ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS (Crítica)

Alice No Pais Das Maravilhas

FICHA TÉCNICA

Diretor: Tim Burton
Roteiro: Linda Woolverton
Duração: 108 min.
Ano: 2010
País: EUA
Distribuidora: Disney

Por Loverci Ferreira

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Antes de começar a falar sobre o grande sucesso que foi a adaptação para as telas do livro, é interessante comentar sobre algumas particularidades do livro, pois há toda uma lenda em torno da história que mexe com o imaginário das pessoas até hoje e é cultuado por ter se tornado um clássico impossível de não conhecermos.

De autoria de Lewis Carrol (1832-1898), o livro foi publicado pela primeira vez em 04 de julho de 1865 e se tornou um grande sucesso para o público infanto-juvenil, isso numa época em que as pessoas ainda tinham o hábito da leitura.

Conta-se que o autor ao conhecer a menina Alice Pleasance Liddell aos 10 anos de idade, filha do reitor da faculdade onde ele lecionava matemática, Lewis se viu logo envolvido com a história da criança quando faziam passeios e ela lhe relatava seus sonhos e problemas, isso o inspirou a criação dessa personagem que foi surgindo pouco a pouco conforme ele ia contando histórias para a verdadeira Alice.

O enredo se tornou uma combinação perfeita entre o bem e o mal, entre o real e o imaginário, entre razão e emoção e o diretor Tim Burton soube usar esse elementos para criar um ótimo filme e como todo lançamento do mestre foi muito esperado por seus fãs.

“Alice in Wonderland” também conhecido como “Tim Burton’s Alice in Wonderland”, começou a ser rodado em maio de 2008 e estreou dia 05 de março de 2010 nos Estados Unidos e logo se tornou a décima-segunda maior bilheteria na história do cinema.

O diretor criou uma estética própria brincando muitas vezes com o humor negro e com uma fotografia quase sempre surreal ao mesmo tempo sinistra e sombria, em alguns momentos do filme eu consigo ver a clássica referência dos desenhos de Walt Disney, que soube como ninguém retratar a história de “Alice” em um de seus mais famosos desenhos.

Só que diferente da história do livro que conta com Alice criança, o filme começa com a personagem aos 17 anos de idade, e coube a interpretação a atriz Mia Wasikowska, o que na minha opinião é a que menos me chama a atenção no filme, mediante algumas composições de personagem muito mais interessantes do restante do elenco.

Alice mora em Londres e esta em uma festa vitoriana quando descobre que vai ser pedida em casamento nessa ocasião, desesperada por não saber o que responder ao pedido ela vê um coelho branco no jardim e acaba seguindo-o através dos arbustos e acaba entrando num buraco, indo parar no País das Maravilhas, local que na verdade ela já havia visitado aos seis anos de idade, mas que não lembrava mais.

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Uma vez no “País das Maraviljas”, é recepcionada pelo Chapeleiro Maluco (Johnny Depp), a parceria entre Tim Burton e Jhonny Depp já é bem conhecida pelo público em geral, nesse filme ele imprime ao personagem uma inocência misturada com loucura e usa uma dicção com a “língua presa”, tornando-o ao mesmo tempo muito divertido em determinadas situações.

Durante o decorrer da trama aparecem diversos seres fantásticos e mágicos no caminho de Alice e os efeitos especiais é o que mais conta para a criação desses personagens “lúdicos”, como o Gato Risonho, a Lagarta, a Lebre Maluca, o Coelho Branco, além de ratos, cartas de baralho andantes, macacos que são transformados em móveis, flores falantes, entre outras figuras surreais que tomam o espaço da tela.

Os personagens discutem se ela é mesmo a “verdadeira Alice”, sabendo que a única forma que ela pode provar isso seria matando o “Jaguardarte”, no entanto por ter estado há muito tempo atrás no País das Maravilhas, a jovem Alice de agora não se lembra de seu passado vivido ali.

Muitos são os destaques na área visual, os cenários são ricos, vibrantes, um passeio ao mundo da imaginação, com um grande destaque para a duplicação usada por computação gráfica para criar os gêmeos Tweedle-Dee e Tweedle-Dum (Matt Lucas), mesma técnica que foi usada para criar os anões oompa-loompas em “A Fantástica Fábrica de Chocolate”.

Entre as melhores atuações não posso deixar de falar sobre a malvada Rainha Vermelha ou Rainha de copas, dando vida ao papel temos a esposa do diretor Helena Bonham Carter, ela é uma rainha de uma maldade tão divertida e canastrona que no final é como se fosse aqueles personagens de novelas da Globo, que não torcemos para se dar mau no final da história.

Gosto muito do figurino de todos os personagens, em especial da Rainha Branca (Anne Hathaway), como comentei antes em vários momentos tenho a impressão do diretor ter se inspirado nos desenhos da Disney e essa personagem em questão tem toda a delicadeza da “Branca de neve” dos desenhos.

O filme algumas horas chega a ser relaxado em alguns detalhes, mas tudo perdoável por causa da estética em que se propõe, a maquiagem como exemplo, pode ser considerada mau acabada e até mesmo grotesca, afinal é tudo muito fake, mas funciona muito bem nesse mundo criado para a imaginação, sem se comprometer com a verdade.

A trilha sonora instrumental do filme foi composta por Danny Elfman que já realizou trabalhos em outras produções do diretor Tim Burton, já as músicas cantadas contam com sucessos de Avril Lavigne, Robert Smith, Tokio Hotel entre outros.

É um clássico que por mais que passem os anos vale a pena ser lido e uma adaptação para o cinema que sem sombra de dúvidas não deixa nada a desejar em se tratando de um ótimo filme.

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PRÊMIOS

OSCAR
Ganhou: Melhor Direção de Arte eMelhor Figurino

Indicações: Melhores Efeitos Especiais

GLOBO DE OURO
Indicações: Melhor Filme – Comédia/Musical, Melhor Ator – Comédia/Musical – Johnny Depp e Melhor Trilha Sonora

BAFTA
Ganhou: Melhor Maquiagem e Melhor Figurino

Indicações: Melhor Trilha Sonora, Melhores Efeitos Especiais e Melhor Desenho de Produção

TRAILER

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