Alfa (Crítica)

Kadu Silva

Um filme antiquado, com acabamento moderno!

Sem dúvida, uma das histórias mais recorrentes do cinema é a amizade entre o ser humano e um animal. Em geral, são tramas melodramáticas que envolvem resiliências para chegar a um final feliz. Alfa é praticamente isso, a diferença é que não existe o abuso da manipulação emocional para tentar cativar o público, no longa, o envolvimento buscado pelo diretor é através da beleza exuberante de seus takes e do (necessário) espaço para contemplação a história.

A trama se passa na Idade do Gelo na Europa de séculos atrás, onde conhecemos o jovem Keda (Kodi Smit-McPhee) que logo em sua primeira caçada com o grupo de elite de sua tribo se fere gravemente, a ponto de ser dado como morte, o que leva seu grupo a abandona-lo, no entanto Keda sobrevive e terá que encontrar forças para passar por todos os perigos que a jornada até sua casa apresenta. Nesse retorno, ele acaba encontrando um lobo, do qual ambos terão que tentar se respeitar um ao outro para juntos sobreviverem ao difícil caminho.

O roteiro original do também diretor Albert Hughes (O Livro de Eli), segue a tradicional trama da jornada do herói clássica que vira e mexe vemos em Hollywood. Além disso, sua trama é um típico filme de autoajuda também muito comum nos cinemas. O diferencial TENTADO é que o filme quase não tem dialogo, mas como o objetivo da produção é chegar ao grande publico, existe uma narrativa em off reforçando o obvio (infelizmente), ou seja, a possível ousadia de ter um filme blockbuster contemplativo acaba sendo deixada de lado para explicar o que já está claro na tela.

Alfa (Crítica)

Apesar disso, o filme tem um visual arrebatador, cada take são como obras-primas em movimento com iluminação e enquadramentos precisos. Outro interessante destaque é que apesar de ser claramente um filme de família, a violência natural da época retratada tem espaço na narrativa, ainda que de forma tímida.

O diretor declarou que optou por um elenco de rostos desconhecidos porque queria que o público se conectasse totalmente com sua história, de fato foi uma boa escolha. A pouca exigência interpretativa do elenco, acabou facilitando uma entrega relativamente boa de todos, principalmente o protagonista Kodi Smit-McPhee (Deixe-me Entrar) que teve o maior tempo em cena.

Com tudo o filme tem uma narrativa antiquada que lembra obras do século passado, mas o acabamento técnico é moderno e extremamente caprichado, seja nos efeitos visuais, fotografia, figurino, direção de arte, tudo é feito com um primor irretocável! Ou seja, Alfa é um filme até certo ponto diferente do que costumamos ver no cinema devido a algumas escolhas corajosas, mas ainda assim a obra acaba apresentando os mesmo diversos ingredientes repetidos ou reciclados das maiorias das produções que vemos aos montes.

Pôster de divulgação: Alfa

Pôster de divulgação: Alfa

SINOPSE

Após cair de um penhasco e se perder do seu grupo, o jovem (Kodi Smit-McPhee ) de uma tribo precisa sobreviver em meio a paisagens selvagens e encontrar o caminho de casa. Atacado por uma matilha, ele consegue ferir um dos lobos, mas decide não matar o animal. O jovem cuida dele e os dois começam uma relação de amizade.

DIREÇÃO

Albert Hughes Albert Hughes

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Albert Hughes
Título Original: Alpha
Gênero: Aventura, Drama
Duração: 1h 36min
Classificação etária: 10 Anos
Lançamento: 6 de setembro de 2018 (Brasil)

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