ABRIL DESPEDAÇADO (Crítica)

ABRIL DESPEDACADO

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FICHA TÉCNICA

Título Original: Abril Despedaçado
Ano do lançamento: 2001
Produção: Brasil, França, Suíça
Gênero: Drama
Direção: Walter Salles
Roteiro: Walter Salles e Karim Aïnouz
Classificação etária: 14 Anos

Sinopse: Em abril de 1910, na geografia desértica do sertão brasileiro vive Tonho (Rodrigo Santoro) e sua família. Tonho vive atualmente uma grande dúvida, pois ao mesmo tempo que é impelido por seu pai (José Dumont) para vingar a morte de seu irmão mais velho, assassinado por uma família rival, sabe que caso se vingue será perseguido e terá pouco tempo de vida. Angustiado pela perspectiva da morte, Tonho passa então a questionar a lógica da violência e da tradição.

Por Kadu Silva

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O inicio do século XXI, foi marcado por diversos filmes que retratavam o universo do sertão brasileiro, isso se deu, em grande parte, pelo sucesso mundial que Central do Brasil alcançou, tendo duas indicações no Oscar em 1999 e ganhado o Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro no mesmo ano. Dentre tantos, Abril Despedaçado se destaca pela delicadeza que Walter Salles consegue ao retratar a dura vida dos sertanejos num ambiente tão hostil.

O longa acontece no ano de 1910 em pleno sertão brasileiro, onde duas famílias durante anos, disputam o domínio de terras. Vinda de seus ancestrais, para que as famílias não percam espaço de suas poses, um membro mata o membro da família adversária a fim de vingar a honra da sua estirpe e vice e versa. Mesmo sem entender ao certo o porque dessa tradição antiga, estes pobres seres humanos vivem em círculo esperando a morte chegar.

Para quem ainda nunca conferiu o longa, este cenário extremamente sangrento dentro de uma paisagem árida, sugere um filme denso e triste, mas o roteiro de Walter Salles e Karim Aïnouz (Praia do Futuro), consegue ser otimista, poético e belíssimo. O roteiro nos mostra que é sempre possível recomeçar, fazer diferente, basta ter coragem de seguir outro caminho.

O olhar delicado de Salles utiliza de simbológicas e de um texto primoroso que ganha ainda mais emoção no personagem Pacu, ele é o garotinho que simboliza a esperança dentro da trama. Sua ingenuidade infantil coloca cor no ambiente quase em variação de tons.

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Sem se alongar na narrativa, Salles consegue retratar de forma bem clara, a história dessas duas famílias e o melhor, consegue compor muito bem os principais personagens dando a perfeita apresentação para o público de cada um. Somos testemunha de Tonho nesta difícil escolha de respeitar a tradição de sua família ou deixar para trás essa triste realidade e torcemos pelo seu desfecho feliz.

Tonho é vivido de forma primorosa por Rodrigo Santoro, ainda no inicio de sua carreira, sua performance impressiona pela entrega e pelo tom perfeito do jovem que precisa se tornar adulto mesmo sem a orientação correta. Também nos primeiros passos encontramos Wagner Moura que faz um papel pequeno, ele é o Matheus, mais um dos filhos que precisa vingar a família, afim de manter as terras. Mesmo com o pequeno espaço no longa, ele consegue deixar sua marca de competência quando está em cena.

Outro aspecto que salta aos olhos, sãos os acabamentos técnicos em todos os aspectos, mas sem dúvida a fotografia de Walter Carvalho (Getúlio) é uma “pintura”. Carvalho consegue dar para o cenário árido contornos de arte, fazendo de cada cena um espetáculo visual impressionante!

Abril Despedaçado é daqueles filmes necessários, já que mostra de forma muito especial, que a chave para a felicidade, muitas vezes, está em nossas mãos, basta querer usa-la.

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PRÊMIOS

GLOBO DE OURO
Indicação: Melhor Filme Estrangeiro

BAFTA
Indicação: Melhor Filme de língua não inglesa

FESTIVAL DE HAVANA
Ganhou: Melhor Diretor – Walter Salles

TRAILER

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