BATMAN – O RETORNO (Crítica)

BATMAN - O RETORNO

FICHA TÉCNICA

Título Original: Batman Returns
Ano de lançamento: 1992
Direção: Tim Burton
Roteiro: Sam Hamm, Daniel Waters
Elenco: Michael Keaton, Danny DeVito, Michelle Pfeiffer e Christopher Walken

Sinopse: Com o objetivo de manipular Gotham City, um milionário (Christopher Walken) tenta transformar o Pinguim (Danny DeVito), um ser deformado que tinha sido abandonado ainda bebê nos esgotos, em prefeito da cidade. Como se isto não bastasse, surge a Mulher-Gato (Michelle Pfeiffer) que, apesar de ser linda e sedutora, também tem dupla personalidade, em razão de problemas no passado. Ambos se tornam verdadeiros pesadelos para Batman.

Por Jason

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Depois do sucesso do primeiro filme de Batman, dirigido também por Tim Burton, era inevitável que a Warner procurasse dar continuidade nos cinemas a saga do morcego. Mantendo Michael Keaton como o herói e Tim Burton na direção, o resultado foi o sucesso Batman Returns três anos depois. A Warner não poupou gastos acreditando que seu filme seria um sucesso comercial que, além de obter êxito financeiro nos cinemas, daria lucro nas quinquilharias vendidas aproveitando o rastro deixado pelo filme. O orçamento foi de superprodução, 80 milhões de dólares (arrecadou mais de três vezes) e o resultado tecnicamente se vê na tela. É um filme bonito, feito com que se havia de melhor em técnica na época de maquiagem à grandes efeitos especiais (ambos indicados ao Oscar).

Aprecio a direção de arte e os cenários do filme, embora reconheça que a opção por não fazer tomadas externas e sim dentro de estúdio prejudique algumas cenas com uma artificialidade que incomoda. Do mesmo jeito que é destaque o tom pessimista, sufocante e sombrio da fotografia que casa com o personagem, sempre um dos méritos das produções de Burton e que aqui não decepciona – gosto mais do que o tom e das cores usadas nos filmes do Nolan para o personagem.

O que chama atenção, lembrando inevitavelmente da nova trilogia realizada por Nolan, no entanto, é um fato que aconteceria também em Batman O cavaleiro das trevas: se o Coringa transformou o herói em um personagem quase sem destaque e apagado, roubando todas as atenções, aqui os vilões despertam mais interesse do que o canastra Michael Keaton em sua roupa emborracha cheia de enchimentos. Danny DeVito criou um Pinguim asqueroso, uma criatura bizarra manipuladora, egocêntrica, carente e interesseira, ávida por sair dos esgotos e ganhar seu espaço e poder na sociedade. Na performance exagerada do ator, ele faz parte das criaturas bizarras que compõem a vitrine de criaturas de Tim Burton, mas é Michelle Pfeiffer que rouba toda a cena.

Amparada por uma personalidade dúbia, a meiga, solitária e atrapalhada Selyna se transformará na sexy, vingativa e manipuladora Mulher Gato. Michelle criou a Mulher Gato definitiva, um misto de fetiche, acidez e psicose que atormentará Batman. Como nos quadrinhos, Michelle consegue passar toda a personalidade complexa da personagem, às vezes sensual, às vezes agressiva, amorosa ou não, individualista ou não, apoiada no figurino espetacular que acabou ajudando a criar um verdadeiro ícone no cinema. É uma daquelas combinações que acontecem volta e meia no cinema, em que um personagem casa com o ator ou atriz e cria uma figura que não sai da cabeça do espectador.

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Há cenas inesquecíveis, como a lambida de Mulher Gato em Batman ou a explosão que ela provoca na loja de Shreck (Cristopher Walken, como sempre bizarro) depois de um miado, cenas que permanecem no imaginário popular. A trilha sonora é adequada ao papel de dar o tom de fantasia obscuro, mas falha na ação que o filme igualmente implora para ter. Burton cria uma cena climática interessante e bizarra logo no prólogo do filme, com o nascimento e o descarte do bebê pinguim, atirado nas redes de esgoto. Mas o roteiro durante as duas horas que se passam é a reprodução da fragilidade.

Ele envolve a construção de uma usina nuclear que sugará a energia da cidade (!) – motivo pelo qual a personagem Selyna é “morta” – e a incorporação de Pinguim a cidade, para que ele a domine – o velho papo de vilão querendo dominar alguma coisa. Há uma trama política – o personagem milionário Shreck de Walken quer vender a imagem de Pinguim para que ele se transforme em prefeito e assim poderem executar seus planos, mas a trama se perde no meio do caminho. Reparem que até nisso, a personagem de Mulher Gato se sobressai – ela está lá para roubar, para se vingar do que fizeram com ela, por ser egoísta e, anárquica como é, tascar fogo no império daquele que a destruiu, mas para isso precisa colocar Batman fora da jogada.

O ritmo da produção é outro ponto contra: ele demora a passar e Burton parece dirigir o filme de maneira burocrática, como se estivesse com uma arma apontada para a sua cabeça. As cenas de luta são um fracasso de tão mal elaboradas – todas elas, sem exceção, mas o primeiro encontro de Batman com a Mulher Gato no alto de prédio chega ser lamentável. Sem conseguir desenvolver cenas de ação marcantes, é o conjunto visual do filme e as interpretações dos vilões que seguram o interesse do espectador até o final. Final, aliás, em aberto, e de grande beleza estética.

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PRÊMIOS

OSCAR
Indicações: Melhores Efeitos Visuais e Melhor Maquiagem

BAFTA
Indicações: Melhores Efeitos Especiais e Melhor Maquiagem

MTV MOVIE AWARDS
Indicações: Melhor Beijo – Michael Keaton e Michelle Pfeiffer, Melhor Vilão – Danny DeVito e Mulher Mais Desejável – Michelle Pfeiffer

TRAILER

3estrelas

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