moram em uma remota fazenda. Não demora muito até que os irmãos descubram que os idosos estão envolvidos com coisas profundamente pertubadoras que colocam a vida dos netos em perigo.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”M. Night Shyamalan” espaco=”br”]M Night Shyamalan[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: M. Night Shyamalan
Título Original: The Visit
Gênero: Terror
Duração: 1h 34min
Ano de lançamento: 2015
Classificação etária: 14 anos
Lançamento: 26 de novembro de 2015 (Brasil)

TRAILER

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