AS PALAVRAS (Crítica)

AS PALAVRAS

4estrelas

FICHA TÉCNICA

Título Original: The Words
Ano do lançamento: 2012
Produção: EUA
Gênero: Drama
Direção: Brian Klugman, Lee Sternthal
Roteiro: Brian Klugman, Lee Sternthal
Classificação etária: 12 Anos

Sinopse: Rory Jansen (Bradley Cooper) é casado com Dora (Zoe Saldana) e trabalha em uma editora de livros. Ele sonha em publicar seu próprio livro, mas a cada nova tentativa se convence mais de que não é capaz de escrever algo realmente bom. Um dia, em uma pequena loja de antiguidades, ele encontra uma pasta com várias folhas amareladas. Rory começa a ler e logo não consegue tirar a história da cabeça. Logo ele resolve transcrevê-la para o computador, palavra por palavra, e a apresenta como se fosse seu livro. O texto é publicado e Rory se torna um sucesso de vendas. Entretanto, tudo muda quando ele conhece um senhor (Jeremy Irons) que lhe conta a verdade por trás do texto encontrado.

Por Kadu Silva

O preço de uma escolha

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Metalinguagem é uma das técnicas mais utilizadas no cinema, mas apesar disso o efeito sobre a obra é sempre algo que chama bastante atenção do público. Para quem não sabe o que isso, é algo mais ou menos assim: quando é feito algo dentro de algo, de forma bem simples no filme seria um livro dentro de outro livro.

Para ficar mais claro a trama do filme é a seguinte: Clay Hammond (Dennis Quaid) está apresentando sua nova obra para uma plateia de notáveis. Essa obra conta a história de um jovem escritor Rory Jansen (Bradley Cooper) que tinha o sonho de ter seus livros publicados por alguma grande editora. Quando já estava quase “desistindo” disso, Rory encontra dentro de uma valise velha comprada por sua mulher Dora (Zoe Saldanha) um livro datilografado e já com o papel amarelado, a obra causou grande comoção no escritor que acabou a tomando para si e publicando a, mesmo não sendo de sua autoria, com isso ganhou fama e reconhecimento. Um tempo depois um velho senhor (Jeremy Irons) aparece para Rory explicando a origem de cada palavra daquele texto.

A dupla de roteiristas Brian Klugman e Lee Sternthal (Tron: O Legado) escreveram essa história em 1999 e já na época convidaram Bradley Cooper, amigo de ambos para estrelar o longa-metragem, que acabou saindo do papel somente agora mais de 10 anos depois e Cooper honrou a palavra e filmou junto com a dupla que fazem com o filme a estreia na direção.

O roteiro é extremamente bem escrito, até porque a sinopse e até o trailer do filme se você assistir é muito difícil de entender, mas ao conferir o filme tudo isso muda, porque a dupla conseguiu no roteiro com grande cuidado juntar as pessoas desse grande quebra cabeças aos poucos sem pressa, na melhor forma de contar uma história parte por parte. Os acontecimentos e a apresentação dos personagens é tão bem construído que logo no primeiro ato o espectador está completamente fascinado pela trama.

Trama que discute com muito cuidado o preço de uma escolha, o as consequências de um erro “casual” na vida de alguém. O interessante é que não existe julgamento sobre o tema, é apenas apresentado o que leva e o que faz os envolvidos sentirem o peso de tudo isso.

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Brian Klugman e Lee Sternthal por estarem apenas realizando seu filme de estreia surpreendem com uma qualidade narrativa e uma direção impecável. De forma bem simples eles fazem três “níveis” de filme e conseguem de forma bem clara nos colocar em cada um deles com precisão. Com um roteiro tão cheio de idas e vindas seria até certo modo fácil de se perder nesses três níveis, mas pelo contrario cada um deles é muito fácil de se identificados.

O filme apresenta uma trilha sonora muito marcante e também muito bela. Suas notas ajudam na edificação da trama que aos poucos ganham mais dramaticidade e fascínio, exatamente por conter essa metalinguagem, causando no espectador a curiosidade do que vem adiante.

A direção de arte também é outro destaque no filme e fundamental para conseguir manter os níveis diferentes do longa muito bem representados. Existe entre eles um mais antigo e a reconstituição de época é perfeitamente bem realizada.

Mas além de tudo isso, o que ganha em destaque direto é atuação do elenco. Todos em seus pequenos ou grandes papeis estão excelentes. O destaque fica por conta de Bradley Cooper que consegue compor bem esse homem sonhador e que após seu erro entra numa espécie depressão, algo que exigiu algo a mais do ator acostumado com papeis mais simples ou engraçados, apesar de nada brilhante, ele dá conta do recado.

Ainda assim, achei que o desfecho do filme poderia ter algo mais impactante, ele acaba apresentando algo obvio. Já que se você tem um olhar treinado para o cinema descobrirá no meio do filme mais ou menos tudo, no entanto ainda assim é bem interessante, apesar de um tanto deprimente. Vale principalmente pela crítica ao mercado editorial, mostrando que o valor está no retorno financeiro e não no legado que as obras podem deixar. Um filme imperdível para quem gosta de algo de alto nível.

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DESTAQUE

A edição do filme é impecável, ajudando na dinâmica dos flashbacks e no ritmo do longa-metragem.

TRAILER

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