BASTARDOS INGLÓRIOS (Crítica)

BASTARDOS INGLORIOS

5estrelas

FICHA TÉCNICA

Título Original: Inglourious Basterds
Ano do lançamento: 2009
Produção: EUA
Gênero: Drama
Direção: Quentin Tarantino
Roteiro: Quentin Tarantino

Sinopse: 2ª Guerra Mundial. A França está ocupada pelos nazistas. O tenente Aldo Raine (Brad Pitt) é o encarregado de reunir um pelotão de soldados de origem judaica, com o objetivo de realizar uma missão suicida contra os alemães. O objetivo é matar o maior número possível de nazistas, da forma mais cruel possível. Paralelamente Shosanna Dreyfuss (Mélanie Laurent) assiste a execução de sua família pelas mãos do coronel Hans Landa (Christoph Waltz), o que faz com que fuja para Paris. Lá ela se disfarça como operadora e dona de um cinema local, enquanto planeja um meio de se vingar.

Por Loverci Ferreira

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Não é novidade vermos como o cinema se apoderou do tema relativo à segunda guerra mundial, cada diretor nesses anos deu uma visão diferente sobre o assunto, se eu começasse a escrever o nome dos filmes que usaram a guerra da Alemanha é bem certo que minha resenha iria ultrapassar e muitas dez páginas.

QuentinTarantino não ficou de fora e além de dirigir “Bastardos Inglórios” foi também responsável pelo roteiro, nos mostrando a sua versão da estória, sim é estória mesmo porque apesar de se apoderar de um tema verídico fugiu talvez um pouco da realidade, mas não deixou de fora a violência habitual em seus trabalhos e dividiu o filme em cinco capítulos.

Acredito que muitas pessoas devem ficar intrigadas sobre o que aconteceu realmente com Adolph Hitler no final da Segunda Guerra Mundial, a história nos conta que ele e seus comparsas acabaram cometendo suicídio quando viram que haviam perdido a guerra, isso foi uma forma de se livrarem de pagar por seus crimes, mas será mesmo que isso é verdade?

Afinal o que mais intriga é o fato de seu corpo nunca ter sido descoberto e o diretor acaba brincando com essa dúvida de muitas pessoas e sua reconstituição histórica nos confunde, pois apesar do tema do filme ser real o filme é ficcional.

Mas não podemos falar nada da reconstituição de época que é impecável, a produção preza pelos detalhes mais reais de uma década passando pelo período de guerra, isso tudo com uma grande direção de fotografia para auxiliar.

Um fato muito interessante nas produções de Tarantino é como ele usa a trilha sonora, optando muitas vezes por estilos musicais que soam como música mexicana e ao encaixa-la na cena, causa um efeito de “estranhamento”, quando a emoção da cena não condiz com o ritmo da música, não combinando entre si.

Outro recurso que ele usou de forma interessante no filme é o corte de cenas com “explicação”, onde entra a voz de um narrador (Samuel L.Jackson) e conforme as imagens vão aparecendo ele explica determinada situação, como o caso das películas do cinema conterem nitrato que poderia provocar fogo.

Capítulo um – A caça aos judeus

A primeira cena parece uma brincadeira de estudante de cinema, quando ele pega a câmera pela primeira vez e larga no tripé, aparece uma casinha no meio do campo na França, a paisagem é de uma beleza extraordinária, o dono da casa Perrier LaPadite (Denis Menocher), tem três filhas, uma delas me lembrou muito a atriz que ficou conhecida como a irmã mais nova e louquinha da série “ A sete palmos “, procurei seu nome na produção e não achei, talvez não seja ela.

A fotografia é invejável, pois apesar de ser um lindo dia fora da casa o ambiente dentro é escuro e cria a tensão forte da cena, reforçando esse ambiente um silêncio quase absoluto como se o mundo lá fora tivesse parado em poucos momentos você ouve o barulho de pássaros e mugido de vaca.

Como sempre os diálogos são soltos e parecem sem pé nem cabeça até podermos juntar o quebra cabeças que vai se tornando, o coronel Hans Landa (Christoph Waltz) interroga o dono da casa e ele é de uma gentileza e cortesia absurdas, a atuação durante todo o filme de Waltz é o que mais me seduz na história.

O diretor opta às vezes por planos de detalhes que nos parecem sem sentido durante o filme, um foco no cachimbo, cinzeiro, mais a frente no creme de leite batido, mas o jogo de câmera brinca com os recursos que o cinema pode dar, deslocando nosso olhar para coisas aparentemente sem sentido, o que da para entender é que ele quer distrair a nossa atenção não para a expressão dos atores, mas sim para o que esta sendo dito naquele momento.

Algo nos diz que apesar de toda a educação e cortesia do coronel a cena não vai terminar feliz e mesmo sem trilha sonora para nos apontar esse desfecho, podemos sentir a tensão no ar a cada frase dita.

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Capítulo dois – Os mocinhos aparecem

Os soldados americanos judeus são os mocinhos da história, que se formos ver de por outro ângulo não são tão bonzinhos também, pois usam de toda a violência para castigar os soldados nazistas.

