AUTORRETRATO DE UMA FILHA OBEDIENTE (Crítica)

Kadu Silva

Um diário (chato) cinematográfico

Sou completamente a favor de buscar originalidade quando se pretende produzir um novo filme, ainda mais pelo excesso de longas lançados e a repetição de assuntos e estrutura narrativa, no entanto é interessante também que essa ousadia consiga dialogar com o público, se não isso acaba sendo apenas um filme para auto satisfação, que somente o diretor e meia dúzia de pessoas irão apreciar a proposta. Autorretrato de uma filha obediente não chega a ser algo incompreensivo, mas sua escolha narrativa (diferente) é tão “chata”, que fica difícil de acompanhar até o final, sem ter um certo tédio, os acontecimentos sobre a protagonista.

A trama é sobre Cristiana (Elena Popa) uma mulher de 30 anos, estudante de engenharia relacionada a terremotos, criada pelos pais burgueses, desempregada, que mora só e que entre outras coisas encontra-se com um homem casado para aventuras sexuais ao longa dos dias e ainda, nutre o desejo de ter um cachorro de raça muito caro.

A diretora e roteirista Ana Lungu (Burta balenei), não apresenta o que poderíamos denominar como roteiro propriamente dito, já que os acontecimentos da trama acontecem sem interligação entre eles, é uma espécie de diário cinematográfico de uma mulher que está sem perspectiva na vida, que mesmo morando só ainda depende do auxílio dos pais para sobreviver e que sonha e deseja coisas, mas que parece não ter ambição real para conquista-las.

Lungu para acentuar o aspecto de algo natural sem roteiro, não apresenta trilha sonora durante todo o filme, existe muito silêncio em determinados momentos e além disso a câmera permanece parada como um objeto cênico, os atores andam de um canto a outro e a câmera não os acompanha, é apenas o registro daquele momento, como já citei como se fosse uma página do diário da protagonista.

Obviamente com o decorrer da projeção é possível entender a intenção da diretora em mostrar a difícil relação entre pais e filhos, a busca pela independência, as dificuldades amorosas, as frustações em relação a estética e o padrão de beleza “padrão”, ou seja o íntimo de uma mulher de 30 anos que ainda não se descobriu completamente.

Autorretrato de uma Filha Obediente definitivamente não é um filme para todos, é uma obra que sai dos padrões de narrativas que costumamos acompanhar. O grande problema é que a falta de ritmo dá para o espectador uma melancolia igualmente identificada com a protagonista.

AUTORRETRATO DE UMA FILHA OBEDIENTE

SINOPSE

Aos 30 anos de idade, Cristiana (Elena Popa) sempre teve uma vida correta, criada pelos pais burgueses em um bairro nobre. Ela prepara sua tese de doutorado, em engenharia relacionada aos terremotos, e de vez em quando sai com duas amigas de longa data. Mas seu real prazer é manter um caso com um homem casado pelo qual está apaixonada. Cristiana tem outro sonho: comprar um cachorro, desejo de infância que nunca foi autorizada a concretizar.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Ana Lungu” espaco=”br”]Ana Lungu[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Ana Lungu
Título Original: Autoportretul Unei Fete Cuminti
Gênero: Drama
Duração: 1h 21min
Ano de lançamento: 2016
Classificação etária: 14 Anos
Lançamento: 24 de março de 2016 (Brasil)

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