Alguma Coisa Assim (Crítica)

Emílio Faustino

Tido por muitos como o Boyhood nacional, uma vez que o filme foi de desenvolvido a partir do curta-metragem, o filme “Alguma coisa assim”, de Esmir Filho e Mariana Bastos, chega aos cinemas no dia 26 de julho apresentando três momentos-chave da vida dos personagens Mari (Caroline Abras) e Caio (André Antunes).

Um ponto interessante dos bastidores que giram em torno deste projeto, é que filme não foi concebido originalmente com o intuito de acompanhar a vida das personagens por tanto tempo. Na realidade, o longa é o resultado de um reencontro despretensioso entre os envolvidos do curta de 2006 que 7 anos depois se colocaram a questionar quais teriam sido os rumos da história que eles haviam começado.

O resultado é o longa-metragem que mergulha na transformação da relação entre os dois através dos tempos e propõe uma reflexão sobre temas atuais, como sexualidade, rótulos, aborto e novas formas de família.

O destaque do filme fica por conta da montagem, que por não ser linear foge do óbvio e brinca com as expectativas do público, que passa parte da trama acreditando que o conflito da história será a descoberta da orientação sexual de Caio, quando na verdade esta é apenas uma das muitas camadas do filme.

Alguma Coisa Assim (Crítica)

A fotografia que prioriza os detalhes em enquadramentos mais fechados, capta bem a atmosfera de cada época e conversa muito bem com o roteiro sensível que contempla analogias que são um verdadeiro convite para a reflexão. Uma vez que as transformações das personagens dialogam diretamente com as mudanças do espaço físico em que vivem. Vale lembrar aqui que o filme se passa parte em São Paulo e outra parte em Berlim na Alemanha.

Outro ponto alto da obra é a atuação de Caroline Abras que consegue prender a atenção do público e passar credibilidade a sua personagem com uma atuação delicada que se afasta de exageros. Embora a química entre os protagonistas exista, sobretudo nos momentos felizes da trama, é nítida a discrepância entre a qualidade de atuação do casal protagonista, o que nos faz questionar se a interpretação de Caroline é realmente tudo isso, ou se é o comparativo com o colega de cena André Antunes que faz ela se destacar em cena.

Embora toque em questões polêmicas como o aborto, é interessante observar que direção não aponta o que seria o caminho certo ou errado. Ela mostra como este assunto é tratado em uma realidade diferente do Brasil, no caso a Alemanha, onde o aborto é legalizado e tido como assunto de saúde pública.

A conclusão, que obviamente não iremos contar, não poderia ser melhor. Certamente este é o tipo de filme que fará o expectador sair das salas de cinemas debatendo os assuntos abordados e as escolhas das personagens.

Embora não prime pela originalidade, já que muito do que é apresentado nos remete a uma ideia de deja vu constante, “Alguma coisa assim” entrega uma obra coerente, que mesmo falhando por não se aprofundar nas questões que levanta, consegue gerar reflexão e entreter o público.

Pôster de divulgação: Alguma Coisa Assim

Pôster de divulgação: Alguma Coisa Assim

SINOPSE

Enquanto buscam diversão, os jovens Caio (André Antunes) e Mari (Caroline Abras), vagam pela noite de São Paulo. Nesse contexto, entre o som e os silêncios, os dois vão se conhecendo ainda mais e ao longo de uma década se reencontram em três momentos muito importantes de suas vidas.

DIREÇÃO

Esmir Filho, Mariana Bastos

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Esmir Filho, Mariana Bastos
Título Original: Alguma Coisa Assim
Gênero: Drama
Duração: 1h 20min
Classificação etária: 16 Anos
Lançamento: 26 de julho de 2018 (Brasil)

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