BANDO À PARTE (Crítica)

Bando a Parte

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FICHA TÉCNICA

Título Original: Bande à part
Ano do lançamento: 1964
Produção: França
Gênero: Drama
Direção: Jean-Luc Godard
Roteiro: Dolores Hitchens
Classificação etária: 14 Anos

Sinopse: Arthur (Claude Brasseur), Odile (Anna Karina) e Franz (Sami Frey) formam o triângulo do filme. Franz é um rapaz boa pinta que conhece Odile em uma aula de inglês. Ela vive em Joinville e conta para o jovem que o seu patrão guarda uma fortuna no quarto. Interessado pela grana, Franz resolve falar com seu amigo Arthur, que está devendo dinheiro para o tio. Os dois rapazes vão seduzir a moça e tentar convencê-la a auxiliar no roubo.

Por Pedro Vieira

BANDO A PARTE01

Em um bar francês, uma moça e dois rapazes sentados em uma mesa resolvem fazer um minuto de silêncio. Por um breve momento, nada mais se ouve na cena do filme, sendo apenas exibidos os três personagens inquietos na mesa do bar. Esta sequência de “Bando à parte” (Bande à Part, algumas vezes também chamado no Brasil como “O Bando à parte” ou “Banda à parte”) demonstra bem os artifícios utilizados por Godard neste filme de narrativa simples, mas cheio de reflexões sobre a linguagem, e que se tornou com o passar dos anos um dos longas mais populares da Nouvelle Vague.

A história segue o grupo já descrito, formado por Franz (Samy Frey), Arthur (Claude Brasseur) e Odile (Anna Karina, uma das musas de Godard e do cinema francês). Odile mora em uma casa cuja dona guarda uma grande quantia de dinheiro em um dos quartos. Franz e Arthur pretendem roubar o tal dinheiro, e para isto, buscam incentivar a garota a participar do roubo. Enquanto persuadem Odile, os dois também lutam para conquistar o amor da moça.

Os personagens são bem caracterizados: Odile é a menina romântica e boba; Arthur, o malandro apressado por conseguir o dinheiro (ele possui uma dívida a pagar); e Franz é o intelectual, que vez ou outra solta algumas reflexões sobre o mundo. Este não é um dos filmes mais complexos de Godard em questões narrativas, mas o que chama a atenção é como ele busca trabalhar a linguagem cinematográfica, fugindo dos padrões assim como fez em seus outros trabalhos do mesmo período.

BANDO A PARTE02

“Bando à parte” é filmado com planos que se assemelham aos de um documentário, característica do cinema francês da época e que difere o filme do modo como eram produzidos os longas norte-americanos de Hollywood, que buscam o realismo com sua montagem clássica. Porém, ao fazer isto, Godard da ao seu longa uma faceta muito mais realista que as produções hollywoodianas, ao mesmo tempo em que não nega que aquilo que mostra na tela é um filme, uma ilusão do real.

Seja pelas falas de seu misterioso narrador, ou pelos próprios personagens, que não temem olhar para a tela e se referir ao espectador (a famosa “quebra da quarta parede”), Godard a todo instante mantém seu espectador ciente de que está assistindo um filme. Em outra famosa cena no bar, o trio protagonista dança enquanto o narrador discorre sobre os pensamentos de cada um. Quando o narrador fala, a música para de tocar, mas basta o narrador se calar para que ela volte e o espectador tome consciência da sonoridade da sequência. Esta cena, tão famosa quanto a citada no início deste texto, chegou a influenciar outros diretores como Quentin Tarantino (é conhecido o fato do diretor ter nomeado sua produtora de “A Band Apart” em homenagem a este longa de Godard).

Se Godard busca se distanciar do método de filmagem hollywoodiano, ele também não nega suas influências e a afeição que possui pelas produções dos Estados Unidos. Dessa forma, “Bando à parte”, além de possuir algumas referências a outras narrativas, se mostra como uma homenagem aos longas estrelados por gângsters e às comédias românticas feitas na América do Norte.

“Bando à parte” é assim um filme que discorre sobre o cinema, o homenageia, mas também não deixa de “criticar” seu formato tradicional, buscando experimentar com a linguagem cinematográfica, o que o coloca entre as maiores obras de Godard.

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TRAILER

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