AMAR (Crítica)

Davi Gonçalves

Dizem que a adolescência é um dos períodos mais difíceis da vida. Os nervos ficam à flor da pele e todo sentimento parece ser elevado à enésima potência, fazendo com que situações simples possam tomar proporções gigantescas. Com o amor não é diferente e esta parece ser a premissa de Amar, longa-metragem de estreia do espanhol Esteban Crespo, que narra toda a intensidade do primeiro amor.

Amar vai na contramão dos títulos tradicionais do gênero, já que não acompanha seus protagonistas no processo habitual de início um relacionamento (conhecer o outro, se aproximar, se apaixonar, etc.). Pelo contrário, o filme já nos apresenta os jovens Laura e Carlos no ápice da paixão: as trocas contínuas de mensagens, as escapadas do colégio, o sexo e suas descobertas – enfim, todas as peças de uma típica paixão adolescente é visto aqui.

AMAR (Crítica)

Entretanto, se tudo nesta fase da vida é maximizado, os desentendimentos também o são – e, aos poucos, eles começam a surgir e afetar a relação do casal. E aqui encontramos talvez o grande problema de Amar: as ações passam a ser inverossímeis e seus personagens ganham contornos que fazem com que não tenhamos tanto apreço por eles. O homem, por exemplo, se torna um bobo sentimental e inconveniente, do tipo que espera na porta da ex-namorada para tirar satisfação. A mulher, por sua vez, vive em constante confusão e não sabe ao certo o que realmente espera de seu relacionamento – e no meio disso tudo, cada um sofre e reage à sua forma.

Apesar da química existente entre os protagonistas (Maria Pedraza e Pol Monen estão ótimos em cena) e de algumas sequências interessantes, Amar sofre com essas escolhas do roteiro. Talvez Amar seja um retrato cru de uma juventude que trata tudo hoje com praticidade e sem perda de tempo (se não está dando certo, é hora de partir para outra). O fato é que embora haja uma boa cinematografia, Amar não é um filme para toda hora – e confesso que muito do que absorvi desta produção pode ser resultado do meu atual momento de vida. O mais engraçado, no entanto, é pensar como as pessoas são tão descartáveis e se desapegam uma das outras com a mesma facilidade com que dizem “eu te amo” de maneira vazia. Ao menos isso, Amar consegue expor sem muita dificuldade.

Pôster de divulgação: AMAR

Pôster de divulgação: AMAR

SINOPSE

Laura (María Pedraza) e Carlos (Pol Monen) têm apenas 17 anos se desejam muito, com a intensidade do primeiro amor. Para eles, amar é a única coisa importante, é o que preenche suas vidas. Eles se amam com tanta intensidade que é uma relação quase doentia, fazendo com que lidem com ciúmes e inseguranças, mostrando um outro lado do amor.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Esteban Crespo” espaco=”br”]Esteban Crespo[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Esteban Crespo
Título Original: Ai Weiwei: Never Sorry
Gênero: Drama, Romance
Duração: 1h 50min
Classificação etária: 16 Anos
Lançamento: 22 de julho de 2017 (Brasil) Netflix

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1 Comentário

  1. Hendrica lirana

    Amar) o filme é maravilhoso deveria ter o 2 porém o final não gostei não entendi se aquela sena foi um A Deus ou um para sempre,se fosse para sempre eu acharia perfeito mais amei o filme parabéns a todos