AS DUAS IRENES (Crítica)

Kadu Silva

Simples assim…

Nos últimos anos o cinema nacional tem investido bastante em contar conflitos familiares cotidianos, e através dessas histórias aparentemente simples, colocar para discussão fortes e importantes assuntos que estão presentes em nossa sociedade. O delicado As Duas Irenes é mais um longa que chega aos cinemas com esse conceito.

No filme Irene (Priscila Bittencourt) é a filha do meio de uma família tradicional brasileira. Tudo aparentemente corria bem nessa família de comercial de margarina até que ela descobre que é irmã de outra menina que tem o mesmo nome que o dela, fruto de uma segunda família que seu pai mantem escondido. Irene resolve se aproximar de sua meio-irmã, é então que ela encontra uma cumplicidade e um caminho para o início de uma série de descobertas sexuais e emocionais que mudará sua vida radicalmente.

O roteiro do também diretor estreante em longas-metragens Fabio Meira é simples, delicado, mas ainda assim carrega um mistério e uma sensação de que algo pode acontecer nessa aproximação das protagonistas, impressionante, esse é só a primeira camada mais evidente, mas o filme ainda se torna uma representação do emporadamento feminino já que as Irenes, duas adolescentes da nova geração, nunca se tornam inferiores diante de uma figura masculina, ainda que seja o pai, de forma orgânica elas vivem e agem como querem ser.

Além disso, o filme mostra o amadurecimento feminino tanto para as dores da vida como para os prazeres sexuais naturais de cada ser humano, principalmente na adolescência, tudo mostrado de forma natural e bem simples, algo que certamente irá conseguir a identificação rápida da plateia.

Priscila Bittencourt e Isabela Torres que estreiam no cinema, além de conseguirem uma intimidade e uma química impressionante no vídeo, conseguem trazer uma doçura e ao mesmo tempo uma força para essas Irenes que fazem a plateia se encantar pelas personagens.

É curioso como Fabio consegue envolver a plateia com sua direção, ele acaba fazendo de sua lente uma espécie de voyeur do universo feminino e assim fica impossível não querer saber o que essas garotas irão fazer com o segredo que elas carregam.

As Duas Irenes é um filme que mostra uma história muito comum em nossa sociedade patriarcal e machista e por isso certamente vai te fazer se identificar com a trama.

Pôster de divulgação: AS DUAS IRENES

Pôster de divulgação: AS DUAS IRENES

SINOPSE

Irene (Priscila Bittencourt) é a filha do meio de uma família tradicional do interior, que um dia descobre que o pai (Marco Ricca) tem uma filha fora do casamento, também chamada Irene (Isabela Torres) e da mesma idade que ela. Revoltada com a descoberta, Irene passa a se aproximar de sua meio-irmã e da mãe dela, sem revelar sua identidade. É o início de uma cumplicidade entre elas, que passa também pela descoberta da sexualidade.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Fabio Meira” espaco=”br”]Fabio Meira[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Fabio Meira
Título Original: As Duas Irenes
Gênero: Drama
Duração: 1h 29min
Classificação etária: 14 Anos
Lançamento: 14 de setembro de 2017 (Brasil)

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