São liderados pelo Tenente Aldo Raine interpretado por Brad Pitt, confesso que quando ele estreou no cinema acreditei que ia ser mais um daqueles rostinhos bonitos metido a eterno galã, ou seja, aquela safra que bem conhecemos de atores que só dão texto nos filmes, mas errei ao pensar isso dele pois os trabalhos dele durante os últimos anos amadureceram cada vez mais e como o personagem Aldo- conhecido como o “Apache”, seu sotaque para a caracterização do personagem dá uma interpretação diferente do que vimos dele até hoje.

Nessa mesma parte temos a apresentação de Adolph Hitler no seu cotidiano, Martin Wuttke que da vida a lendária figura é tão bom que parece que você esta ouvindo aqueles discursos que o Führer fazia para o povo alemão durante a segunda guerra.

Como sempre o diretor não ia deixar de fora imagens de violência, os soldados americanos tem a missão de ao capturar os nazistas escalparem a sua cabeça como lembrança e cabe ao Sgt. Donnie Donowitz (Eli Rothdos) usar o corpo de algum nazista capturado como bola de beisebol, para isso bate o bastão algumas vezes até finalmente matá-lo.

Capítulo três – L’Amour

Toda boa história tem que ter um pouco de romance, uma sobrevivente judia segue para a França e depois de mudar seu nome acaba se tornando proprietária de um cinema, lá o soldado Fredrick Zoller ( Daniel Brühl) acaba se encantando pela jovem e decidi assedia-la, com repudio aos soldados alemães ela não consegue se esquivar de sua corte, a atriz Mélanie Laurent que interpreta Shosanna Dreyfus me lembrou muito Carla Camurati no começo de sua carreira.

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No primeiro momento que a moça agora francesa conversa com o soldado alemão, nos é apresentado um pouco da história do cinema e dos filmes alemães que tanto sucesso fizeram nesse período.

Um dos melhores momentos da atriz é numa cena no café em que após ela passar uma grande tensão em frente do Coronel Hans, respira aliviada com sua partida e podemos perceber todo o horror estampado em seu rosto por ter estado em frente a essa pessoa.

Capitulo quatro- Muita tensão no ar

Quem viu “Operação Valquria” que também aborda o tema da Segunda Guerra Mundial deve se lembrar dos planos de muitas pessoas para acabar com o reinado de terror de Hitler.

Nesse capítulo aliados se juntam para conversar sobre o plano de acabar com a guerra, o local escolhido é uma taberna com espaço pequeno e uma quantidade grande de personagens.

A câmera em muitos momentos parece fixa sem muita movimentação e é tão perfeita que não parece ter cortes na hora da edição, nos dá a impressão de uma sequência inteira sem interrupção.

A tensão no ar é cada vez mais forte, e Quentin Taratino usa de sua habitual carnificina brutal, como podemos ver em filmes seus como “Kill billl”, “Cães de aluguel”, entre outros.

Capítulo cinco – Revenge judia

Para não estragar a surpresa do desfecho não tenho muito a falar sobre o último capítulo, apenas quem leu acima o título pode deduzir o que vêm por aí.

Claro que o sangue escorre na tele e em dado momento me lembrou muito uma cena de “Irreversível”, ao depararmos com um rosto metralhado algumas vezes pelos vingadores dos nazistas.

É uma das melhores produções do diretor e conta com um elenco brilhante, além é claro de um orçamento invejável que arrecadou uma boa bilheteria nos cinemas.

O que tenho a acrescentar é que a meu ver é um filme extremamente injustiçado na entrega do OSCAR, pois merecia muito mais do que apenas o prêmio de melhor ator coadjuvante.

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PRÊMIOS

OSCAR
Ganhou: Melhor Ator Coadjuvante – Christoph Waltz

Indicações: Melhor Filme, Melhor Diretor – Quentin Tarantino, Melhor Roteiro Original, Melhor Fotografia, Melhor Edição, Melhor Som e Melhor Edição de Som

GLOBO DE OURO
Ganhou: Melhor Ator Coadjuvante – Christoph Waltz

Indicado: Melhor Filme – Drama, Melhor Diretor – Quentin Tarantino e Melhor Roteiro

BAFTA
Ganhou: Melhor Ator Coadjuvante – Christoph Waltz

Indicações: Melhor Diretor – Quentin Tarantino, Melhor Roteiro Original, Melhor Fotografia, Melhor Direção de Arte e Melhor Edição

FESTIVAL DE CANNES
Ganhou: Melhor Ator – Christoph Waltz

TRAILER

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1 Comentário

  1. mila

    Boa noite!
    Você se ateve a muitos detalhes que passaram despercebidos em outras.críticas que li, gostei da sua percepção sobre a casa do francês no início do filme e do suspiro de alívio da Emanuelle, eu também achei muito boa aquela cena!
    A divisão do seu texto também ficou bacana. Agora, achei sua narrativa um tanto amadora. Você escreve por hobby? Vejo que tem potencial, mas você ainda pode lapidar mais seu texto. Treine mais o estilo e em breve sua crítica ficará excelente. Espero não ter lhe ofendido, eu também quero escrever boas resenhas e acho bom ouvir conselhos.
    Um abraço!