AS DUAS FACES DE JANEIRO (Crítica)

As duas faces de janeiro

2estrelas

Por Pedro Vieira

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Em sua estreia na direção de um longa-metragem, Hossein Amini, mais conhecido como roteirista na indústria do cinema, acaba errando justamente com aquilo que lhe é mais familiar: o desenvolvimento do roteiro. Há uma inconsistência em seu “As Duas Faces de Janeiro” (The Two Faces of January), que parece não se decidir se será um drama amoroso ou um suspense.

Baseado em um romance, o título do filme faz alusão ao deus grego Janus, que possuía duas faces, aqui representadas metaforicamente pelos protagonistas Rydal (Oscar Issac) e Chester (Viggo Mortensen). Rydal é um guia turístico americano na Grécia dos anos 60, e que acaba conhecendo Chester e sua esposa, Colette (Kirsten Dunst), ambos também americanos. Chester é um vigarista, que sem querer acaba matando um detetive que o perseguia a mando de uma de suas vítimas passadas. Buscando fugir junto da esposa para outro país, ele pede ajuda a Rydal, que se envolve na perigosa trama do casal.

Rydal logo de apaixona pela esposa de Chester e é ai que surge o primeiro ponto negativo da história. O triângulo amoroso aqui formado, além de clichê, é mal desenvolvido. O roteiro sempre tentar mostrar que este pode ser um romance diferente, fora do usual, mas nessa tentativa, acaba por cair nos mesmos problemas que outras histórias similares, torna-se fatigante e de diferente acaba não tendo nada (possuindo inclusive diálogos já batidos). E o pior de tudo isso: perde a linha do bom suspense que havia iniciado a trama, e que só retorna mais ao final da narrativa, mas não conseguindo salvá-la, uma vez que neste ponto o espectador já está cansado da história que vê na tela.

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Se o roteiro deixa a desejar, na parte visual o filme encontra sua força. Todas as cores do figurino e dos belos cenários gregos conseguem fazer bem seu papel de realçar o clima de mistério que o longa assume (ou tenta assumir), junto de uma iluminação contrastada e de planos mais fechados. A trilha sonora também atua de modo satisfatório, mas o que segura mesmo o filme, para que ele não se torne tão enfadonho, é sua dupla protagonista.

Issac sabe dar o tom certo a seu Rydal, um jovem esperto e confiante, mas é Mortensen o dono dos melhores momentos do filme. É incrível ver como o ator traz veracidade ao seu personagem, e com tranquilidade o público consegue se afeiçoar por Chester. Um infortúnio apenas é a boa Kirsten Dunst, que fica presa a uma personagem fraca e sem expressão. Colette é apenas uma mulher objeto na vida dos dois personagens masculinos, o objetivo que os dois tentam alcançar, mas ela pouco age na narrativa toda, passando a maior parte do tempo sorrindo de forma boba ou reclamando de algo.

Assim como Colette é uma personagem fraca, “As Duas Faces de Janeiro” também se mostra como um filme fraco, pelo menos no que se diz na parte narrativa. Quem sabe o diretor Amini possa dar uma olhada nos outros filmes em que trabalhou e roteirizou, como o ótimo “Drive” de 2011, e assim corrigir seus erros para um futuro longa e não derrapar com aquilo que ele já mostrou que sabe fazer bem.

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SINOPSE

Nos anos 1960, o jovem casal Chester e Colette decide fazer uma viagem de barco à Grécia. No local, eles conhecem Rydal, um guia americano que fala grego e decide ajudá-los no passeio. O que eles não sabem é que Rydal é conhecido por aplicar golpes nos turistas… Mas Chester e Colette também têm os seus segredos, e certa noite, quando o guia decide visitá-los em seu quarto de hotel, descobre o cadáver de um homem que Chester afirma tê-lo atacado. Sem saber como sair da situação, Rydal ajuda a remover o corpo. Logo, o trio acaba envolvido em um crime do qual não pode mais fugir.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Hossein Amini” espaco=”br”]Hossein Amini[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Hossein Amini
Título Original: The Two Faces of January
Gênero: Suspense
Duração: 1h 37min
Ano de lançamento: 2014
Classificação etária: 14 Anos

TRAILER

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