AMOR PLENO (Crítica)

AMOR PLENO

3estrelas

Por Emílio Faustino

Pleno Amor – Bonito, mas…

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O sexto filme do diretor Terrence Malick (A árvore da vida), chega aos cinemas explorando o que deve ser o tema mais recorrente de todos os tempos no cinema: o amor. O que não é nenhum problema, pois as maiores sacadas do cinema acontecem justamente quando se pega um tema batido e dele se faz algo original.

Foi o que aconteceu, por exemplo, com o filme “Amor” de Michael Haneke, que apresenta um recorte inovador e comumente ignorado do sentimento. Mas este infelizmente não é o caso de “Amor Pleno”, que apresenta uma história fraca e batida que se apoia na maior parte do tempo na sensibilidade visual do diretor que proporciona imagens belíssimas.

Mas vamos à história… Acompanhamos na trama a união cheia de altos e baixos de Neil (Ben Affleck) e Marina (Olga Kurylenko). Apostando em uma paixão arrasadora, a mulher francesa resolve se mudar com o novo parceiro para os Estados Unidos, levando junto sua filha e a esperança de uma vida nova. Mas as coisas não seguem como o programado. (E é isso, adicione narrações, que são intercaladas com 10 minutos de imagens e diálogos curtíssimos e temos a receita do filme).

Bem embalada pela trilha sonora, a narrativa do filme em si é boa, poética e fala muito mais pelo que não diz, do que propriamente pelo o que é dito. Deixando nas entrelinhas margem para múltiplas interpretações e divagações do telespectador. Um processo bem parecido com o que vemos nas exposições de artes plásticas.Ou seja, é um filme mais para ser sentido do que propriamente para ser entendido. (Não que ele seja de difícil compreensão, pelo contrário… O enredo é bem simples, mas as pausas feitas utilizando apenas imagens de paisagens dão o tempo necessário para as pessoas poderem viajar na maionese).

Agora é importante ressaltar que a pessoa que não consegue embarcar nessa “viagem” acaba por ficar entediada com a ausência de ritmo e história do filme. Porque na prática, o filme se resume em mostrar uma relação entre duas pessoas, com direito a suas idas e vindas, sem maiores desdobramentos. É um filme absolutamente cotidiano, vestido com trajes de luxo.

De qualquer forma, o filme apresenta ótimas frases de impacto, destaque para: “As pessoas fracas nunca põem ponto final em nada, pois elas esperam que os outros o façam”. (O tipo de frase que as pessoas veem e correm postar no Facebook).

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Algumas cenas foram bem felizes em sua execução, como a cena da traição onde o diretor opta por fazer as mesmas tomadas da cena de sexo do então casal e depois da mulher e do amante. As tomadas que visam bastante os corpos dos homens, por serem praticamente iguais dão margem a comparação. O que sugere que a mulher não trai o marido por estar atraída fisicamente pelo amante (até porque quem iria buscar outra pessoa, quando se tem o Ben Affleck, né?), mas sim por pura carência e falta de assistência do marido que na maior parte das cenas se mostra um cara blasé e sem maiores emoções.

Outra cena onde a escolha do diretor foi muito feliz, foi a da briga do casal, que em momento algum mostra o casal brigando. Nesta hora o diretor mostra a cena da perspectiva da filha que esta no quarto ao lado apenas ouvindo a discussão.

O que não falta no filme são boas tomadas de câmera, desde as que exploram as paisagens e a natureza, as tomadas de câmera fechadas que enfocam bem os detalhes de mãos, olhos e cabelos, até as tomadas feitas dentro da casa que conseguiram capturar com notável sutileza o quanto duas pessoas podem se tornar entranhas uma para o outra sob o mesmo teto. Por essas e outras o filme pode sim receber uma indicação ao Oscar de “Melhor fotografia”. (Ainda que seja um pouco prematuro para arriscar um palpite).

O filme ainda encontra espaço para contar a história paralela do padre Quintana (Javier Bardem) que explana sobre a falta de amor do sacerdote por Deus, ou até mesmo a busca por este sentimento (que foi perdido, alterado). Só que a história do mesmo fica vaga e em aberto na trama, sem maior peso ou porque na história.

O que vemos em “Pleno Amor”, que diga-se de passagem foi uma infeliz tradução para o filme que inglês é “To the Wonder” e que em tradução literal significa: “À maravilha” ou “Para a maravilha”, é uma história lindamente entediante que tem forma, mas deixa a desejar no conteúdo. Seria realmente fantástico se todo o apuro visual do filme fosse empregado em uma trama mais elaborada.

De qualquer forma, o filme não chega a ser ruim, é bonito, é sensível, mas parafraseando a frase da filha da protagonista: “Esta faltando alguma coisa”.

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SINOPSE

Um homem (Ben Affleck), descontente com a sua vida, viaja a Paris e inicia uma profunda relação amorosa com uma europeia (Olga Kurylenko). Ele volta para os Estados Unidos e se casa com esta mulher, para ajudá-la a ter a permissão de estadia americana. Mas após o casamento, a relação dos dois se degrada. Neste momento, ele encontra uma antiga namorada (Rachel McAdams), com quem inicia um novo romance.

DIREÇÃO

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FICHA TÉCNICA

Roteiro: Terrence Malick
Título Original: To the Wonder
Gênero: Romance
Duração: 1h 53min
Ano de lançamento: 2013
Classificação etária: 14 Anos

TRAILER

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