As novas dramédias da HBO – Divorce e Insecure

Igor Pinheiro

HBO

Eu sou um fã de dramédias. Os temas costumam ser batidos, clichês e repetitivos (as que falam sobre uma mulher de meia-idade em crise são incontáveis), mas alguma coisa sempre me atrai nesse tipo de série. Nurse Jackie, Enlightened (você precisa assistir), Girls, The Big C e How to Make It in America são alguns dos nomes desse gênero que posso citar. E há pouco mais de um mês essa lista aumentou com as duas novas séries da HBO: Divorce e Insecure.

Insecure conta a história de uma mulher negra que gosta de cantar rap, mas não é exatamente da área e vai levando a vida como pode enquanto passa por uma crise com o cara que namora há anos. Ela tem uma melhor amiga, também negra, que trabalhar em uma grande empresa com uma maioria branca e tenta, muito, achar um companheiro em aplicativos de relacionamento.

Divorce é mais clichê e acabou sendo mais vendida como a nova série da Sarah Jessica Parker do que qualquer outra coisa. O título já resume boa parte da série. Um casal de meia idade, com filhos, todos brancos e de classe média-alta passando por um divórcio. Repetindo, é clichê, mas confiei bastante por ser HBO e queria ver SJP na ativa em série novamente.

O curioso é que os dois shows me trouxeram o mesmo sentido, mas em sentimentos opostos. Vou tentar explicar. Divorce começou OK. Porque é muito difícil fazer dramédia sem ser OK, você tem que pesar muito a mão nas piadas e nas situações dramáticas, tudo isso para tentar mostrar “a vida como ela é”. O problema é que em seu quinto episódio a série continua sendo apenas OK e com essa pesagem de mão tendo uns erros graves. Eles tem a dificuldade de passar a situação para os filhos, mas ao mesmo tempo, precisam fazer piadas com xixi, cocô, vômito (não juntas e nem necessariamente nessa ordem) e Sarah Jessica Parker sendo uma mãe muito atrapalhada… Não dá. Mas juro, apesar da visão negativa apresentada nesse parágrafo, que enxergo um potencial bem lá no fundo da série.

Insecure, por outro lado, apesar de também começar sendo apenas OK e se manter assim até o terceiro episódio, mostra que essa lentidão não era simplesmente por ser OK, mas uma baita construção de personagens. Os acontecimentos dos quarto e quinto episódios mexeram de verdade comigo, mais por identificação do que por serem bem escritos, verdade, mas mostraram a que veio a série e estou animado para os próximos acontecimentos. Fora que é genial o fato da série falar, bastante e explicitamente, sobre empoderamento feminino e negro, mas não ser apenas sobre isso.

Enquanto Divorce se perde nas piadas e na mesmice de personagem que já estamos cansados de conhecer, Insecure faz você se envolver, rir e se emocionar sem forçar nada, é tudo trazido de forma bem natural pelos personagens que até agora parecem ser muito bem construídos.

Terminarei a primeira temporada de cada uma delas como um bom fã de séries faria (porque eu já perdi esse título), mas não levo muita fé na renovação das duas. Devo estar errado sobre Divorce, que tem o peso da Sarah Jessica Parker e, por causa dela também, tem chance de ser indicada a algum prêmio, mesmo que de forma injusta. E espero estar errado sobre Insecure, que nas últimas semanas realmente me conquistou mais do que esperava. Então é como sempre digo: vamos ter que esperar para ver…

Comente pelo Facebook