AS TARTARUGAS NINJA (Crítica)

AS TARTARUGAS NINJAS

1estrela

Por Pedro Vieira

NOVA AVENTURA DAS TARTARUGAS NÃO EMPOLGA E PERDE A CHANCE DE INICIAR UMA NOVA E INTERESSANTE FRANQUIA

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Seja nos quadrinhos ou na TV, as Tartarugas Ninja já tiveram sua história recontada diversas vezes, sempre conservando seus elementos e personagens mais marcantes e ainda trazendo conteúdo novo suficiente para se manter atraente. No cinema a coisa não é muito diferente. Como o último longa dos heróis data de sete anos atrás, parece ter chegado a hora de Hollywood tentar adaptar novamente os conhecidos personagens, agora com foco na geração atual. Acontece que o novo “As Tartarugas Ninjas” (Teenage Mutant Ninja Turtles) está longe de ser um filme capaz de reacender o interesse do público no grupo de répteis que lutam ninjutsu.

A cena de abertura é até bastante agradável: uma animação narrada pelo Mestre Splinter que serve de prelúdio para o filme e que mimetiza o estilo das histórias em quadrinhos. Passado esse início a jovem repórter April O’Neil (Megan Fox) é apresentada. Ela está investigando por vontade própria as ações do Clã do Pé, uma gangue criminosa que anda causando estragos em Nova York. Só que como April logo descobre, o Clã do Pé tem seus próprios problemas: um grupo de tartarugas adolescentes, mutantes e ninjas, formado por Leonardo, Rafael, Donatello e Michelangelo.

Por esconder demais as tartarugas no começo, o roteiro toma a opção de forcar em April, que além de se transformar em protagonista, é a principal referência humana que a narrativa dá ao público. Com isso é criada uma trama que une a origem das tartarugas a April, realçando a importância da jornalista. Só que os roteiristas não conseguem desenvolver a personagem. Por mais que sejam conhecidas suas motivações, não se vê um crescimento da garota, que acaba por virar vítima dos flertes dos personagens masculinos. A escolha de Megan Fox para interpretá-la também não ajuda a personagem. Fox não é expressiva o suficiente e não tem carisma para conseguir guiar o filme.

Se a história não acerta com aquela que é a personagem de maior presença na tela, o restante do elenco então fica ainda menos expressivo. As tartarugas que deveriam ser o grande chamariz da produção, além de estranhas, são totalmente sem graça. Ao contrário de seus equivalentes em outras mídias, é difícil perceber alguma diferença entre elas, como se todas tivessem a mesma personalidade. Se salva somente Michelangelo, que por causa das diversas piadas que faz, acaba por se apresentar como o mais atrapalhado e piadista dos quatro irmãos.

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Vilões e coadjuvantes parecem totalmente esquecidos. O Destruidor, líder do Clã do Pé e arqui-inimigo das tartarugas, além de ser transformado em uma espécie de robô-samurai (muito semelhante ao Samurai de Prata do filme ‘Wolverine: Imortal’) não possui qualquer tipo de construção em nível de caráter – assim como todos os personagens nesse filme.

Além das falhas narrativas, o filme acumula diversas falhas técnicas e de continuidade, como um personagem que segura um objeto em um plano, e no plano seguinte o objeto desaparece. Um rápido exemplo: na sequência em que um caminhão está descendo ladeira abaixo em uma montanha de neve, Michelangelo não tem junto a ele nada além de seus nunchakus – e de fato, por motivos que não revelarei para não comprometer qualquer sequência do roteiro, por mais fraco que este seja, sabemos que ele não está portando nada que não seja suas armas. Um plano depois e “Mickey” agora possui uma espécie de carrinho mecânico que ele utiliza para correr pelo terreno nevado. Ele guarda o carrinho em suas costas, e no plano seguinte o carrinho desaparece. Pode parecer um detalhe mínimo, mas falhas como essa vão crescendo pelo filme, como um efeito bola de neve.

A direção de Jonathan Liebesman demostra amadorismo em não saber conduzir o filme. O diretor abusa de uma câmera histérica, que se move em quase todos os planos, como se o filme todo fosse uma grande cena de ação. Por isso a produção não consegue trazer qualquer apelo emocional, mesmo quando tenta, já que para isso é necessário um pouco mais de tempo de repouso para o espectador absorver o que vê em cena e se afeiçoar à narrativa. A trilha sonora muito repetitiva também não ajuda.

Ainda que tenha as quatro tartarugas ninjas, o Clã do Pé, piadas com Pizza, a famosa frase “Cowabonga” (dita em apenas uma cena) e efeitos especiais de primeira, “As Tartarugas Ninjas” é um filme no qual faltam elementos: falta uma história envolvente, personagens cativantes, direção competente e um elenco carismático.

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SINOPSE

Afetados por uma substância radioativa, um grupo de tartarugas cresce anormalmente, ganha força e conhecimento. Vivendo nos esgotos de Manhattan, quatro jovens tartarugas, treinadas na arte de kung-fu, Leonardo, Rafael, Michelangelo e Donatello, junto com seu sensei, Mestre Splinter, tem que enfrentar o mal que habita cidade.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Jonathan Liebesman” espaco=”br”]Jonathan Liebesman[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Josh Appelbaum, Andrew Nemec e Evan Daugherty
Título Original: Teenage Mutant Ninja Turtles
Gênero: Aventura, Ação
Duração: 1h 40min
Ano de lançamento: 2014
Classificação etária: 10 Anos

TRAILER

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1 Comentário

  1. uuu

    Logo quando comecei a ler vi que não valia a pena, pois os outros críticos deram ótimas notas ao filme. A ideia de um simples entretenimento não é valido pra você? Tenho convicção que 1 * não é a nota que esse filme merece e críticos como você merecem ser ignorados! UMA PENA!