AS SESSÕES (Crítica)

AS SESSOES

Por Silas Mendes

Humano, delicado humano.

John Hawkes interpreta, com uma leveza impecável, um homem de 40 e poucos anos, incapaz de se mover do pescoço para baixo e que após uma desilusão está decidido a ter sua primeira relação sexual.

Baseado no ensaio “On Seeing a Sex Surrogate”, escrito por Mark O’Brien, jornalista, poeta e advogado que contraiu poliomielite em 1955 e perdeu o movimento de todo o corpo com exceção da cabeça e passou a depender, para o resto de sua vida, de um “pulmão de aço”, maquina que o ajuda a respirar, sendo que seu pulmão suporta cerca de 3 horas fora do aparelho, o impondo diversas limitações.

No entanto, longe de retratar O’Brien, incrivelmente interpretado por John Hawkes, como um pobre coitado, The Sessions (As Sessões), nos apresenta um personagem consciente de suas capacidades e dotado de um humor irônico e nada amargo, o que é tipicamente visto em personagens em situações parecidas.

Após conhecer Padre Brendan (William H. Macy), Mark lhe conta sobre Amanda, sua ex-assistente que o deixou após ele se declarar para ela dizendo que a amava. Durantes essas conversas com o Padre Brendan – um padre que pode vir a parecer “incomum” a maioria por não se alinhas aos padres tipicamente vistos no cinema – que Mark diz que pretende ter sua primeira relação sexual e que essa seria com uma “sexual surrogate”, uma profissional que seria responsável por ajuda-lo com suas necessidades especiais.

AS SES02

Então conhecemos Cheryl , interpretada maravilhosamente por uma segura Helen Hunt. Cheryl é uma especialista e doutora em sexualidade humana que ajudará Mark a conhecer seu corpo e a ter sua primeira relação sexual ao longo de 6 sessões, dai o título “As Sessões”.

Através de pequenos momentos durante o período em que as sessões ocorrem, nos aprofundamos em Mark e vemos que apesar de ser muito consciente de si, quando o assunto é o sexo e o seu próprio corpo, ele está tão perdido quanto um garoto na puberdade.

O Mark O’Brien de Hawkes deveria lhe garantir facilmente uma indicação ao Academy Award, assim como a Cheryl de sua parceira, Helen Hunt, mas acabou se tornando um dos “esnobados” do ano.

Com uma história que evita o melodrama, mas que também não busca provocar risos histéricos, As Sessões é um filme humano e delicado interpretado de forma igualmente humana e delicada por um elenco inspirado.

P.S. destaque para a direção segura e igualmente delicada de Ben Lewin.

SINOPSE

Mark O’Brien (John Hawkes) é um escritor e poeta que, ainda criança, contraiu poliomielite. Devido à doença ele perdeu os movimentos do corpo, com exceção da cabeça, e precisa passar boa parte do dia dentro de um aparelho apelidado de “pulmão de aço”. Mark passa os dias entre o trabalho e as visitas à igreja, onde conversa com o padre Brendan (William H. Macy), seu amigo pessoal. Sentindo-se incompleto por desconhecer o sexo, Mark passa a frequentar uma terapeuta sexual. Ela lhe indica os serviços de Cheryl Cohen Greene (Helen Hunt), uma especialista em exercícios de consciência corporal, que o inicia no sexo.

AS SES01

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Ben Lewin ” espaco=”br”]Ben Lewin[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Ben Lewin
Título Original: The Sessions
Gênero: Drama
Duração: 1h 38min
Ano de lançamento: 2013
Classificação etária: 14 Anos

TRAILER

4estrelas

Comente pelo Facebook