Alguém Como Eu (Crítica)

Kadu Silva

Quase nada salva

Quando estava pensando sobre o texto para esse filme, todas as ideias iniciais caiam no lugar comum, de reclamar das comedias românticas, não só nacionais como internacionais, mas não tem como fugir desse lugar, pois quase nada se salva na co-produção Brasil/Portugal, Alguém Como Eu.

Trata-se da história de Helena (Paolla Oliveira) uma mulher bem sucedida que ao se mudar para Portugal, aceitando um convite de trabalho, acaba encontrando não só sua realização profissional, mas o homem de sua vida. Tudo parecia perfeito, mas com o passar dos meses o relacionamento que parecia impecável, se mostrou tediante, é então que Helena faz um pedido a Deus, para que seu amor, Alex (Ricardo Pereira), seja como ela, com isso, Helena começa a enxergar o amado como uma mulher, o que acaba abalando para sempre o relacionamento do casal.

O roteiro de Pedro Varela (Quarta Divisão), é uma sucessão de equívocos, primeiro coloca a mulher numa condição fora dos parâmetros atuais. A Helena que ele constrói, apesar de extremamente bem-sucedida, acha que sua felicidade está no encontro de um homem para amar (prefiro, não comentar). Seguindo os erros, ele faz uma trama que é quase uma copia do filme Se fosse como Você, mas sem o talento e o humor perfeito do casal Tony e Gloria, e para concluir, o desenvolvimento é previsível e totalmente clichê na pior das referencias do mais do mesmo.

Alguém Como Eu (Crítica)

Já que é para ser clichê, o diretor português Leonel Vieira (O Leão da Estrela), faz uso de todas as ideias já utilizadas em comédias românticas e emprega em seu filme e para deixar ainda mais equivocado, escolhe um formato que lembra mais uma novela que propriamente um filme, todas as sensações dos atores são narradas em off, e todas as viradas são explicadas em detalhes, para que o espectador não precise pensar em nenhum momento, ou seja, ele subestima a inteligencia de sua plateia.

Por mais que se fale que o público que gosta de comédia romântica, quer ver o mesmo formato consagrado sempre nessas produções, o que acaba taxando essa obra negativamente é que seu conceito sobre amor e sociedade está completamente datado; a sociedade atual busca por algo mais inspirador #ficaadica

E para pior tudo isso, a atuação de Paolla Oliveira (Real: O Plano por Trás da História) é desastrosa, cheia de tiques faciais que não condiz com o momento do personagem. A química com Ricardo Pereira (Cartas da Guerra) não funciona, o que acaba por não trazer a torcida da plateia para o casal. Quem acaba roubando a cena é Júlia Rabello (Desculpe o Transtorno), ainda que seu personagem seja pouco desenvolvido dentro da trama.

Portanto, “Alguém Como Eu” é uma obra démodé em seu conceito e clichê em sua execução, ou seja, uma verdadeira bomba cinematográfica.

Pôster de divulgação: Alguém Como Eu

Pôster de divulgação: Alguém Como Eu

SINOPSE

Helena (Paolla Oliveira) e Alex (Ricardo Pereira) são um casal que, como todos os outros, vivem diferentes fases em seu relacionamento. Depois de alguns meses de dúvidas sobre o seu namoro, Helena passa a imaginar como seria se Alex fosse uma mulher, mas sua obsessão pelo assunto vai transformar seus devaneios em algo que a atrapalha.

DIREÇÃO

Leonel Vieira Leonel Vieira

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Pedro Varela
Título Original: Alguém Como Eu
Gênero: Comédia romântica
Duração: 1h 27 min
Classificação etária: 10 Anos
Lançamento: 24 de maio de 2018 (Brasil)

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