Attack on Titan (Crítica)

Pedro Vieira

A regra é clara: se algo faz sucesso, significa que pode virar uma adaptação cinematográfica. E isso vale principalmente para mangás e animes, cujo os longa-metragens costumam ser muito populares no Japão, ainda que nem todos cheguem ao nosso país. Shingekin no Kyogin (ou Ataque de Titãs) foi um desses casos, um mangá que recebeu uma adaptação em anime no ano de 2013 e que fez enorme sucesso tanto no oriente, quanto no ocidente. O anime/mangá originou um longa em live-action em 2015, que agora chega ao Brasil pela Sato Company sob o nome de Attack on Titan.

Como é de se esperar, um filme de uma hora e meia (ainda que esta seja apenas a primeira parte de uma obra dividida em dois filmes) não conseguiria adaptar todos os 24 capítulos do mangá, por isso, grandes liberdades criativas foram tomadas. O conceito, porém, continua o mesmo: em algum ponto no tempo, gigantescos humanoides chamados titãs surgiram e começaram a se alimentar de humanos. Os humanos, para se protegerem, construíram 3 muros em torno de um reino, que durante séculos os têm protegido das ameaças letais.

Neste contexto vive Eren (Haruma Miura), um rapaz que sonha em desbravar o mundo além dos muros humanos. Certo dia, porém, um titã maior que todos os outros surge e abre uma passagem no primeiro dos três muros, liberando espaço para que outras criaturas dessa espécie acabe invadindo o território dos humanos. Durante tal ocasião, Eren perde a namorada, Mikasa (Kiko Mizuhara), e decide entrar numa divisão especial das forças armadas de seu reino, cujo o objetivo é consertar o muro quebrado e eliminar o máximo de titãs possível.

Com muita coisa para explicar em pouco tempo, o roteiro apela para momentos expositivos quase que a toda hora, de modo que no mínimo a cada cinco minutos há um personagem pronto para expor detalhes de algum elemento do universo da obra. Além dessa técnica demonstrar a incapacidade dos roteiristas Tomohiro Machiyama e Yûsuke Watanabe em conseguir condensar o material original, ela peca pelo exagero e ultrapassa a linha do aceitável, de modo que o longa não apenas fica a todo momento explicando coisas sobre titãs ou equipamentos para matá-los, mas passa a aplicar tal técnica até mesmo a relação e sentimentos dos personagens, que não conseguem exprimir suas crenças por outros meios que não através de frases expositivas.

Poucas são as sequências em que o longa explora algum tipo de poética e quando surgem, parecem estar totalmente desencaixadas do conjunto como um todo. A direção também não ajuda neste ponto, pois faz com que as cenas pulem de um acontecimento ao outro de forma tão rápida, que o filme não consegue construir um clima para um momento que deveria ser dramático, ou trabalhar bem qualquer fragmento cômico.

Incomoda ainda que este exagero seja acentuado pelas atuações dos atores. É comum em filme japoneses as atuações mais enfáticas, como no teatro, de modo que eles parecem de fato terem saído de um anime. Acontece que isto, alinhado a um roteiro pobre em sua construção, faz com que o elenco se torne um bando de caricaturas pobres e sem alma.

Nesse monte, o pior provavelmente é o próprio Eren, cujo as justificativas são tão rasas que mesmo após um personagem questioná-lo em relação ao motivo do porque odeia tanto os titãs, suas ações ainda soam forçadas, o que piora na atuação artificial de Miura. Os únicos atores que conseguem salvar seus personagens (e possuem algum espaço para isso) são Kanato Hongô, que cria um Armin frágil, mas atencioso com os demais, e Hiroki Hasegawa, que oferece certo grau de mistério ao seu Shikishima, ainda que consequentemente caía na canastrice.

As cenas de ação não fazem feio e os efeitos são razoáveis, mesmo que o design dos titãs seja pouco inspirador – com exceção de um, que é realmente horroroso, e isso é algo bom, já que a ideia é que essas criaturas nos causem medo. Entretanto, a execução atrapalhada e sem alma de Attack on Titan o torna uma obra esquecível e sem charme.

Pôster de divulgação: Attack on Titan

Pôster de divulgação: Attack on Titan

SINOPSE

Eren Yeager (Haruma Miura) vive em um mundo rodeado por enormes muralhas para se proteger de criaturas gigantescas, os Titãs, que anos atrás realizaram uma verdadeira carnificina na cidade. Os sobreviventes buscam formas de recuperar seu território e esclarecer os mistérios ligados ao aparecimento dos Titãs.

DIREÇÃO

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Yusuke Watanabe
Título Original: Attack on Titan
Gênero: Documentário
Duração: 1h 38min
Classificação etária: 12 Anos
Lançamento: 8 de abril de 2018 (Brasil)

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