ALÉM DA FRONTEIRA (Crítica)

ALEM DA FRONTEIRA

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Por Pedro Vieira

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À partir de um corte brusco que mostra um de seus protagonistas caminhado em direção à divisa do território palestino se inicia o filme “Além da Fronteira” (Out in the Dark), que segue esse mesmo ritmo quase que o filme todo: cortes rápidos que vão unindo as sequências e que privilegiam a agilidade de uma narrativa que traz um acontecimento novo a cada minuto.

É o longa-metragem de estreia do diretor Michael Mayer, que decidiu contar a história de amor proibido entre um casal gay no Oriente Médio: Nimr (Nicholas Jacob), um estudante de psicologia palestino, e Roy (Michael Aloni), um advogado israelense. Apaixonados, a relação dos dois passa por vários empecilhos que vão desde o preconceito de família dos dois e da sociedade, até o fato de ambos terem nascidos em lados oposto no conflito entre a Palestina e Israel.

O filme procura mostrar a relação dos dois da forma mais natural possível. A maior parte dos problemas expostos provavelmente já aconteceu com maioria dos casais homossexuais de qualquer parte do mundo, como a família que não aceita a “opção” sexual do filho, ou os pais que aceitam, mas não deixam de questiona-lo sobre essa “escolha” assim que conhecem o namorado do mesmo.

A exceção fica por parte das dificuldades vindas diretamente dos problemas políticos que cercam os personagens. Dessa forma, não se trata apenas de um filme sobre o preconceito, mas sobre a política de um determinado local, porém, ao invés de tentar mostrar como isso influência a vida de uma pessoa comum, ele escolhe um grupo específico que passa por tantos problemas quanto o resto da população, mas que também sofre com a não aceitação da sua forma de amar perante a sociedade.

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Há aqui uma exigência por parte do filme diante do espectador: que ele tenha um conhecimento prévio da guerra entre palestinos e judeus. Chegar à sala do cinema esperando que a narrativa lhe explique tudo direitinho não dá. O filme tem muito a mostra, e se parasse para fazer explicações sobre toda a história dos conflitos no Oriente Médio, provavelmente consumiria muito mais tempo do que a sua uma hora e meia de duração.

As cenas românticas são menos reais do que o resto do longa, chegando a puxar muito mais para o lado romântico da história do que para o drama. Cheias de caricias, essa sequência se encaixam perfeitamente no contexto de qualquer filme de romance do circuito comercial. Acontece, entretanto, que há uma falta de química entre os dois atores, em especial no caso de Nicholas Jacob. Ele esforça demais na atuação, mas mesmo assim, tudo parece falso, ainda que seu companheiro, Michael Aloni, expresse emoções mais verdadeiras.

Em consideração a atuação dos atores, o diretor abusa dos planos próximos. São tantos, que muitos parecem desnecessários em certas sequências da narrativa, sem acrescentar nenhuma exaltação de sentimento nem nada. O uso da câmera na mão também é grande em toda a projeção, contribuindo para aquela agilidade da história, mas também trazendo alguma movimentação aos planos do filme – já que se vê quase nenhum outro tipo de técnica de movimento. São longos planos feitos deste modo, e que vão se acrescentando um após o outro, de maneira que chega a cansar em alguns momentos.

Entretanto, apesar de seus pequenos erros, o filme tem muitos acertos e boas intenções. E a polêmica que ele causa não vêm do retrato que mostra de um casal gay, mas sim do fato de que há uma parte da sociedade que ainda não consegue aceitar o amor entre duas pessoas do mesmo sexo. Espera-se que “Além da Fronteira” consiga superar esses preconceitos.

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A estreia ocorre no dia 29 de novembro, mas o filme já pode ser visto durante o Festival Mix Brasil 2013 em São Paulo.

SINOPSE

Nimer, é um jovem palestino, que sonha em ter uma vida melhor no exterior e consegue um visto para entrar em Tel Aviv para estudar. Numa noite, ele conhece Roy, um advogado israelense, por quem se apaixona. Quando o relacionamento dos dois fica sério, Nimer precisa encarar a dura realidade de ter que esconder sua vida da sociedade palestina que não aceita sua orientação sexual, e a sociedade israelense que o rejeita por sua nacionalidade. Quando um amigo é morto após ser descoberto ilegalmente em Tel Aviv, Nimer precisa escolher entre a vida que deseja ter ou seu amor por Roy.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Michael Mayer” espaco=”br”]Michael Mayer[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Yael Shafrir, Michael Mayer
Título Original: Out in the dark
Gênero: Drama
Duração: 1h 36min
Ano de lançamento: 2013
Classificação etária: 14 anos

TRAILER

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